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O time da ProGaming E-Sports iniciou o Campeonato Brasileiro de League Of Legends 2018 com o pé direito. Após uma acirrada primeira série que terminou em uma derrota de 2 a 1 para os coreanos da Red Canids Corinthians, a equipe emplacou vitórias de 2 a 0 contra a Vivo Keyd, formação que nunca perdera uma série no Brasil até então, e contra a INTZ, líder da fase de pontos do CBLOL 2017 e campeã da Superliga ABCDE. Atualmente, eles dividem a vice-liderança na tabela com a Red Canids e com a Vivo Keyd, atrás apenas de seu próximo rival, Kabum E-Sports.

Quem vê as caveiras jogando não imagina que é apenas o segundo CBLOL em que a organização participa. O time não é tradicional, mas a escalação já é conhecida — Mateus “Skybart” Neves e Bruno “Goku” Miyaguchi jogaram pela Kabum Black em 2014, passando pela Jayob em 2015, onde se uniram ao suporte Matheus “Professor” Leirião e migraram juntos para a Operation Kino, em janeiro de 2016. Após duas etapas jogadas pela Kino, o trio OPK assinou com a ProGaming, estreando no Circuito Desafiante do ano seguinte.

O atirador Lucas “Luskka” Rentechen era um velho conhecido por ter jogado com o trio também na Operation Kino, mas passou a fazer parte da escalação apenas quando a equipe venceu a série de promoção no Desafiante contra a Kabum E-Sports, subindo ao CBLOL. Com Felipe “Ranger” Brombilla e João Vitor “Zuao” Morais revezando a posição de caçador, a equipe teve um início tão bom quanto o atual na segunda etapa de 2017, mas falhas contra a INTZ e CNB os deixaram em quinto lugar, não se classificando para as semifinais do torneio.

Para 2018, o caçador Gustavo “Minerva” Queiroz quebrou o trio Kabum e se uniu à escalação, sob a tutela do novo treinador Thiago “Djoko” Maia e do já conhecido coach assistente João Pedro “Dionrray” Barbosa. Com bom desempenho e a já habitual quebração de hype, a equipe se estabelece no topo em mais um início de campeonato — mas o que faz com que a ProGaming venha com tanta força em um CBLOL recheado de estrelas? E, acima disso: o que pode barrar seu sucesso?

(Foto: Riot Games Brasil)

A fidelidade ao duo e os efeitos a longo prazo

Em entrevista exclusiva para o Mais E-Sports, Goku fala sem dificuldades sobre sua sinergia com Skybart e Professor, afirmando que viver por tanto tempo ao lado um do outro auxilia mais fora de jogo do que dentro. “Nós já jogamos muito e erramos muito juntos, também. Isso ajuda para que, quando entramos em tempos difíceis, é mais fácil que a gente se ajude, que a gente consiga reconhecer nossos erros de uma maneira melhor. É uma vantagem bem boa, nossa”, confessa.

Skybart e Professor fazem das palavras de Goku as suas, mas Luskka afirma que a boa relação de quem passou muito tempo na mesma equipe não é regra — para ele, o desgaste de estar com alguém há muito tempo pode atrapalhar na hora dos feedbacks e causar atritos. Ele comenta sobre sua convivência com o ex-caçador Ranger, contando que, por conta da intimidade, alguns comentários sobre a performance nos treinos passavam a ser interpretados como ofensas ou ataques pessoais.

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“É meio complicado. Às vezes, conviver muito tempo com uma pessoa faz com que você tenha mais afinidade com ela, e isso pode acabar mais atrapalhando do que ajudando. É o que eu acho — mas, no caso dos moleques, ajuda”, opina o atirador. Djoko complementa que, na rotina dos jogadores, é necessário que haja o ponto certo entre ser um profissional e um amigo, um companheiro. “É algo que os 3 com certeza conseguem fazer e eu vejo isso no dia a dia, aqui. Eles sabem separar o pessoal do profissional na medida certa.”

As mudanças de equipe e de ambiente

Questionado sobre o processo de mudança de equipes durante sua carreira, Skybart relatou sua experiência. “A Kabum Black foi meu primeiro time e minha primeira gaming-house. No início, foi uma experiência muito difícil, porque eu era muito novo e pela primeira vez morei sem ninguém que ‘cuidasse’ de mim. Nessa época, eu aprendi muito com o Espeon e o Danagorn, que já eram jogadores experientes. Na Jayob, eu peguei gosto por estar em uma gaming-house, pois o pessoal era bem descontraído. Na OPK, a experiência foi parecida, o pessoal também era bem legal, e aqui foi melhor ainda, porque a estrutura é melhor do que a de todos os times que eu já passei”, revela.

