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O ministério da saúde adverte: Alta taxa de trocadilhos duvidosamente bons com Shock. Aprecie com moderação

Nada como um choque bem dado pra derrubar titãs! Após conseguir o recorde invejável de 19 séries sem perder na Overwatch League, a Vancouver Titans finalmente viu seu reinado ruir! E, claro, ser conquistado pelos nobres guerreiro de San Francisco, o esquadrão de laranja que, após muito tempo, carregou 100% de sua energia e aniquilou tudo que existia pela frente. É quase um Pulso Eletromagnético! (Eu acho… Física nunca foi meu forte na escola)

Portanto, hoje apresento toda a trajetória da Shock, seus triunfos, reviravoltas, contratações, relações com os diferentes metas que deram as caras e intenções desde os primórdios da Liga, para que possamos entender o porquê deste time ter sido considerado um projeto em andamento por uma temporada e meia de OWL, até que, enfim, pudesse render frutos! Então, como diria o programa de TV brasileiro: Senta que lá vem história!

• A faísca inicial

A San Francisco Shock nunca foi um time comum, isso é fato. Rodeada de acontecimentos bisonhos e até mesmo contratações polêmicas, a história da equipe mais se parece com uma novela do que com uma linha do tempo retilínea e padrão, como a da Mayhem, por exemplo, que é só derrota o tempo inteiro. Durante a Pré-Temporada de 2018, quando todos os olhos estavam apontados para o que seria a tão falada e esperada Overwatch League, coube à Shock tapar o buraco deixado pela Philadelphia Fusion e jogar uma partida a mais no evento. Isso tudo porque a Fusion, tendo jogadores de diversas nacionalidades, não conseguiu organizar a burocracia a tempo de se apresentar aos confrontos anteriores ao início da Liga.
O resultado geral? Uma vitória, duas derrotas. Ganhou da Mayhem, perdeu da Valiant – quando ainda tinha SoOn e companhia -, e da Spitfire em um sonoro 4×0.
Este foi o primeiro contato da Shock com o palco. Ainda com os tênis desamarrados, sonhando com aquele pisante absurdo que chegaria mais pro meio do ano, mas sem parar de caminhar, sempre à frente. Este foi o começo de tudo.

dhaK, filho do Léo Stronda com o Belo, o primeiro suporte principal da Shock!                                              Fonte: Blizzard

• A primeira fase (literalmente)

Com tudo testado durante a Pré-Temporada, era a hora de começar o jogo pra valer. Afinal de contas, treino é treino, jogo é jogo e jogo-treino é jogo-treino. E lá estava a primeira escalação da Shock: Danteh, IDDQD, BabyBay, Sinatraa, Nevix, Nomy, Super, dhaK e Sleepy. Porém, é importante ressaltar que Sinatraa, a menina dos olhos do time, e Super ainda não podiam jogar por conta de idade. E este já foi o primeiro e principal planejamento a longo prazo da Shock – esperar até que as duas estrelas precocemente contratadas pudessem entrar em campo.

E começa a Primeira Fase de 2018! A estratégia mais usada na época? Dive com Mercy, que havia sido recentemente modificada, levantava defunto rapidinho e sempre dava as caras nas mais diversas composições. Pra acompanhá-la, Tracer, Genji, Winston, D.Va e Zenyatta iam muito bem, sendo que uma Sombra podia combinar, também, mas na posição do Zenyatta, por conta da possibilidade de ela carregar seu Pulso Eletromagnético curando aliados que pegassem pacotes de vida hackeados. Eram outros tempos, e eu tô me sentido um tio ao contar isso.
O maior problema no momento era a necessidade de colocar BabyBay, historicamente um bom DPS Hitscan – que joga com McCree, Soldado, Widowmaker etc -, na posição de DPS projétil, assumindo principalmente um Genjão da massa. Não que fosse horrível, mas… não era a praia do cara. Resultado? Uma primeira fase medíocre. Nono lugar entre os doze times da Liga até então, com três vitórias e sete derrotas. Talvez as atenções tenham sido desviadas da equipe porque, empatada com a Shock, vinha a Dallas Fuel, equipe que trazia consigo altas expectativas mas que não apresentou o que deveria segundo o retrospecto de 2017. Portanto, pra Shock, ainda estava tudo relativamente ok. É um time médio em uma colocação média-baixa. Remediável. Nada perdido, mas expectativas baixas.

• Tão perto mas… tão longe!

O meta de Widowmaker! Após atualizações no jogo, as Widow chegaram com tudo e, claro, equipes que possuíam bons jogadores de sniper conseguiam sair na frente! E o pensamento do torcedor da Shock – e dos analistas em geral – foi: “BabyBay, previamente cotado para ser o jogador estrela da equipe, até mesmo com Danteh na escalação, agora vai brilhar! Widowmaker é a dele, só vai!”. Porém, nem sempre as coisas são como devem ser… e a Shock sofreu de novo. Três vitórias e sete derrotas outras vez, repetindo a campanha pífia da primeira fase. A equipe começou a dar claros sinais que esperar o planejamento a longo prazo funcionar seria mais complicado do que o previsto e, pra tentar amenizar a situação, começou a canetar contratações importantes para o que hoje conhecemos como a imbatível San Francisco Shock!
Moth e Architect, os primeiros reforços da Laranja Mecânica. O primeiro, suporte principal com atitude, que cria jogadas, mais consistente que seu rival de equipe, o espanhol dhaK. Já o segundo, vindo direto da Coreia, é uma caixinha de surpresas. Joga de Widowmaker, Pharah, Genji… praticamente tudo! E era justamente essa flexibilidade que a Shock necessitava no momento.
Entretanto, como os reforços chegaram ao fim da Segunda Fase, não foi possível remediar o que já estava condenado, então… partiu pra próxima Fase!

