Marcelo “coldzera” David é um dos maiores nomes do esporte eletrônico nacional. Eleito duas vezes o melhor do mundo e bicampeão do Major, o jogadores pediu para ser colocado no banco de reservas da MIBR. No dia 12 de julho a organização oficializou a inatividade de coldzera que aguarda uma nova equipe para voltar aos servidores.

Em entrevista ao site ESPN Esports Brasil, o jogador falou sobre a saída da MIBR e os sentimentos que surgiram após sua escolha. Coldzera admite certa mágoa de seus ex-companheiros e faz críticas ao modo que o trataram após o anúncio.

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Marcelo “coldzera” David em jogo contra a BIG. Foto: HLTV

OS SENTIMENTOS A RESPEITO DE SUA DECISÃO

Coldzera abriu o jogo sobre os sentimento a cerca de sua escolha de deixar a equipe. “Não ficou mágoa. Eu acho que eles ficaram muito chateados com a minha saída. Foram quatro anos e isso não é fácil”.

O jogador também falou da reação dos seus antigos companheiros de equipe após sua decisão. “Foi uma decisão minha, assim como o TACO e felps tiveram. Todos saíram e ninguém foi julgado, ninguém ficou jogando indireta”, afirmou.

“Depois que eu saí, eles [os jogadores da MIBR] pegaram muito pesado [com coldzera] na questão de ‘estou melhor sem ele’. Então acho que isso é muito baixo e me deixou bastante magoado ver isso. Não fiz postagem magoando ninguém e fiquei na minha como se nada tivesse acontecido e eles meio que começaram a jogar os fãs contra mim”, completou.

Coldzera também falou que apesar de não ter conversado com a antiga equipe sobre este assunto, os antigos colegas de equipe sabem que ele não está bem com isso. “Não falei com eles sobre isso, mas sabem que estou bem chateado. Eles bateram em mim e depois vieram amaciar um pouco”, afirmou.

“Eu acho que não só são quatro anos de amizade, mas de respeito também. E eles perderam o respeito comigo e eu nunca perdi o respeito com eles. Isso me machucou bastante”, completou.

A SAÍDA COMO MAL NECESSÁRIO

Coldzera vê sua saída como um mal necessário para o time. Segundo o jogador, seu afastamento vai fazer com que a equipe acorde e tente mudar seu estilo. “É assim que eu interpreto [um mal necessário para a equipe]. Com a minha saída eles irão acordar”, falou.

“Estávamos na zona de conforto sim. Jogamos e conquistamos tudo, só tivemos pontos altos, nunca passamos por uma fase ruim. Em 2015 começamos, 2016 foi perfeito, 2017 perfeito também. Quando a má fase chegou, não conseguimos lidar com isso”.

O atleta também falou que sua escolha de deixar os antigos companheiros não foi feita de uma hora para outra e que desde 2018 já vem com a ideia na cabeça. “Minha saída não foi decidida sem pensar, já pensava nisso desde 2018. Já havia conversado com eles [a MIBR] que a gente tinha que melhorar e eu decidi, em 2019, seguir um caminho diferente”, falou ao site.

OS ANOS JUNTO DE FALLEN E FER

Coldzera fez uma análise de toda trajetória do core da equipe formada por ele próprio, Fernando “fer” Alvarenga e Gabriel “FalleN” Toledo. “Em 2015 foi muito difícil, foi o nosso começo. Em 2016 nós evoluímos muito rápido que foi quando trouxemos o TACO e fnx para o time. Em 2017 tivemos um começo ruim, mas depois demos a volta por cima e terminamos o ano bem”, falou.

Coldzera admite que a equipe se precipitou ao mudar a escalação para um time internacional. Segundo o jogador, a língua, diferenças de jogo. “A língua foi uma dificuldade, mas não a principal. O maior problema é o estilo de jogo dos americanos que é muito diferente do nosso”, afirmou.

Em 2019, a MIBR trouxe Epitácio “TACO” de Melo e João “felps” Vasconcellos de volta. Coldzera revelou que felps não fora a primeira opção e que Kaike “kscerato” Cerato, da FURIA, era o que eles queriam para o momento.

“No começo a equipe não queria o felps, mas sim o kscerato. Queríamos testar um jogador novo, um sangue novo para ver se trazia mais vontade. Não trouxemos o kscerato, pois não conseguimos pagar o buyout”, revelou.