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taco encontro das lendas
TACO, da MIBR, participa de showmatch durante o Encontro das Lendas (Foto: Felipe Guerra/MIBR)

Quando retornou aos ex-companheiros no final de 2018, Epitácio “TACO” Filho procurava uma coisa: sua casa. Depois de passar oito meses defendendo a Team Liquid e transformar a equipe norte-americana na número dois do mundo, TACO ainda não se sentia realizado.

“Acho que jogar para um time que representa o meu país é e sempre foi um grande orgulho para mim. Por mais que meu período no Liquid, um time norte-americano, foi muito bom, eu não conseguiria atingir a mesma felicidade que a gente atingiu no passado com a SK e a LG. Felicidade, alegria, [o fato de] estar com minha família e representar o meu país foram fatores determinantes para o meu retorno”, contou o jogador em entrevista ao Mais Esports durante o Encontro das Lendas.

Todas as expectativas do retorno ainda não se cumpriram para TACO. Segundo o jogador, alguns vícios do passado, os mesmos que fizeram ele pedir a transferência em abril de 2018, ainda cercam o time.

“As coisas não foram como eu planejava que elas seriam, mas isso é uma coisa que estamos mudando, essa cultura do time. Tinha muita coisa errada que aprendemos no passado, depois de tantas vitórias, troféus. Alguns vícios, coisas ruins que ficaram, que foram os motivos que me fizeram sair. Elas ainda não foram 100% superadas nessa nova fase, são coisas que estamos trabalhando para melhorar no futuro”, contou.

Um dos trunfos para superar esses vícios foi a contratação do psicólogo João Kozac, que também trabalha na Vivo Keyd. “São coisas que identificamos e temos profissionais, como o próprio João [psicólogo], que tem trabalhado conosco para perdermos esses vícios e, mais uma vez, quem sabe encontrar o sucesso”.

Aliás, a ajuda de um profissional desse ramo não é novidade na vida de TACO. Ao contrário da grande maioria dos jogadores, o pernambucano tem um cuidado especial com sua mente e busca acompanhamento psicológico fora do âmbito profissional.

“Sempre achei que a mente é super importante para todo tipo de esporte. Independente do suporte da organização, eu sempre investi em mim mesmo com um psicólogo. Sempre achei que isso vale a pena, sempre fui um cara que levantava bandeira que todo trabalho mental é importante”, contou.

A opção por um profissional da área, inclusive, foi uma recomendação de TACO. “Tive a experiência no Liquid com o Jared Tendler, nosso psicólogo lá, e para mim foi fenomenal. Ele é um ótimo profissional e todos os métodos de trabalho dele foram ótimos e funcionaram bastante para o nosso time e para mim. Quando voltei para o MIBR eu já tinha passado essa ideia e disse que era algo que eu gostaria de ter. Estou feliz que estão todos bem abertos. O trabalho do João está sendo bem feito, vale destacar isso. Estamos bem no começo, mas já consigo ver que a longo prazo ele vai nos ajudar bastante como time”.

O FIM (OU O ATÉ LOGO) DA DUPLA TACOLD

O pedido de saída de Marcelo “coldzera” David significa mais um fim da dupla “Tacold”, que surgiu nos primórdios do CS:GO no Brasil em equipes como Baixíssimo Nível e Dexterity Team e ganhou o mundo na Luminosity Gaming e na SK Gaming.

TACO agradece e lembra com carinho das conquistas ao lado do agora ex-companheiro, mas tem uma visão profissional da decisão.

“Eu e cold conquistamos muitas coisas juntos, tanto dentro quanto fora do jogo. Construímos uma amizade muito legal e, dentro do jogo, éramos uma dupla fortíssima. Fomos reconhecidos no mundo como uma das melhores duplas de bomb da história. São coisas super importantes, conquistas a nível individual e pessoal”, afirmou.