O quê? Eu já posso jogar?? Bora!                                                                                 Fonte: Liquipedia

• Ligados no 220v

A Fase 3 da Overwatch League Primeira Temporada foi um dos momentos mais importantes da equipe, talvez até o mais importante de todos. Sinatraa e Super, as duas estrelas que estavam esquentando o banco há 2 stages, finalmente poderiam ser escalados como, respectivamente, DPS e Tanque Principal. E, pelo amor de Hanzo, era isso que o torcedor da Shock queria ver! Além disso, ChoiHyoBin, uma D.Va absurda, foi contratado para a equipe, em mais uma tentativa de reforçar uma posição relativamente fraca na lineup. O meta era favorável, também: Tracer. Tracer em toda a parte. Muita Tracer, ao ponto em que a Boston Uprising ficou invicta durante a Fase principalmente por ter Striker em sua escalação, um monstro sagrado maravilhoso com a heroína!
No papel estava tudo certo, time reforçado, estrelas em campo, era a hora da Shock! E… foi. Mais ou menos. Talvez.

Não era só a Shock que possuía jogadores excepcionais de Tracer e hitscans bons para acompanhá-la. E vale lembrar que outras equipes tinham que se adaptar muito menos pra fazer os motores funcionarem de acordo, com sinergia e coordenação. Diferente do que San Francisco estava enfrentando ao adicionar tanta gente nova na titularidade da equipe, considerando diversas línguas e estilos novos de jogo. Então, embora a campanha da equipe tenha melhorado – e as novidades realmente surtido efeito -, o time não conseguiu a classificação para os playoffs da Fase, ficando em 5º lugar, com histórico de seis vitórias e quatro derrotas, perdendo para a Los Angeles Gladiators somente no quesito saldo de mapas.
Ainda assim, a energia estava renovada e o mundo poderia ver o que a Shock vinha prometendo desde o início da Liga! A Fase 4, de acordo com o crescimento do time, será da Shock! Ou não…

• Brigitte é o nome dela!

Eis um dos, senão o nome mais polêmico do Overwatch. Brigitte. Lembro-me perfeitamente de quando fui acompanhar presencialmente a primeira semana de jogos da Overwatch League e vi Jeff Kaplan falar, na minha frente, que o herói que viria na sequência mudaria completamente o meta – que, segundo grande parte da comunidade na época, estava cansativo demais por ser baseado somente em dive.
E o Jeffão estava certo! Certo até demais, eu imagino. Portanto, a história da Fase 4 de 2018 foi contada com muita mangualzada na cara, atordoamento e… pouca mobilidade. Widowmakers voltaram a aparecer, além de um flerte com a estratégia de três tanques, que mais tarde viria a se tornar a GOATS que conhecemos hoje.
E isso afetou diretamente a equipe da Shock, que contava com ótimos jogadores de Tracer – Danteh e Sinatraa, conhecidíssimo e talvez até contratado pra OWL por conta de sua Tracer – inativos por conta do meta. BabyBay e Architect chegaram a dar as caras em suas Widows e, no caso do jogador coreano, em sua Pharah, mas nem sempre foi o suficiente pra sair com a vitória e a Shock… terminou em 7º lugar. Meio a meio. Cinco vitórias e cinco derrotas. Fora dos playoffs de Fase mais uma vez por uma ironia do destino e dos Playoffs gerais da Liga por conta de um histórico negativo, porém finalizando a Primeira Temporada de Overwatch com um gostinho do que poderia apresentar no ano seguinte. Super estava crescendo em produção, Architect estava se acostumando com a equipe, ChoiHyoBin estava começando a dar as caras em sua D.Va absurda, Moth tinha deixado dhaK comendo poeira, Sleepy estava OK, os DPS sofreram por conta do meta mas tudo poderia melhorar. O jeito era esperar 2019 e assistir ao restante da OWL de casa.

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Meu Deus, eu sou muito quebrada!                                                                                                            Foto: YouTube

• Marcas do se foi, sonhos que vamos ter!

