Na última sexta-feira (6), a Gillette anunciou o retorno de Gabriel “Kami” Bohm ao competitivo. Durante a final do CBLoL, o Mais Esports conversou com o mid laner sobre a expectativa de retorno, um possível bootcamp antes do próximo CBLoL e o revezamento com Tinowns, mid laner titular da paiN Gaming.

Na entrevista do Shot da Caju, você falou que era uma questão de tempo você voltar a jogar. Por que você decidiu agora?

Alí já estava definido que eu iria voltar em breve. Acho até que falei demais, brigaram comigo e não devia ter falado, mas era o que estava nos planos, aí veio a Gillette que abraçou a causa e acredito que agora é só voltar todos os processos de preparação e… cara, assistir te deixa muito frustrado, você tem que estar no controle da situação, facilita mais e passo menos nervoso jogando do que assistindo.

Como você recebeu o carinho dos fãs, da torcida da paiN, com o anúncio da sua volta?

Eu abro meu Twitter e vejo mensagens a todo o momento, todos abraçaram a ideia. Mais uma vez me sinto abraçado pela comunidade, que é a qual eu devo tudo. Se não é a comunidade, não tinha Kami, não tinha LoL, não tinha nada… Então eu me sinto muito bem com isso, é um sentimento que não se pode descrever, não é todo mundo que posta algo e vem 20 mil likes em uma hora, e pessoas dizendo “meu Deus, você voltou, eu to chorando”, é muito mágico.

Você anunciou seu retorno agora, na final do 2º split do CBLoL, então podemos dizer que há duas opções: você pretende voltar para a Superliga, um torneio de pós/pré temporada, ou só o 1º split do CBLoL em Janeiro?

Não pretendo voltar para a Superliga. Vou usar esse tempo para me preparar, porque passar quase dois anos fora do meio competitivo é muito tempo, então, jogar SoloQ nem se compara com comp, é outra história, League of Legends competitivo é muito diferente, então os conceitos ficam enferrujados, é natural, e preciso me inserir de novo no meio e não vou voltar se não estiver 100% confiante de que estarei pronto, e acho que a Superliga é muito cedo. Quero aproveitar meu tempo da melhor forma possível, de repente faço um bootcamp na Coreia ou na Europa.

Sobre o Tinowns, como será a divisão de role com ele? Será um revezamento?

Muito cedo para responder como vai ser, porque não conversamos sobre isso. Foi uma surpresa para todo mundo, nem todos do time sabiam que eu iria voltar, é algo que será muito bem conversado, trabalhado e discutido. Ainda temos tempo para fazer isso, e isso é bom. Claro que era melhor estarmos na final, mas já que não estamos, vou aproveitar nosso tempo para preparar o terreno o máximo que der para chegar e fazer um bom 1º split, uma boa Superliga também, claro, mas assim que possível já quero voltar para ambiente de treino, entrar no clima.

Já sabemos que a Caju tem entrevistas muito sinceras. O Tin participou do último Shot e disse que, se você voltasse, ele ficaria feliz porque ele ganhar com você. Como você vê a fala dele? Esse é o ambiente que você quer na paiN?

É uma fala muito madura… Eu já cheguei a revezar, mas não muito porque ele não jogou muito, mas o Rakin chegou a ser meu mid reserva. É uma dinâmica relativamente nova para mim, foi bem recente, logo depois que o Rakin saiu, não me lembro… Acho que será muito bom, estar com o Tin, pois ele está vivenciando aquilo sem parar, então posso me escorar nele, absorver uns conceitos, posso ensinar a jogar de Katarina se ele quiser… Será muito bom ter alguém para me ajudar.

Eu quero trabalhar bem perto da comissão técnica também, ver onde posso melhorar como pro player e não jogador de SoloQ.

Kami afirma que quer mudar a estagnação do cenário brasileiro (Foto: Riot Games)

Ter ficado tanto tempo afastado pode te prejudicar ou ter um tempo maior de adaptação?

Prejudica com certeza, se fosse jogar hoje seria um fiasco… Talvez não, mas não estaria no topo do meu jogo, então é justamente isso, correr contra o tempo para me preparar o máximo que der. Será um desafio de preparação real, porque eu tenho que voltar para a paiN, me inserir, trabalhar comunicação eficiente, eu acho que tenho uma cabeça bem diferente do que tinha há dois anos atrás, acho que vai me ajudar também dentro do jogo, a tomar decisões.

Em respeito de liderança, de coordenar as jogadas dos outros, que não era algo que eu fazia… Eu tinha confiança nas minhas jogadas, vou ultar todo mundo de Azir, roubar Barão, show, eu sei o que estou fazendo. Mas decidir por outros não era muito meu forte e acho que posso ter melhorado nessa questão.

Qual o objetivo da sua volta?

Me entristece demais ver que o cenário de LoL no Brasil está tão estagnado ou até pior do que já foi, se comparado internacionalmente. Não acho que regredimos, mas as outras regiões evoluíram muito mais rápido que nós. Quando paramos para analisar, não faz o menor sentido… Olha o nível disso, a torcida, a estrutura, a abertura que tivemos, como não vamos bem lá fora?

Acho que a mudança tem que partir de alguém, não que eu serei a mudança, mas muitas vezes eu não via no olhar dos jogadores esse ímpeto de mudar a situação, e eu quero mudar isso, pelo menos na paiN.

Muitos te consideravam o melhor jogador do Brasil. Você acha que, após ter parado por quase dois anos, você perdeu esse título? Você vai buscar isso de novo?

Com certeza perdi esse título. Sinceramente, não sou a pessoa que busca as glórias, não, eu quero dar o meu melhor para levar meu time à vitória, e se eu serei o cara que vai jogar de Karma mid dando suporte ao AD Carry, ou de Viktor carregando no late game, para mim não muda. O que importa é o resultado no fim do jogo, como conseguimos executar aquilo que praticamos, no palco. Esse é o mais fundamental e é o que pretendo fazer.

Não critiquem minha Karma, ela tem a melhor das intenções. Ela não quer ficar 20/0, ela quer 0/0/20.

E tem mais uma questão, que é a honra de pro player, óbvio que enquanto não-pro, eu não ligo de perder jogo na live… Claro que me cobro ainda, mas agora vem a questão da honra, tem que manter, não posso ser solado no mid na stream. Isso eu aprendi em 2014 com o Olleh, ele brigou comigo porque eu não levava a sério essas coisas… Ele me perguntou “por que você não liga? Por que você morre e não fica bravo?” Temos que defender a honra, isso é importante.

Você anunciou seu retorno na sexta (6) e no sábado (7) o Takeshi anuncia aposentadoria. Como você vê esse momento? Vocês chegaram a conversar sobre isso?

Antes não, foi totalmente aleatório, eventos completamente diferentes mesmo. E ele não sabia que eu iria voltar, então calhou. Acho que é um marco no nosso cenário, e para mim, eu fiquei muito emocionado quando ele estava se despedindo pois nós começamos na mesma geração, quando era “só mato”, nem sonhávamos com estruturas assim. O cenário ainda estava nascendo, nem engatinhava, e ver que conseguimos juntos com milhares de pessoas, a Riot, a torcida… todos construíram este cenário lindo que temos hoje, então é um pouco triste ele estar parando, mas tenho certeza que ele vai continuar seja como comentarista, coach, não sei, mas ele não vai sumir do dia para a noite.

Caso não tenha alterações em relação a outras edições, o 1º Split do CBLoL 2020 começará em janeiro. Antes disso, ainda teremos a disputa da Superliga no Brasil, com previsão de início para novembro. As equipes e datas ainda não foram anunciadas.