“Porém, eu encaro tudo isso como trabalho. Eu respeito muito a decisão dele de querer sair da equipe, desejo todo o melhor possível na vida dele para o futuro, a longo e a curto prazo. Não fecho as portas para ninguém, como nunca fechei na carreira. Nós dois somos jovens, temos a mesma idade, e pode ser que daqui a dias, semanas, meses ou anos estaremos jogando juntos de novo. Só desejo coisas boas para ele. Lógico que é triste perder um amigo no seu dia a dia, mas, por outro lado, eu adoro novos desafios. Estou muito ansioso para jogar com esse novo jogador”, completou TACO.

MAIS LIBERDADE

Ao longo da carreira vitoriosa, TACO nunca foi um jogador que se destacou pelos números. Muito criticado pela comunidade, o pernambucano sempre priorizou o “trabalho sujo”, abrindo bomb sites como TR ou defendendo as posições mais ingratas como CT.

“Eu sempre fui um jogador que tem como um dos principais pontos positivos o fato de ser altruísta dentro do jogo. É uma coisa que não pretendo perder. Não estou aqui para jogar por estatística, para ser o melhor ou ganhar prêmios individuais. Estou aqui para fazer do meu time o melhor do mundo. Se for preciso que eu seja o cara das estatísticas eu vou ser, se for para ser o cara que vai mal em todas as estatísticas eu também vou ser”, contou.

TACO não quer abrir mão dessa característica, mas quer mais liberdade na nova formação da MIBR.

“Quando eu voltei para o MIBR, tenho que assumir que me senti bem mais preso do que eu estava no Liquid. Com a chegada do novo jogador, é algo que quero recuperar. É algo que eu acho que vai impactar bastante positivamente o time – o fato de eu me sentir mais livre jogando, tenho certeza que isso vai impactar bastante o time de uma forma positiva.

LIQUID NO TOPO

Quando deixou a SK em 2018, TACO se juntou à Liquid, uma equipe com um nível inferior ao que o jogador estava acostumado. Na altura, a Liquid não havia vencido nenhum título de grande porte e era a 14ª melhor equipe do mundo. TACO, porém, sabia que aquilo estava prestes a mudar.

“Eu sempre soube que o Liquid tinha potencial para ser o melhor time do mundo, foi por isso que eu escolhi ir para lá quando eu tive a oportunidade. Tive propostas melhores financeiramente falando, propostas para jogar com times e jogadores mais famosos, mas eu decidi ir para o Liquid. Entrei num time que era 14º do mundo e sai dele na 2ª posição do ranking”, contou.

Todo esse esforço valeu a pena. Depois de amargar seis vice-campeonatos em 2018, a Liquid finalmente deslanchou e hoje é, isoladamente, a equipe número um do mundo e favorita ao título do StarLadder Berlin Major.

“Teve um trabalho muito forte da organização, do psicólogo, meu, para dar essa confiança para os jogadores, mostrar que eles eram capazes de chegar longe. Por outro lado, como eu falei, eu sabia que eles tinham esse potencial. E eles têm isso porque são excelentes jogadores. Os meus quatro ex-companheiros e o Stewie2K, que eu não tive a oportunidade de jogar, são excelentes jogadores e indivíduos. São pessoas muito boas, moleques talentosíssimos, esforçados”, completou.

“Eram atletas que estavam jogando há muito tempo e não haviam conquistado nada no jogo, isso faz uma diferença absurda. Quando você está tentando há muito tempo, parece que o sentimento aumenta e você tem mais fome de vencer. O resultado de tudo fez com que eles tivessem bastante sucesso. Sendo bem sincero, estou muito feliz por eles e de fato eles merece, sei o quanto eles trabalharam e trabalham para conquistar o que eles estão conquistando esse ano”, afirmou o jogador.

Fora da equipe há nove meses, TACO se sente um pouco responsável pela ascensão dos norte-americanos: “Para mim é motivo de orgulho. Mesmo que bem pouco, eu tenho uma ‘porcentagenzinha’ [no sucesso dessa] equipe”, finalizou.