Ano novo, vida nova. Suporte novo, também, vale dizer. Quem estava pesando foi embora. IDDQD – amado e reconhecido no cenário mas sem expressão na liga -, nomy – tanque principal que virou banco com a chegada de Super – e dhaK já eram mais da Shock. Danteh também havia ido pro saco, já que o principal jogador de Sinatraa era a Tracer. Não, espera…
Aliás, a troca de Danteh por smurf, tanque principal que veio da GGEA, equipe de base da Outlaws, foi muito discutida e polêmica, pois a GGEA não havia conseguido bons resultados na Contenders que jogava e, embora smurf fosse um bom jogador, muito se especulava se realmente compensaria liberar Danteh, um dos especialistas em Tracer que a Liga conhece.
De qualquer maneira, com ou sem choro, foi o que se concretizou. Rascal, que jogava na NRG, também subiu pra Overwatch League, trazendo mais experiência e diversidade para a posição de Flex DPS. Era, e permanece sendo, um bom complemento ao que Architect oferece para a mesma posição.
Após certo tempo, finalmente a razão de liberar Danteh foi esclarecida com a chegada de Striker, que havia brilhado e praticamente carregado a Uprising na Fase 3 da Liga em 2018. E, finalmente, a principal contratação: Viol2t. Um Zenyatta monstruoso. Uma Ana absurda. Um homi lindo dimai da conta. Altamente consistente, habilidoso, faz a diferença, dificilmente vacila, enfim… um complemente incrível para a composição de GOATS que estava sendo planejada e estudada há um bom tempo.

E assim começou a caminhada da Shock na Segunda Temporada da Liga: Acanhada, sem abrir tanto as asas, com problemas na função de Tanque Principal – que ficava constantemente trocando entre Super e Smurf nas mesmas composições, por conta, principalmente, de más atuações de Super, que inclusive foi chamado de “Super Ruim” durante uma análise do próprio pessoal da Liga. Ainda assim, entre trancos e barrancos, a Laranja Mecânica chegou aos Playoffs, já com super fora da espiral do tilt – e sendo chamado de Super Bom, graças às suas estatísticas recuperadas -, derrubando todos os obstáculos a sua frente com sua composição de 3-3 altamente agressiva, de muita personalidade e atitude. Sinatraa, o rei do terreno elevado, não deixava os inimigos respirarem com sua Zarya, com a qual ele já era relativamente conhecido há um bom tempo. E, somente na grande final, a Shock caiu. Mas caiu atirando e, inclusive, deixando feridas abertas nos Titãs que perduraram até a final da Fase 2. Eu nunca vou me esquecer dessa final e da emoção que foi trazer todos os detalhes ao vivo do confronto que acabou em um 4×3 a favor da Vancouver Titans – o arqui-rival mais recente da Shock.

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Super, quando foi chamado de Super Bad e, logo em seguida, Super Good pelos analistas da OWL.                Foto: YouTube

• A batalha de gigantes

Começa a Fase 2. A Shock completamente acertada, 100% carregada, passando o trator em cima de todos os oponentes da fase regular. A consequência disso: Sete vitórias, zero derrotas. Vinte e oito mapas vencidos, nenhum empatado ou perdido. Era o melhor momento da história da Shock, o momento com o qual todo torcedor, toda a equipe técnica e todos os jogadores esperavam desde o início, desde a promessa. Talvez fosse pra ser mais cedo, mas como diria minha mãe: “Tudo tem seu tempo”. E essa era a hora de San Francisco deixar o mundo em choque.
Rascal se fixou como titular, em geral, devido a grandes atuações de Brigitte. É até meio estranho citar Rascal e Brigitte na mesma frase, dadas suas capacidades espetaculares com heróis de DPS, mas… missão dada é missão cumprida. E o coreano foi peça essencial na boa campanha recente da Shock! Viol2t voando, Sinatraa disputando o tempo inteiro com SeoMinSoo o posto de melhor Zarya da Liga, ChoiHyoBin faezndo o mesmo com JJanu, Moth criando jogadas a todo momento e Super… Ahh, Super… Que homem! Parecia que nada iria dar errado pra equipe de San Francisco. E realmente não deu.

Playoffs fortes, deixando Dragons e Spark para trás. Era chegado o momento da grande revanche com a Titans. Dessa vez, as provocações de Bumper e companhia já não pareciam tão incisivas. O sorrisinho de lua do zap zap não estava mais presente no semblante do Tanque Principal de Vancouver. E, aliás, a expressão de todos na Shock havia mudado completamente – de cansados, a beira de um desastre mental em meio à série final, para energizados, felizes, confiantes. E não deu outra: 4×2 contra seus arqui-rivais, com direito a Bumper cabisbaixo, com a mão no rosto, enquanto, a sua frente, o monitor exibia a triunfante jogada da partida feita por… Super.

Bumper boladão enquanto Super aparece dominante na tela                                                                         Foto: Blizzard

Hoje a Shock é a equipe a ser batida. É um dos times mais completos da Liga, seja em termos de elenco ou de estratégia. Hesitam pouco, agem muito. E provavelmente continuarão fortíssimos independente do meta que esteja por vir, seja ele uma continuação do GOATS ou algo envolvendo DPSs. Striker nem jogou. O time tem qualidade em todas as funções pra continuar reinando e cabe à equipe técnica faze seu melhor com as sensacionais peças que possui em mãos. E, claro, a rivalidade permanece, independente da estratégia mandante no momento. E os trocadilhos ruins também!

Um grande abraço e vejo vocês semana que vem em mais um texto aqui no Mais, falando de Overwatch competitivo! :D