Atrás, da esquerda para a direita: Honorato, Pizzalover, pOkiz, Liko e Murizzz. À frente, da esquerda para a direita: “Fastie”, Ole, Insanityz e TMATTEI. | Fonte: Twitter Lowkey

A Primeira Temporada da Overwatch Contenders 2019 teve seu desfecho há pouquíssimo tempo e os donos do título são os jogadores da Lowkey Esports! E, claro, não só os reis da região como representantes da América do Sul no Atlantic Showdown – Duelo do Atlântico, em português -, competição internacional que conta os três melhores times das regiões norte-americanas, os dois melhores times europeus e, claro, nossos talentos tupiniquins!
E, com isso, para entender melhor quais as chances de sucesso do time, como está a preparação da equipe para o grande desafio da primeira metade do ano, quais as expectativas para o torneio e como foi a finalíssima disputada contra a Fury para garantir a vaga, converso hoje com Insanityz, um dos técnicos da Lowkey! Bora pro papo!

Glossário:
• EU, NA e SA são, respectivamente, as regiões europeia, norte-americana e sul-americana.
• GOATS é uma composição com três tanques e três suportes, com várias vertentes. A mais conhecida é a DOATS, ou seja, Dive GOATS, que é composta por Winston no lugar de Reinhardt, principalmente. Entenda tudo nos meus artigos aqui no Mais sobre GOATS e DOATS!

Como foi a preparação para a final?

Foi bem difícil, porque esperávamos a XTEN chegar à decisão, ou seja, esperávamos enfrentar um time que normalmente utiliza GOATS e suas variações, e isso implica na necessidade de nos preparar pra enfrentar 2-2-2 (2 DPSs, 2 Tanques e 2 Suportes) ou 3 DPS com Pharah e Mercy. Porém, como treinar pra enfrentar isso se os únicos times que utilizam tais composições são justamente a Fury e, esporadicamente, a gente? Tivemos que começar a utilizar massivamente a composição de 2-2-2 (Winston, D.Va, Pharah, Mercy, Ana/Zeny e Sombra) contra qualquer estratégia que aparecesse nos treinos pra poder saber os pontos fracos da tática em todos os mapas e ficar mais na teoria. Até chegamos a ter um pouco de prática pedindo pra alguns times usarem a comp em Eichenwalde, Volskaya e Rialto, por exemplo, mas eram times que nunca utilizam elas e, inclusive, uma das vezes foi um mix que montaram pra nos ajudar a treinar pouco antes da final. Por conta disso, tínhamos concluído que as composições pra counterar, anular a deles (Fury) seriam: a mesma composição espelhada; DOATS com Moira, tendo a possibilidade de Sombra no lugar da Zarya; GOATS com Baptiste; e DOATS com Ana – sendo as 2 últimas dependentes do desenho do mapa.
Além disso, atacar alguns primeiros pontos de mapas com Orisa, Roadhog, D.Va, Mercy e dois snipers. E, por ter mais prática na Pharah/Mercy espelhada, inclusive em treinos contra a Fury, os players se sentiram mais à vontade em utilizá-la ao invés das outras.

Quais foram os impactos de estarem em um bootcamp? E por quê o Fastie não esteve lá com vocês?

O Fastie estava em semana de provas na faculdade e não tinha como fazer segunda chamada, pois, caso a gente fosse pro Atlantic Showdown, a segunda chamada seria exatamente nos mesmos dias do torneio.

Sobre o Bootcamp, separo em pontos positivos e negativos pra que o entendimento fique mais fácil.

Pontos positivos: Conseguimos ver muitas coisas juntos, como replays nossos e de times de fora, eu sentado no PC e os meninos em volta assistindo e debatendo comigo, vendo na tela e tal. É muito mais fácil eles entenderem algo que eu quero passar dessa forma, pessoalmente, do que pela internet escrevendo no Discord ou vendo o replay juntos online, escrevendo com Epic Pen – ferramenta para “rabiscar” no PC, ajudando em explicações estratégicas.
O TMATTEI queria passar algumas coisas interessantes que ele tinha visto dos jogos da Fury, também, então foi muito mais fácil ele passar pessoalmente chamando os players no PC dele.
O fato de eu estar presencialmente ao lado deles no jogo ajudou em muitas coisas também, ainda mais pelo fato de não ter o atraso da transmissão pra eu ver algo e poder falar com eles, principalmente entre mapas.

Pontos negativos: Não ter o fastie. Não era fácil repassar tudo que conversávamos, debatíamos e víamos nos replays juntos pra ele, principalmente por ele estar a maior parte do tempo estudando, parando só quando precisávamos chamar ele pra passar algo ou pra scrimsl, que são os jogos-treino. Até chegamos a fazer vod review – análises de replays – com ele, eu sentado no PC, os meninos do meu lado, todos falando no mesmo microfone coisas pra ele. Provavelmente deve ter sido bem difícil pra ele entender tudo.
A comunicação no TS – Team Speak – na LAN é bem ruim… Utilizamos nossos headsets próprios, mesmo. Não tem abafador, não é igual nos campeonatos grandes, e muitos jogadores utilizam a opção de ativação automática de voz. Então, dá pra imaginar como estava saindo a comunicação no TS, com vários players utilizando ativação automática de voz e mais empolgados por estarem na final e em LAN. Imagina um player dando uma call importante, gritando bastante e a sua voz saindo em vários microfones ao mesmo tempo. Agora você imagina pro Fastie, que não estava lá, como devia estar sendo entender algo. Fora o fato de você ouvir muita coisa fora do fone também.

