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A organização americana da Lowkey entrou em 2020 enfrentando uma crise financeira e essa situação adversa refletiu nos profissionais brasileiros que representavam a equipe. Dispensados na última quarta-feira, eles alegam que estão com dois meses de salário atrasado além de outros custos que a organização prometeu ressarcir. A dívida da equipe com os brasileiros é de, no mínimo, R$86 mil reais.

A Lowkey investiu inicialmente no Brasil contratando Overwatch, porém em outubro a organização finalizou suas ações na modalidade com atletas brasileiros. No entanto, o investimento no país se manteve no Rocket League, CS:GO, e no Rainbow Six com uma line feminina.

Procurando uma nova organização para atuar, os jogadores estão com outra preocupação: Os salários de novembro e dezembro e os custos do bootcamp que a equipe de Rocket League realizou antes do Mundial disputado em Madrid.

“Só para mim são cerca de US$ 2.400 mais US$ 6.000 que deveriam de buyout. Nós fomos à Madrid antes para fazer um bootcamp que a Lowkey sugeriu. Eles falaram para passar tudo nos nossos cartões e eles reembolsariam depois. Isso piora ainda mais nossa situação porque além dos salários atrasados fizemos gastos em um bootcamp que não teríamos feito”, disse tander, que representou a organização no torneio internacional no último mês de 2019.

Brasileiro Tander no Mundial de Rocket League (Foto:Rocket League Esports)

O caso também é endossado pela profissional de Rainbow Six, bits. A jogadora diz que desde quando foram contratadas, em novembro, não receberam os devidos pagamentos. O Mais Esports procurou o coproprietário da Lowkey Tony, que não respondeu até o momento da publicação.

Em busca do dinheiro, jogadores e o manager Broukz entram em contato diariamente com Max Wood, quem faz o intermédio entre atletas e organização, já que Remeelen Castor, CEO da Lowkey, não responde às mensagens dos profissionais. O Mais Esports procurou Max Wood, que também não atendeu a reportagem.

O prazo para que os brasileiros recebam o salário é uma incógnita. Ao Mais Esports, os jogadores disseram que Max Wood definiu diversas datas para o pagamento, mas ao chegar próximo do dia, a data era adiada. “Agora falaram quinta ou sexta da semana que vem, mas também falaram duas semanas. Estamos achando que só nos pagarão em fevereiro”, disse o manager Broukz.

Entrar na justiça é uma possibilidade

Caso os próximos prazos sejam adiados, os jogadores e a comissão técnica consideram levar o caso para a justiça e já têm o contato de um advogado. No entanto, eles ainda avaliam a ideia.

Além dos pagamentos atrasados, outro motivo pelo qual alguns jogadores desejam é o fato da Lowkey ter declarado falência para acionar uma cláusula do contrato, mas continuar com as atividades na região do Sudeste Asiático, onde a organização conta até com uma equipe de League of Legends que esteve presente no Mundial.

O Mais Esports teve acesso ao contrato dos atletas de Rocket League e CS:GO. Em ambos, a organização definiu que em caso de falência, não seria necessário pagar a quebra de contrato. No entanto, como a equipe manteve suas operações na região asiática, os jogadores querem ser ressarcidos do valor de quebra de contrato, que é de US$ 6.000 para cada jogador de Rocket League e US$ 900 para cada jogador de CS:GO.

A esperança dos jogadores para receber o pagamento é a venda de bitcoins por Reemelen Castor. Segundo Broukz, Max Wood afirmou que essa é uma das principais formas de captação de dinheiro para a equipe.

Dívidas ao redor do mundo

A situação da Lowkey é ainda mais grave ao analisar o parâmetro internacional. Segundo o portal ‘theScore esports’, a organização está devendo mais de 137 mil dólares para jogadores de diversas modalidades de países como Porto Rico, Estados Unidos e Filipinas.

No vídeo do theScore, o coproprietário Tony afirmou que os jogadores terão seus salários quitados em no máximo duas semanas. Questionado sobre a razão para os atrasos no pagamento, Tony não respondeu.