No dia 2 de fevereiro de 2018, o jogador Markus “Kjaerbye” Kjærbye anunciou que deixava a Astralis para se juntar à equipe também dinamarquesa North. A transferência chocou o mundo do Counter Strike, principalmente a seus agora ex companheiros de equipe, que foram pegos de surpresa pelo anúncio, levando a pensar que Kjaerbye assinou com seus rivais locais pelas suas costas, como mostram Lukas “gla1ve” Rossander e Danny Zonic (Coach da equipe) em declarações no Twitter:

Gla1ve: Menos de duas horas para a conferência de imprensa, descobrimos que Kjaerbye acaba de assinar com a North. Sem palavras e mais motivado do que nunca!

Zonic: Desejo a Kjaerbye boa sorte atuando pela North, eles conseguiram assinar com um grande jogador, mas pessoalmente estou muito desapontado e nunca vi algo parecido com o que acabou de acontecer em meus 19 anos de Counter Strike.

Cinco dias se passaram e mal sabiam os jogadores da Astralis o que o futuro reservava para eles. No dia 7 de fevereiro de 2018, a organização dinamarquesa assinou com Emil “Magisk” Reif, um jogador de 19 anos que atuou pela North e pela OpTic Gaming antes de ser adicionado ao time. A partir desse momento surgia o quinteto que dominaria de forma quase absoluta o cenário mundial do Counter Strike. Foram aproximadamente oito meses entre a contratação de Magisk e a vitória dominante do FACEIT Major: London 2018, torneio onde a Astralis perdeu somente 2 mapas de 14 disputados, e nenhum deles na fase de Playoffs.

Em seus primeiros grandes eventos trabalhando juntos, o quinteto formado por Magisk, gla1ve, dev1ce, Xyp9x e dupreeh, chegou aos playoffs da StarLadder Season 4, sendo eliminada pela Natus Vincere ainda nas quartas, e alcançou a semifinal no IEM Katowice 2018, onde foi derrotada pela FaZe Clan. Em pouco menos de um mês de time, a Astralis já parecia uma equipe em outra sintonia e muito bem coordenada, muito diferente do quinteto que havia sido eliminado do ELEAGUE Major Boston, com um recorde de 1-3 ainda na fase de grupos há alguns meses.

Após o IEM Katowice, o cenário ficou pausado por quase dois meses, e só viria a retornar em 18 de abril, com o início da DreamHack Masters Marseille 2018, na França, e pela primeira vez no ano, de forma invicta, a Astralis levantava um caneco de grande importância, vencendo a Natus Vincere na grande final, faturando 100.000 dólares de premiação. Começava a dominância do time dinamarquês no cenário.

Astralis após vitória da DreamHack Masters Marseille (Foto: Reprodução/Divulgação)

Entre 18 de abril e 2 de setembro, a Astralis participou de sete torneios de categoria Première, onde venceram em quatro oportunidades (DreamHack Masters Marseille 2018, ESL Pro League Season 7 Finals, ECS Season 5 Finals e a ELEAGUE CS:GO 2018), além de ser vice em duas (IEM Sydney 2018 e DreamHack Master Stockholm 2018) e chegar No top 4 em uma (ESL One Cologne 2018).

O time mostrava um jogo coletivo fortíssimo, com destaque para Nicolai “dev1ce” Reedtz, pela consistência com a AWP e seu incrível rating de 1.25 em 2018, Peter “dupreeh” Rothmann, pela versatilidade e game sense impecáveis, além de Lukas ” gla1ve” Rossander, o in-game leader que coordena todos os movimentos e execuções nos mapas. Nesse momento a dominância da equipe dinamarquesa já era clara, e a Astralis já estava sacramentada como o melhor time do mundo, porém faltava alguma coisa.

Astralis após conquista do título da ELEAGUE CS:GO Premier 2018 (Foto: Divulgação/Reprodução)

No dia 5 de setembro de 2018, começava o FACEIT Major: London 2018. Por ter sido eliminada do último Major sem ter chegado aos playoffs, a Astralis teria que passar pelo New Challengers Stage, onde batalharia com outros 15 times por 8 vagas na fase de grupos da competição principal, entre eles os outros 7 times que não foram aos playoffs no ELEAGUE Major Boston e os outros 8 times que vieram dos Minors. Estando muito acima das outras equipes, avançou com tranquilidade, perdendo somente uma partida para a Ninjas in Pyjamas (3-1).

Na fase de grupos, os dinamarqueses mostraram que não estavam para brincadeira. Venceram a Natus Vincere e a Vega Squadron, mas acabaram perdendo para a Team Liquid em um Overtime no mapa Inferno. Em seguida aplicou o primeiro 16-0 na história dos Majors contra o MIBR na Dust 2 e avançou para os Playoffs.

Nos Playoffs a Astralis mostrou porque é o melhor time do mundo com méritos. Os dinamarqueses deram um show de Counter Strike e avançaram para as finais passando pela FaZe Clan nas quartas e pela Team Liquid nas semis, sobrando apenas a Natus Vincere de Aleksandr “S1mple” Kostyliev. Em mais uma MD3, os dinamarqueses não tomaram conhecimento dos seus adversários e venceram com tranquilidade o time formado por ucranianos e russos por 2-0, tornando-se bicampeões do Major sem perder nenhum mapa nos Playoffs.

Astralis comemora conquista do FACEIT Major London sobre a Natus Vincere (Foto: HLTV)

Para mostrar que o nível de jogo que a Astralis vem apresentando não é para qualquer um, se compararmos o número de troféus e aparições em finais de eventos do nível Première entre os dinamarqueses e a equipe da SK Gaming do ano de 2017 — em que os brasileiros levantaram 8 troféus — vemos que os atuais melhores do mundo precisaram de menos tempo para ganhar o mesmo número de campeonatos que a SK.

Astralis: Entre 22/04/2018 e 23/09/2018 – 5 meses

7 aparições em finais (DreamHack Masters Marseille 2018, ESL Pro League Season 7 Finals, ECS Season 5 Finals, ELEAGUE CS:GO 2018,IEM Sydney 2018 , DreamHack Master Stockholm 2018 e FACEIT Major: London 2018) e 5 Vitórias em torneios premier (DreamHack Masters Marseille 2018, ESL Pro League Season 7 Finals, ECS Season 5 Finals, ELEAGUE CS:GO 2018 e FACEIT Major: London 2018)

SK Gaming: Entre 07/05/2017 até 10/12/2017 – 6 meses (Houve uma pausa no cenário de mais de um més após o PGL Major: Kraków, por isso 6 ao invés de 7)

5 aparições em finais* e 5 vitórias em torneios premier (IEM Sydney 2017, ECS Season 3 Finals, ESL One Cologne 2017, EPICENTER 2017 e ESL Pro League Season 6 Finals)

*A SK também foi vice na DreamHack Master Las Vegas, em fevereiro de 2017, porém o contador e a comparação só começam a partir do primeiro triunfo.

Com a vitória extremamente convincente no FACEIT Major: London 2018, e já acumulando 5 troféus da melhor categoria no ano, podemos sacramentar que essa é a Era da Astralis. O quinteto vem apresentando um jogo impecável de Counter Strike e pelo jeito chegaram para ficar. Vai ser difícil derrubar a hegemonia dinamarquesa.

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