Você acha que, se o time “tiltasse”, perdesse o foco, estar reunido pessoalmente em um bootcamp seria pior ou melhor?

Acredito que seria melhor, sim. Daria pra rolar conversas pessoalmente, um acalmar o outro. Além disso, as pessoas que estavam fora também poderiam ajudar a acalmar e resetar esse tilt.

Como está a rotina para a Alemanha, agora?

O time inteiro só terminou de chegar de SP na terça-feira, 7, à noite, e alguns estavam muitos cansados da viagem. Voltaríamos a treinar ontem, 8, mas precisamos cancelar o treino, então hoje, 9, volta a rotina normal.

Qual sua opinião sobre os times que irão enfrentar no Atlantic Showdown?

São times bastante fortes. São os melhores times de fora da OWL, tirando Coreia e China. Times com uma estrutura muito melhor do que a nossa no geral e que vivem de Overwatch.

British Hurricane, pra mim, era o favorito na final do EU, inclusive estava invicto até a final e tinha vencido a Angry Titans na fase de grupos. Tem players muito experientes, sendo um deles o Numlocked, que jogou na Overwatch League.
Angry Titans é outro time muito forte e considerado por muitos o melhor GOATS jogado.
Fusion University, pra mim, é o time mais forte do Atlantic. Além de ter ganhado todas as temporadas até agora da Contenders NA, tem o Alarm que é um monstro e o Snillo que é outro jogador ex-OWL.
Team Envy se mostrou bem consistente na região NA Oeste e tem players muito experientes, como a dupla de suportes que está junta desde a Envision e o Ellivote que era da Angry Titans anteriormente. Porém, talvez tenha se enfraquecido pela perda do Trill, tanque principal que foi contratado pela Dallas fuel, subindo pra Overwatch League.
Atlanta Academy talvez seja o time menos forte do NA por ter passado por algumas mudanças na escalação m meio à Contenders, trocando o Ajax pelo FunnyAstro e com o PERFACT indo para o banco. Além disso, um jogador que merece nossa atenção nesse time é esse Hawk, Flex Player deles. Acho ele muito bom.

Qual time você mais quer enfrentar? E qual não quer enfrentar de jeito algum?

Sendo sincero, eu gostaria de enfrentar os melhores times, pra poder testar nosso nível ao máximo. Mas, se for escolher no sentido de achar que seria menos difícil, provavelmente a Envy, por ter que contratar um tanque novo em menos de 2 semanas pro Atlantic, e a Atlanta, por talvez estar ainda pegando sinergia pela mudança de escalação no meio do campeonato. Acho que os outros times estão mais redondinhos.

Qual o desempenho que você acha que o time terá? O que é pé no chão e o que é sonho?

Eu espero um desempnho muito bom, acho as nossas composições principais bem redondinhas e que encaixam bem no estilo de jogo dos nossos adversários. Espero termos bons treinos contra os times lá de fora e os times do Showdown na área de treinamento – centro de terino para os times participantes do Atlantic Showdown. Podemos evoluir MUITO nos dias de treinos lá se conseguirmos pegar o ritmo de jogo deles e diminuir a distâncie entre os times do EU e do NA pro SA.
Pé no chão eu acho que seria tirar uns mapas da British Hurricane e ganhar da Atlanta, sendo bastante otimista. (Estou assumindo que eles percam pra Fusion). E sonho seria chegar pelo menos na final, passando pela BH e Envy.

Se pudesse pedir uma postura da torcida, qual seria essa?

Hmm, essa é bem dificil… Mas eu diria pra torcer bastante pra gente, mas com os pés no chao, porque embora a gente esteja invicto no SA e consiga se sobressair em relação aos outros times daqui, a distância entre EU e NA pro SA é bem grande pela estrutura deles. Vale lembrar que grande parte dos times são Academy da Overwatch League e treinam com seus times principais.
Provavelmente vamos ter um desafio maior do que o Brasil teve na Copa do Mundo passada, mas a única certeza que podemos dar pra torcida é que vamos dar o nosso máximo, tanto agora, nos últimos dias de treinos aqui, quanto lá fora, pra representar bem o SA e, se possível, conseguir algumas vitórias.

Já aprendeu a falar alguma coisa em Alemão?

(Risos) Nem me arrisco! Eu via minhas irmãs falarem algumas palavras quando elas faziam aula de alemão e achava um idioma muito difícil. Vou tentar me virar com meu inglês, mesmo!

E é isso! Agora nos resta esperar o início do Atlantic Showdown no dia 31 de Maio e, claro, torcer muito para a Lowkey estar bem preparada e conseguir bons resultados, afinal de contas, a Lowkey agora é a América do Sul lá fora! Fiquem ligados no meu Twitter para saber de tudo que for rolar no evento! A gente se vê semana que vem aqui no Mais falando sempre sobre Overwatch Competitivo! Um abraço! :D