Goku concorda, e atribui as trocas de equipe e de rotina como parte importante do seu processo de amadurecimento. “Para mim, sempre foi sobre altos e baixos, não só como profissional mas também na minha vida pessoal. A gente começou nossa carreira jogando CBLOL, depois foi pro Circuito Desafiante, depois de volta ao CBLOL e de volta ao Desafiante. Pessoalmente, mudanças de ambiente sempre foram uma oportunidade de me provar cada vez mais”, crava.

Com o gancho da mudança de ambientes, Djoko apresentou uma piada interna: no começo de sua carreira, Skybart tomava muitos Danoninhos. Goku acrescentou que o top laner chegava a arrumar brigas se alguém tomasse um de seus iogurtes. A discussão perdeu a seriedade com o relato, e uma nova nuance da ProGaming veio à tona: a amizade entre os jogadores, que pode ser um dos alicerces mais fortes do time.

(Foto: Riot Games Brasil)

Transformando boa convivência em sinergia dentro de jogo

Djoko é sincero ao afirmar que a ProGaming é o time mais engraçado em que ele já trabalhou. “Parece que cada dia é muito único nas coisas que aparecem, e tudo ocorre naturalmente. Isso é interessante porque faz com que o trabalho seja um trabalho mais feliz. Por mais que não seja o dia inteiro quebrando o gelo, quando as coisas acontecem são coisas lendárias, situações que é rir pra não chorar.”

“São pessoas muito autênticas — esse é o diferencial. Você vê que eu não deixo de ser quem eu sou aqui e nenhum dos meninos do time A ou do time B deixa de ser quem é, também. Ninguém aqui ostenta uma máscara ou algo do tipo, e essa autenticidade e essa verdade fazem com que flua tão bem”, disserta o treinador.

Minerva reconhece que esse fator influencia na sinergia da equipe. “Quando todos os jogadores estão bem fora de jogo, isso reflete dentro de jogo. Quando eu, o Tin e o Lep estávamos em uma convivência extremamente boa, em 2016, eu não precisava nem me comunicar com eles em jogo, pois fluia. Eu acho que sim, quando a afinidade está alta, as coisas fluem muito mais rápido e melhor”, assegura.

A individualidade do jogador perante ao time

Ainda nas histórias lendárias que Djoko mencionou, o time contou, aos risos, a fatídica história do frango do Skybart. Em um domingo após o CBLOL, o top laner pediu pelo delivery um sanduíche de frango, do qual comeu metade na hora e deixou o restante na geladeira para o dia seguinte. Na segunda, quando procurou, a embalagem estava vazia, o que deixou o topo furioso.

Por via de curiosidade, o principal suspeito do “crime”, para os jogadores, é o próprio Djoko — que nega e afirma saber quem foi. “Eu não sou louco de comer a comida do cara que literalmente daria um tiro em alguém que comesse as coisas dele”, o técnico se defende. “De todo mundo da casa, quem é mais rigoroso com as próprias coisas é o Sky.” “E aí você comeu o frango dele pra testar ele”, brinca Minerva.

Os risos da conversa se dissiparam quando o assunto da individualidade foi trazido à tona. O head-coach assume a dianteira outra vez: “Quando você está em um time, você convive com pessoas o tempo todo. Por isso, é fácil perder quem você é. A individualidade vem muito do respeito: saber até onde você pode ir, tanto em relação às coisas quanto ao espaço pessoal.”

“Tem dias em que um dos jogadores acorda mais indisposto, mais irritadiço. Essa é a hora em que os outros têm que respeitar a individualidade e o momento da pessoa, tentar levantá-lo para que ele volte e a gente tenha uma prática boa. A gente nunca sabe como vai ser o dia de cada um, coisas pessoais podem acontecer. Respeitar o individual é um ponto chave pra ter um bom desempenho e um bom trabalho como time”, conclui o técnico.

(Foto: Riot Games Brasil)

Os bons inícios e a estabilidade nos resultados

Para Luskka, um dos maiores fatores para a constância do desempenho da equipe é a união, tanto dentro quanto fora de jogo. “Eu acho que um time que não é unido fora do jogo não consegue ser bom e manter uma boa sinergia dentro do jogo. Isso conta muito. No geral, a dedicação dos jogadores e da comissão técnica tem sido decisiva. Nossa mentalidade mudou muito em relação ao split passado — mas eu não acho que nosso time seja tão constante assim”, confessa.

Djoko acrescenta que, nessa etapa do CBLOL, o maior desafio da ProGaming é manter os bons resultados. “A gente já teve momentos onde esse time começou muito bem, mas do meio para o final do campeonato, o rendimento caiu. Para nós, mais importante do que saber a origem dessa estabilidade, é saber como prolongá-la. É nisso que estamos trabalhando atualmente”, reitera.

