O ano de 2019 vem sendo uma montanha russa de emoções para Danylo “Kingrd” Nascimento, um dos maiores jogadores de Dota 2 do Brasil. O recifense de 27 anos, que já teve passagens por organizações como SG e-Sports e paiN Gaming, havia sido contratado pela Chaos EC em janeiro, porém em maio, menos de quatro meses depois, já estava deixando o time.

Ao lado dos brasileiros William “hFn” Medeiros e Otávio “Tavo” Gabriel, e dos europeus Aliwi “w33” Omar e Rasmus “MISERY” Filipsen, Kingrd e a Chaos não obtiveram os resultados esperados no decorrer do ano. A fase ruim do quinteto, que não conseguia chegar longe nos campeonatos que disputavam, fez com que a equipe se separasse e com que Danylo decidisse dar uma pausa na carreira. Para grd, esse desgaste influenciou nas performances do time, principalmente no MDL Disneyland Paris Major.

“Eu acho que o que influenciou na nossa performance [no MDL Disneyland Paris Major] foi um sentimento que já vinha dos outros torneios de que estávamos saturados uns com os outros. Eu estava tão frustrado comigo mesmo por não estar conseguindo achar uma solução, que eu já estava pensando em dar essa pausa na carreira antes mesmo de começar esse torneio em Paris”, comentou o jogador em entrevista ao Mais Esports.

ELIMINAÇÃO EM PARIS E A TROCA DE POSIÇÃO DE GRD

No Major de Paris, a Chaos terminou seu grupo na terceira colocação e teve que encarar os brasileiros da paiN Gaming pela primeira rodada dos playoffs. O resultado foi o pior possível, uma derrota e a eliminação do torneio. Muitas pessoas criticaram o draft feito pela equipe de Kingrd, principalmente pela escolha do herói Rubick no meio.

“Sobre o draft, não tenho o que falar muito, eu não era o capitão (risos). Algumas vezes eu entrava em discordância com as escolhas do nosso coach e do MISERY porque eu achava que não era aquilo que devia ser feito e não era aquilo que fazia o time funcionar”, comentou.

Com a entrada de MISERY na line-up quando ainda representavam a paiN Gaming, Kingrd foi movido da posição de suporte 4 para suporte 5. Com a mudança, Danylo se sentiu incomodado de não poder ajudar o time da maneira que gostaria.

“Quando eu me mudei de suporte 4 para suporte 5, eu senti que estava jogando bem, mas não estava confortável porque não conseguia encontrar um jeito de fazer o time funcionar. Eu queria muito fazer o time funcionar, mas não estava conseguindo justamente por estar na posição 5 e eu estava meio para baixo em relação a isso, estava irritado comigo mesmo. Mudei de posição e meu time não está funcionando, qual era o problema real?”.

TAVO E HFN 

Kingrd, Tavo e hFn compõem o trio que mais brilhou no Dota 2 brasileiro. Juntos desde a época da SG e-Sports no fim de 2016 – exceto por um pequeno período em 2017 – os jogadores representaram o cenário sul-americano em diversos campeonatos, entre eles o The International 2018. Deixar de jogar com esses companheiros de equipe não será algo fácil para grd.

“Eu acho que o mais me abalou dessa situação toda não foi o time acabar, mas sim deixar de jogar com pessoas que eu confio. Claro que sempre existia discussão, muitas vezes dentro do jogo, mas eu tinha muita confiança neles e brigávamos entre si porque queríamos ganhar, hFn queria ganhar, Tavo queria ganhar e eu queria ganhar”, explicou.

“Eu tenho um sentimento muito grande de amizade com eles, moramos juntos mais de dois anos e passei mais da metade da minha carreira com eles. Eu zelei muito mais com eles minha amizade do que meu profissional, para mim eles são meus irmãos. Vou estar torcendo para eles independente de onde eles estiverem”, adicionou.

SAÍDA DA CHAOS E PAUSA NA CARREIRA

Após a separação da Chaos, cada jogador seguiu seu caminho. Enquanto hFn e MISERY continuaram na organização, Tavo rumou para a CompLexity e Kingrd e w33 decidiram dar uma pausa na carreira.

“Eu acho que o time não encaixou do jeito que a gente queria, tanto em relação ao capitão quanto aos jogadores e não bateu a química desejada. Além disso, o Dota tem um calendário muito puxado, viajamos muito esse período, o que acaba prejudicando a a performance.”

Sem jogar profissionalmente desde sua saída da Chaos, Kingrd ainda procura o momento certo para retornar ao competitivo.

“Eu ainda tenho confiança no meu jogo. Se eu não tivesse eu tinha certeza que não teria recebido propostas pra formar time ou me juntar a algum time existente. Eu estou analisando o cenário para ver se vale a pena voltar ainda para esse qualificatório para o TI ou na próxima temporada, mas para isso eu tenho que ter certeza que estou com os jogadores certos e com a organização certa”, afirmou.

“Nesse período jogando e viajando eu também deixei de cuidar muito da minha saúde. Antes de me tornar profissional eu era um cara que ia para a academia e que corria na praia, mas com o passar do tempo eu fui ficando uma pessoa relaxada. Eu estou usando esse tempo parado para cuidar de mim, sinto que já estou mentalmente bem e voltando aos poucos fisicamente, esse está sendo meu objetivo”.

“Nesse tempo parado eu estou ficando mais com a minha família aqui em Recife, estou muito tranquilo e aproveitando bastante. É melhor você estar confortável com você mesmo antes de você tomar a decisão de voltar a jogar e estou tentando arrumar uma maneira de ficar mais confortável com a minha saúde física e mental para voltar 100%”, finalizou.