29 de setembro de 2019. Dia um pouco mais ensolarado do que o padrão da época em São Paulo. O blusão deu lugar à manga curta. A preguiça do frio deu lugar à animação do clima fresco. E, claro, a normalidade deu lugar à tensão.

Todas as superstições entraram em campo, as apostas rodaram o mundo, as análises foram intensificadas e todo fã de Overwatch sabia o que estava pra acontecer: a Grande Final de um dos maiores campeonatos de esports do mundo, a Overwatch League!

Do meu lado, o dia havia começado muito antes. Duas semanas antes. Estatísticas, estilos de jogo, pontos fortes, pontos fracos, colunas escritas aqui pro Mais sobre os finalistas – Shock e Titans -, preparação vocal, aquela respirada funda e… o início do show.

As estrelas… brilhando, conforme planejado. Menos o Haksal que talvez tenha tido uma responsabilidade maior do que suas costas podiam aguentar. Os mapas… escolhidos de acordo com o histórico estatístico. Agora, o resultado… longe do que se imaginou. Só o maior torcedor da Shock de todos os tempos imaginou que a série se encerraria em 4 a 0, ou, talvez, nem ele, devido à qualidade de ambos os times. Qualidade essa cujo dono somente foi a Shock. A dificuldade da Titans foi visível e a partida foi unilateral em todos os momentos, com a equipe de San Francisco sempre um passo à frente de onde os Titãs estavam, seja tática, estratégica ou individualmente.

E a análise completa da partida você confere no meu canal em breve! Mas, pra não deixar ninguém no vácuo, segue uma análise… reduzida porém precisa do que aconteceu na série mais importante de Overwatch do ano, feita pelo Neves, também narrador da OWL:

Entretanto, não é só o caminhão da Shock que vai ficar na nossa mente após essa temporada da Liga. Muitas outras coisas aconteceram, episódios foram assistidos, histórias foram acompanhadas e contribuições foram recebidas. Então hoje, discuto algumas lembranças, lições e momentos que a OWL nos deu de presente durante o ano! Bora lá!

• Autoconhecimento

Um peixe é um completo inútil em relação à sua habilidade de subir em árvores. Porém, isso não quer dizer que o peixe é um fracasso por conta disso, e sim que esse não é seu papel, não é sua zona de conforto. E, por mais que no competitivo os jogadores precisem expandir sua zona de conforto, para que os resultados obtidos sejam sempre os melhores, ainda é necessário conhecer seus pontos fortes e fracos. E a Liga nos mostrou que quem fez isso, se deu muito bem!

Mesmo durante as Fases 1 e 2, a Chengdu Hunters, por exemplo, já apresentava composições totalmente fora do comum – com o mandato praticamente obrigatório do GOATS – e, mesmo que tenha iniciado essa cultura diversificada por conta da falta de seu jogador de Reinhardt, Jiqiren, que havia ficado um tempo a mais na China graças a problemas com visto, tais táticas renderam diversas vitórias e momentos surpreendentes à Hunter que, mesmo que não tenha garantido um bom lugar na classificação geral, conquistou fãs, provou que tem habilidade individual e que pode dar trabalho em 2020!

Outro exemplo foi durante a Fase 3, quando Outlaws, Valiant e principalmente Dragons, a campeã dessa etapa da Liga, decidiram aderir muito mais a estratégias utilizando DPSs do que à mesmice da GOATS. E deu bastante certo, pois utilizava escolhas assinadas por cada jogador, em especial DDing, Youngjin e Diem. Inclusive, quem era bom de GOATS durante essa fase, permaneceu bom com a composição, pois esse era o ponto forte de alguns times e não havia por que mudar. E, por fim, é impossível esquecer a Justice durante a Fase 4, junto de Reign, Charge e Mayhem. Quatro equipes de meio ou fim de tabela que entenderam o 2-2-2 rápido, soltaram DPSs nos seus jogadores de… DPS e fizeram do seu jeito. Então, fica a dica: abrace seu estilo, quem você é, o que você faz bem. Se coincidir de ser o comum, ótimo! Caso contrário, conheça o comum, junte com características únicas e inove!

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Corey, que começou o ano com uma Zarya medíocre e acabou como o melhor Hanzo do mundo! | Fonte: Twitter

• Planejamento

De nada adianta entrar em campo perdidão, parecendo cachorro na mudança. E a maioria dos times que mostraram esse planejamento, mesmo que fosse por trás de uma barreira de Relações Públicas, se deram bem. A Titans, por exemplo, poderia estar inteira na Liga já em 2018, porém seus jogadores haviam recebido ofertas espalhadas e a vontade da equipe era de entrar na OWL junta, mantendo o entrosamento e a química que estava funcionando na Contenders coreano. E, após um ano planejando, digamos, eis que os coreanos representantes da cidade canadense de Vacouver chegam com tudo na Liga e já garantem um vice-campeonato na estreia!

Outro exemplo clássico, sobre o qual eu inclusive já escrevi aqui no Mais, é a campeã de 2019, San Francisco Shock. No artigo mais detalhado, explico todas as fases, problemas e trechos da jornada da Shock, porém, para facilitar, o time em 2018 seria uma Outlaws de 2019. Equipe média, sem grandes estrelas, que contratou jogadores como Sinatraa e Super pra que estreassem no meio da Temporada ou até mesmo viessem brilhar no próximo ano, que foi exatamente o que aconteceu, com direito ao time poder vender dois integrantes para outras equipes, pois seus reservar davam conta do recado tranquilamente. Ponto pra Shock!