Os finais insatisfatórios e a possível instabilidade

O tom da conversa fica pesado quando a série decisiva contra a CNB, na última etapa do CBLOL, é trazida de volta. O empate deixou a equipe lado a lado na tabela com a Pain Gaming, que se classificou para a semifinal por minutos no critério de tempo de vitória. Os jogadores não hesitam em afirmar que o maior motivo da derrota naquela situação foi o fator psicológico: a pressão interna do “tudo ou nada”.

“Nesse jogo contra a CNB, tinha muita pressão para que a gente ganhasse porque era tudo ou nada”, relembra o mid laner. “Ou a gente ganhava e ia para as semis, ou a gente empatava/perdia e ficava de fora. Naquele momento, nenhum de nós 5 conseguiu jogar o nosso 100%, justamente por causa dessa pressão. A expectativa era muito alta. Como a gente estava tão bem, colocamos a pressão de que não poderíamos perder. Seria muito difícil ganhar aquela série para a nossa mentalidade da época”, esclarece.

Dionrray concorda e cita a falta de maturidade da equipe na época. “Nós nos sentíamos pressionados externamente, mas a carga era muito maior para nós mesmos. Esse episódio faz com que a gente seja muito mais maduro hoje em dia e saiba lidar bem melhor com as adversidades. Talvez esse seja o ponto chave para que a gente consiga fazer uma campanha bem mais regular nesse split”, arrisca.

O impacto do 3 a 0 na final da Superliga

A tensão aumenta quando a derrota de 3 a 0 para a INTZ na série final da Superliga ABCDE é citada. Minerva afirma com prontidão que, nessa ocasião, o problema não foi apenas o psicológico da equipe. “Ali, eles só eram melhores e paciência”, crava o caçador. “Aquilo nos ajudou muito pro futuro, vimos coisas que hoje ficaram bem melhores por conta daquela final, que nos rendeu muito aprendizado.”

Djoko relembra o episódio, narrando que a INTZ estava em outro grupo e evoluiu muito no decorrer do campeonato. “O aprendizado que a gente teve na final foi muito útil, por exemplo, na própria série contra a INTZ no CBLOL. Não entrando em específicos, mas todos os jogadores aprenderam alguma coisa daquilo. Quando você perde, você é quem tem mais a aprender. Para o vencedor, o que fica não são os erros, é a conquista. Como a gente tomou um 3 a 0, a gente tinha pelo menos material de 3 jogos pra ver os erros que a gente cometeu, aprender e crescer com eles.”

“Para mim, a gente ter conseguido aprender tanto na final da superliga e evoluído ao ponto de vencê-los dessa vez é algo que evidencia bastante o quanto a equipe amadureceu do split passado pra esse. Tivemos esse revés de uma final perdida de maneira bem fácil, 3 a 0, aprendemos com isso e conseguimos levar para o CBLOL. Me orgulho bastante da gente por isso”, assume Dionrray.

Após a final, cada jogador aprendeu uma lição diferente. Luskka conta que aprendeu a lidar melhor com o jogo, Goku aprendeu a designar sua própria função dentro de jogo. Djoko esclarece que isso tem muita relação com a superioridade da INTZ na série. “A partir do momento em que você entende que não é um deus, que outra pessoa pode ser melhor que você, sua mente fica aberta”, desenvolve.

“Se você tem um mindset de aprendizado, de cada dia aprender e melhorar, você fica aberto à mudança. Eu acredito que, da parte do micro e principalmente do macro, de como a gente leva o jogo e de como a gente pensa o jogo, agradeço à INTZ por ter ganhado esse 3 0 da gente na final. Pelo aprendizado. Vice de novo, mas pelo menos um vice com mais conhecimento”, brinca o técnico.

(Foto: Riot Games Brasil)

As mudanças na escalação e o efeito no conjunto

Minerva e Djoko passaram a integrar a equipe da ProGaming apenas em setembro do ano passado — mas o estilo de jogo dos dois novos companheiros se encaixa tão bem com o dos veteranos que, à primeira vista, é difícil perceber que a parceria é recente. Sobre o caçador, Goku é o primeiro a falar sobre as maiores diferenças entre Minerva e o antigo revezamento de Zuao e Ranger.

Para ele, a experiência de Minerva trouxe muita coisa boa para o time. “Ele mesmo toma a iniciativa das coisas, tem uma personalidade muito forte e assume a liderança, o que faz com que ele consiga impactar muito bem no jogo. Eu acho que foi uma mudança muito positiva, porque ele adicionou muito à equipe tanto em questão de conhecimento quanto em qualquer aspecto no jogo”, afirma.

