A Jin Air Green Wings é uma das organizações mais tradicionais da Coreia do Sul. Não apenas faz parte dos times KeSPA  —  organizações reconhecidas pela Korean e-Sports Association  —  e tem rosters em outros games populares no país, como também é representada na League Champions Korea há mais de meia década.

Diferente de equipes não-endêmicas como SK Telecom T1, kt Rolster e Samsung Galaxy, porém, a Jin Air nunca alcançou muito sucesso no League of Legends. Chegou duas vezes à Escalada  —  nos Spring de 2015 e 2016  —  e certa vez disputou a Korea Regional Finals, onde quase se classificou para o Mundial da Season 5. Mas fora isso, as demais campanhas ficaram longe de dar orgulho.

Os esverdeados nunca mais alcançaram os playoffs e tiveram que disputar a Série de Promoção em uma ocasião. Além disso, cultivaram um estilo lento, no qual sempre buscavam desacelerar o jogo para levá-lo ao Late Game. Não é à toa que são protagonistas da partida mais longa da história  —  os 94 minutos contra a SKT.

Mas essa, aparentemente, sempre foi a ambição do clube: não gastar muito dinheiro, ir até onde for possível na tabela e ocasionalmente criar novos talentos. E não há nada de errado nisso. Muitos já fizeram isso ao redor do globo. ROCCAT e FlyQuest são dois exemplos de Europa e América do Norte, respectivamente.

Ao longo dos anos, a JAG se mostrou capaz de revelar indivíduos que mantiveram as line-ups suficientemente fortes para preservá-los na primeira divisão. Lee “Chaser” Sang-hyun teve uma única temporada exemplar em 2015, quando se elevou como um dos melhores caçadores da Coreia. Lee “GBM” Chang-seok, na mesma época, também ganhou notoriedade  —  e quem sabe alcançou o auge da própria habilidade  —  com escolhas de Xerath e Viktor.

Mais tarde, em 2016, chegou a vez de Park “Winged” Tae-jin se distinguir. Pouco se esperava do caçador, visto que ele ficara uma season inteira na reserva e antes disso passou por um período no Brasil. Ainda assim, os picks de Elise, Graves e Rek’Sai foram muito elogiados e garantiram que ele emplacasse bons números na etapa de estreia. Na posição, foi o quarto em Taxa de First Blood e Diferença de Ouro aos 10 Minutos.

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Winged e os jogadores da Jin Air comemoram ao vencer mapa em playoffs (Foto: Jin Air)

Lee “Kuzan” Seong-hyeok foi outro grande nome para a rota do meio. Nos quatro splits que vestiu verde, liderou três vezes a estatística de Diferencial de CS aos Dez Minutos, com 6.2 e 5.3 nos respectivos semestres de 2016 e 6.5 no Summer de 2017. Ele e Winged formavam uma boa dupla, uma vez que o jungler se aproveitava da constante pressão que o companheiro exercia no mid para andar pelo mapa. O duelo contra Bae “Bengi” Seong-woong e Lee “Faker” Sang-hyeok, na primeira semana do Spring 16, vem em mente.

O prodígio mais recente foi Park “Teddy” Jin-seong, é claro. Ficou evidente desde a primeira partida contra a Longzhu Gaming, na KeSPA Cup 2016, que ele seria uma estrela da role. E não só isso, ele quase que se transformou na única condição de vitória do plantel. Com Jhin, Ezreal, Caitlyn ou Kalista, ele era a última peça a ser derrubada se quisessem vencer os Asas Verdes.

Para esse ano, contudo, o técnico Han “H-Dragon” Sang-yong não trouxe uma pessoa de tal calibre para aliviá-los. Ninguém que possa segurar a barra e realmente carregá-los. E num tempo de transição para o cenário coreano, no qual a agressividade dos jovens vem se sobressaindo frente a passividade dos veteranos, eles não conseguem depender da estratégia defensiva que sempre utilizaram.

No momento, a Jin Air ocupa a última colocação da tabela, com apenas um mapa conquistado em dezessete tentativas. Heo “Lindarang” Man-heung, Kim “Malrang” Geun-seong, Lee “Grace” Chan-ju, Moon “Route” Geom-su e os suportes Park “Nova” Chan-ho e Kim “Kellin” Hyeong-gyu têm o pior Early Game da liga, com déficit de 1.702 de Ouro aos 15 minutos. Eles estão na lanterna em basicamente toda estatística referente a esquadras  —  seja de Dragão, Barão, Torres, o que for.

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A atual line-up da Jin Air se apresenta ao público antes de partida contra a SANDBOX (Foto: LCK)

Individualmente, os jogadores nem estão tão mal. Pelo menos se considerar que fazem parte do pior time, de longe, do campeonato. Route se destacou em alguns embates  —  contra kt e Hanwha Life Esports, por exemplo  —  e demonstrou vontade de manejar Magos na rota inferior. Malrang, por sua vez, é participativo e cria muito no Early  —  o que pode ser em detrimento do próprio pathing, mas posiciona o grupo no caminho certo.

O que os atormenta é a falta de um líder que possa guiá-los no Macro do Mid Game em diante. No passado, tinham membros como Yeo “TrAce” Chang-dong e Kwon “Wraith” Ji-min que os faziam seguir a estratégia excruciantemente vagarosa proposta pela comissão técnica. Agora, boa parte do time é inexperiente. Isso, somado à falta de sinergia por serem um roster novo, faz com que entreguem qualquer vantagem que tenham acumulado.

No encontro mais recente contra a Damwon Gaming, eles ficaram em boa posição para vencer o primeiro set. Tinham o Barão com uma composição que lutava melhor e contra pouco wave clear, mas fizeram os lane assignments errados e não aproveitaram o buff. Depois, entregaram o mesmo objetivo de mão beijada após uma rotação óbvia com o Portal dos Reinos do Ryze. Isso permitiu que Jang “Nuguri” Ha-gwon e companhia voltassem para o jogo e finalizassem.

Na mesma semana, Malrang teve um início brilhante de Elise contra a SANDBOX Gaming. Ele distribuiu ganks e colocou a Jin Air na frente contra a segunda colocada, que tem um dos Early Games mais potentes da região. Mesmo assim, eles jogaram tudo no lixo numa tentativa de dive aos vinte minutos e no fim perderam de forma embaraçosa para os superminions porque Grace preferiu perseguir o Braum adversário.

Com tantos problemas para consertar e nenhuma alteração no elenco para a segunda metade do split, é difícil enxergar uma luz no fim do túnel para eles. Ainda mais com equipes como Brion Blade e ES Sharks vindo teoricamente fortes da Challengers Korea. Será esse o fim da linha para a Jin Air Green Wings?