E se de um lado a presença de tal planejamento foi essencial, a falta dele também ficou escancarada em 2019. Olhemos pra Mayhem, por exemplo, que mudou completamente no meio da temporada e não se recuperou nem assim, dependendo do sayaplayer jogar durante a Fase 4 pra tentar fazer algo decente. Aliás, já não é de hoje que a Mayhem não se entende com sua organização: Em 2018 a equipe pegou praticamente o time montado da Misfits, importante time europeu, tendo uma visão do campeonato e… falhou miseravelmente. Em 2019, veio com uma proposta nova, elenco todo renovado e, novamente, não obteve sucesso, trocando de novo a maioria dos integrantes para formar um time todo coreano que… igualmente não obteve resultados.

Além deles, a Justice demonstrou uma grande capacidade de não saber muito bem o que está fazendo. Ou, ao menos, pareceu ser esse o caso da equipe. Jogadores medianos que não conseguiam se adaptar ao meta – e não criavam muito, seguindo a primeira lição que apresentei aqui, pois ainda estavam no início da temporada e nem sinergia possuiam. A aposta toda foi no técnico principal ex-NYXL e no tanque principal, Janus, mas o restante ficou medíocre e a equipe passou longe de resultados aceitáveis durante a maior parte da Liga. E agora nos resta saber se o bom desempenho ao final da temporada irá permanecer, o que se torna uma incógnita maior ainda com a demissão de toda a equipe técnica do time, conforme anúncio recente no Twitter.

• A torcida é o sétimo jogador!

Os homestands, ou seja, jogos sediados na cidade respectiva de cada equipe, foram incríveis. Dallas, Atlanta e Los Angeles (Valiant, no caso) foram as felizardas e o impacto pra Liga, pros times, pros resultados e pro esport em geral foi absurdamente grande e positivo.

Pra Liga, fica o valor cada vez mais de produção, entretenimento e show. Cada homestand tinha atividades diferentes para os presentes aproveitarem, sessões diversas de autógrafo para um público carente em ter contato com a equipe que o representa e vários detalhes que elevaram o já alto nível estrutural da OWL. Para os times – para os resultados -, foi visível a influência de ter uma torcida a favor ou contra sua equipe. Dallas, por exemplo, vinha em uma péssima fase e conseguiu vitórias interessantes quando jogou em casa. Já a Valiant, por outro lado, sentiu-se pressionada com o canto da torcida e jogou mal, perdendo as partidas disputadas – que eram contra adversários fortes, ok, entendemos – de uma maneira mais displicente, pior, diferente do que a equipe podia apresentar.

E vale a pena lembrar que em 2020 todos – sim, todos – os jogos da Liga serão disputados em cidades ao redor do mundo, de acordo com as divisões de conferência. Portanto, nada de ficar só na Blizzard Arena! As equipes rodarão o globo em um desafio logístico inimaginável que foi vencido pela Blizz e apresentará o próximo passo ao esport. Ou até ao esporte, incluindo o tradicional, pois rodar o planeta durante um ano, considerando diversas questões de visto, fuso horário, treino, adaptação e produção de eventos não é nada fácil. E eu tô mais do que ansioso pra acompanhar tudo de perto!

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O primeiro homestand da Liga. O primeiro de muitos! | Fonte: ESTNN

• O Carinho do público

Sim, a última parte do texto, porém não menos importante, é um agradecimento a todos que acompanharam a transmissão brasileira. Confissão de caster: iniciamos com uma ideia do show, com muita experiência apoiando cada decisão em prol do melhor show possível, porém não tinhamos certeza absoluta da direção que a transmissão iria tomar. O formato era diferente, baseado em televisão, mais rápido e dinâmico. Muita gente nova estava começando a ver Overwatch e se interessar, pois nem todo mundo seguia a Overwatch Contenders América do Sul. E, com o tempo, o carinho, interação e presença de todos foi incrivelmente satisfatório. A galera curtiu, riu, se emocionou, ficou cringe com piadas ruins, se estressou com derrotas atropeladas, ficou feliz com vitórias de seus times… enfim, viveu a OWL. E nós somos gratos demais por isso. Pela recepção sensacional do formato que estabelecemos e pelo interesse em acompanhar tudo o que acontecia. Portanto, muito obrigado e que em 2020 estejamos juntos novamente!

Muito obrigado por 2019! Que venha 2020! | Fonte: Este caster que vos fala

E é isso! Agora ficaremos de olho na dança das cadeiras, nas novidades, nos preparativos e, assim que qualquer movimento for feito pro próximo ano, você consegue acompanhá-lo pelo meu twitter, então segue lá! Lembrando que no dia 10 de outubro teremos o Gauntlet, campeonato mundial entre as regiões de Contenders com transmissão em português, que vai movimentar o Overwatch no finalzinho do ano junto com a Copa do Mundo! Um grande abraço, fiquem bem, qualquer dúvida me mandem por Twitter ou Instagram e até a próxima! Valeu! :D