Vamooooooooooos! (Na foto, Alemao, brasileiro da Boston Uprising na Overwatch League Foto: Reprodução/OWL)

Dia 05 de dezembro de 2018. Em teoria, outra quarta-feira qualquer de rotinas sendo executadas com eventuais reclamações pela cidade. Casters da Contenders América do Sul se preparando pois estariam em frente às câmeras em menos de 24 horas; jogadores matutando possibilidades de fugir da GOATS ou aperfeiçoando a teoria e prática da estratégia. Outro dia relativamente comum… Se não fosse pela maior notícia da história da comunidade sul-americana de Overwatch: Alemão, suporte da Based Tryhard, ex-BGH, um dos melhores jogadores da região JOGARÁ NA OVERWATCH LEAGUE. E não, aqui o Caps Lock NÃO SERÁ POUPADO!

Minhas redes sociais foram à loucura com tantas notificações. Loucura suficiente para me acordar de um sono pesado advindo de uma madrugada em claro. Lembra da clássica cena de filme na qual a criança, segurando alguns jornais, anuncia o início da guerra gritando “Extra, Extra!“? Pois é… O twitter foi o jornal, a comunidade foi a criança e os diversos extras foram trocados por “Alemão na OWL”. A Boston Uprising, casa nova do jogador, havia acabado de conquistar uma região inteira de fãs devotos e provocar muitos outros efeitos no Overwatch sul-americano ao contratar o primeiro jogador nascido e criado, ou melhor, construído na América do Sul para atuar em um dos maiores campeonatos de esports do mundo. E são tais efeitos que discuto hoje!

• Representatividade

Alemão não é somente um jogador brasileiro competindo no mais alto nível de Overwatch no mundo. Alemão é a América do Sul inteira representada em um só nick. Muito se fala da capacidade e do nível dos jogadores da nossa região, do quão mecanicamente incríveis são. Porém há sempre a dúvida sob a ótica de quem não acompanha o cenário de perto. “Mas será que vale a pena investir em uma região que ainda está em crescimento?”, “Ano passado ficou provado que coreanos são extremamente efetivos no Overwatch. Por quê não investir na ásia ao invés da América do Sul?”, “Será que os jogadores sul-americanos estão realmente preparados para enfrentar a maior competição de OW do mundo?”.

Imagino que este seja o pensamento da maior partes dos responsáveis pelas oportunidades dentro da Overwatch League. Com isso, a representatividade do nosso Main Lúcio, que dominou uma região inteira por mais de um ano, é essencial para que cada vez mais tais dúvidas sejam sanadas com provas do retorno que uma escolha sul-americana promove. Não só em habilidade porém em vontade de melhorar e dar o máximo pela equipe e, claro, em agregamento de fãs e números para o time. Portanto, espero que, de tanto mencionar positivamente o nome do suporte, os casters das mais diversas línguas tenham necessidade de praticar o som nasal característico que Alemão leva consigo.

A seleção que reforçou o talento sulamericano para o mundo todo! (Foto: Reprodução/Multiverso+)
• Esperança

Por conta do inovador e estruturado sistema proposto pela Blizzard no início do ano, a oportunidade de completar a caminhada rumo à OWL sempre esteve presente, entretanto nem sempre foi latente, em especial para regiões em desenvolvimento. A Copa do Mundo de Overwatch, principalmente, foi de grande importância como vitrine de talentos do mundo inteiro, tendo jogadores de outras regiões menores que completaram o achievement de conseguir uma vaguinha na liga global.

Agora, tal oportunidade chegou e ficou claro que o sistema começou a mover suas engrenagens. Além disso, se algum jogador possuía um pé atrás em relação à possibilidade de seguir o mesmo caminho de Alemão, tal desconfiança abaixou sua voz em muitos decibéis, pois o que grita no ouvido de tais players é a vontade. Vontade de melhorar, vontade de crescer e se aperfeiçoar, pois enquanto o Lúcio mais agressivo do Brasil está se dedicando lá fora e abrindo portas, é necessário que os talentos regionais estejam preparados para adentrar tais portas quando a hora chegar.

A quantidade de mensagens e tweets auto-motivacionais foi instantaneamente alta e a esperança da região recebeu um grande boost. Ou seja: a estrada foi desbravada e que o futuro a transforme em via expressa!

• Desenvolvimento

Dizem que notícia ruim corre rápido, mas notícia boa voa! A aura de ânimo trazida pela contratação da Uprising fez com que não só o cenário da Contenders SA aumentasse ainda mais o ritmo de treino e foco, como também a cena semi-profissional, composta por times amadores e equipes competindo na Open Division – primeiro passo para o caminho profissional proposto pela Blizzard para o Overwatch.

Inclusive, essa temporada da Divisão Aberta fechou com recorde de equipes inscritas, com mais de 200 times prontos para mergulhar no competitivo do jogo! Mais interesse gera mais visibilidade, mais visibilidade gera mais atenção, mais atenção gera mais recurso, e mais recurso gera desenvolvimento!

Além disso, tenho certeza de duas coisas: Primeiramente, há um grande número de diamantes que serão lapidados no caminho ao profissional que com certeza são jogadores em potencial para completarem a caminhada daqui um tempo; segundamente – com o perdão do neologismo -, o Overwatch tem um bom tempo de vida pela frente, mais que suficiente para vermos estes talentos na ativa!

Tudo começa de algum lugar. No Overwatch, é da Open Division! (Foto: Reprodução/Overwatch Brasil)

“Ahh Tonello, mas será que o Alemão vai jogar mesmo ou vai esquentar banco?”. Sinceramente, confio no suporte assumindo a titularidade imediata. Em termos de Lúcio, seu companheiro e rival Kellex não se compara à esculachada brasileira. Porém, em se tratando de Mercy, imagino que Kellex possua mais experiência, principalmente por já ter jogado previamente na liga. Portanto, trata-se de uma questão de meta e opção. Alemão é mais agressivo e consciente do momento de jogar com o time ao invés de procurar pelo boop no time inimigo, o que é uma das características que possivelmente saltaram aos olhos da comissão técnica da Uprising. Além disso, o brasileiro possui Ana e Zenyatta em seu repertório de heróis, o que pode ajudar a equipe caso a estratégia peça. Então, sim, prevejo a América do Sul já representada em campo no primeiro jogo!

E, finalmente, vale a menção a Klaus, jogador argentino que atualmente atua pela Boston Uprising Academy na Contenders América do Norte e também está levando positivamente o nome do nosso cenário pra os quatro cantos do mundo! Com certeza é mais um jogador que terá oportunidade na Overwatch League assim que completar os 18 anos necessários para assinar contrato com alguma equipe da maior liga de Overwatch do mundo!

Klaus em 2017, pela seleção argentina, quando deixou o mundo em choque com sua Tracer! (Foto: Reprodução/Divulgação)

Então, anote na agenda as datas dos jogos da Boston Uprising na Overwatch League, que começa dia 14 de fevereiro, e partiu torcer pelo Brasil! E, claro, toda quinta e sábado rola a Overwatch Contenders América do Sul, nosso campeonato regional, começando às 19h no Canal Oficial da Contenders em português! Espero todos por lá e na semana que vem em mais um artigo aqui no Mais! Abraço! :D