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Djoko, porém, garante que o que Minerva tem agregado não quer dizer que os caçadores anteriores sejam ruins ou sequer piores do que o atual. “A gente tem visto o Ranger tendo muito destaque na Kabum. A questão é que, às vezes, não é que o jogador é bom ou ruim, mas grupos diferentes precisam de pessoas diferentes para funcionar.

“Para mim, a mudança para o Minerva tem muito a ver com o perfil de jungler que ele tem, e, com o trabalho que eu já tinha feito com ele, eu poderia encaixá-lo de forma muito efetiva no time — o que acabou acontecendo. Mas também aconteceu do Ranger ser encaixado de uma maneira muito eficiente na Kabum, outro time que funciona de outra maneira”, esclarece.

A história de Minerva e Djoko vem da CNB, onde os dois atuaram juntos no segundo split de 2016 e conquistaram o vice-campeonato, caindo apenas para a INTZ do Exodia. Esse período fez com que os dois desenvolvessem uma sinergia muito positiva — ponto chave para sua contratação e sua efetividade dentro de jogo.

Eu nunca fico tão confortável como eu fico com o Djoko”, confessa Minerva. “Mesmo quando ele me dá campeões que eu não gostaria de usar, eu confio na forma que ele trabalha. Acho que o ponto mais forte dele é esse, eu ficar confortável, porque eu não estava conseguindo me sentir confortável comigo mesmo ou com a comissão técnica antes de vir pra cá, o que me deixava numa situação muito ruim. Para mim, isso é muito saudável e importante”, conta.

Sobre a vinda de Djoko, Goku afirma que, assim como Minerva, o head-coach se destaca na capacidade de liderança. “O Djoko assume de forma mais ativa o papel de ser um exemplo para o time, alguém que você se espelha, admira, deseja ser. Quando o time tem alguém pra tomar esse posto, todo mundo se une mais. Sinto que essa é a maior diferença em relação ao técnico anterior [Von]”, reflete.

Djoko revela que grande parte da efetividade de seu trabalho é dada pela preparação semanal elaborada por ele. “Junto com o Dionrray, eu tento fazer isso toda semana da maneira mais completa possível, mais metódica e mais segmentada, para que eles não tenham o fator ansiedade maior do que o natural na hora do jogo. Quando você sabe o que você e o adversário farão, é muito mais fácil desenhar o cenário e estar preparado.”

(Foto: Riot Games Brasil)

A série contra a Kabum e as expectativas para o campeonato

Para Professor, a próxima série será difícil principalmente por conta do estilo de jogo básico e disciplinado da nova Kabum. “Eles tem executado o básico de uma maneira muito boa — querendo ou não, estão em primeiro por fazerem o básico, e isso é uma grande qualidade da equipe. Nosso time gosta de um estilo de jogo caótico, então jogar contra um time com muita disciplina não nos habilita a ter um jogo desse tipo”, diz.



Djoko acrescenta que há muitos fatores impactantes no confronto. “O Ranger, por exemplo, já trabalhou aqui. O Dynquedo também já trabalhou com várias pessoas aqui. Tem várias coisas pequenas que não são aparentes e fazem a diferença no dia do jogo. O detalhe decisivo é que o coach deles tem um trabalho muito diferenciado e não é da região. Normalmente, eu consigo entender como um time pensa pelo treinador, principalmente por lidar com esses treinadores há muito tempo.”

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“O Nuddle, porém, tem uma mentalidade e uma personalidade muito positivas, e é visível que ele é muito inteligente, o que passa para o time. Baseado nisso, a Kabum é um time disciplinado, inteligente e imprevisível, também. Você consegue pegar padrões deles, mas ele também sabe reconhecer os padrões, então a preparação vai contar muito. Com certeza vai ser uma das melhores séries do CBLOL até aqui”, arrisca.

Luskka e Professor, a “bot lane do amor” da ProGaming (Foto: Riot Games Brasil)

Com o equilíbrio entre experiência, união, conhecimento de jogo e imprevisibilidade dessa escalação, a ProGaming tem condições reais de conquistar o título de campeã brasileira — mas, além do nível mostrado pelas equipes ser altíssimo, o psicológico pode traí-los mais uma vez e impedir que utilizem de todo seu potencial no palco. “O que pode parar a gente somos nós mesmos”, confessa Goku.

Djoko completa dizendo que, quando se vive um dia de cada vez, uma partida por vez, é possível dar o seu melhor todos os dias. “A vitória e onde podemos chegar é consequência do nosso trabalho. Se a gente trabalhar bem, se esforçar e mostrar que a gente merece, tenho muita confiança de que a equipe consegue representar bem o brasil lá fora. Mas isso depende, como o Goku disse, da gente” finaliza.

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