Vozes do CS:GO é uma série que traz ao leitor do Mais Esports a história de vida dos narradores e comentaristas do Counter-StrikeGlobal Offensive. Além de falar sobre sua vida pessoal e suas trajetórias profissionais, os casters conversam um pouco sobre o cenário de CS:GO e dão dicas para quem quer seguir a carreira profissional na área.

O quarto personagem de nossa série é o Savage, comentarista de Counter-Strike: Global Offensive. Em entrevista ao Mais Esports, Savage falou sobre sua infância, dificuldades, CS 1.6, momentos marcantes, planos para o futuro, entre outros assuntos. Confira.

Foto: Felipe Guerra

Luis FelipesavageHessel, 40 anos, nasceu na cidade de São Paulo. Apesar de nascer na capital paulista, morou dos 5 até os 15 anos em Belém, Pará. Na infância, jogava bola na rua, andava de carrinho de rolimã e teve o primeiro contato com o Atari. Savage já possuía familiaridade com o computador, já que sua mãe fazia pós-graduação em Processamento de Dados e por esse motivo sempre teve um computador em casa para usar.

Savage durante a infância. Foto: Arquivo Pessoal

O comentarista tem o hábito de ler, assistir filmes e ouvir música. Aliás, savage revelou que está sempre ouvindo música em casa. Além disso, sair com os amigos para curtir uma boa música também faz parte do repertório do caster.

O esporte eletrônico na vida de Savage

Por conta do estudo de sua mãe, o contato com o computador por parte de savage foi constante. Por conta disso, acabou “naturalmente tendo contato com os primeiros multiplayers online”. Durante a era da internet discada, o caster jogava StarCraft: Brood War e até tinha um clã de nome r0x team. O contato com o Counter-Strike veio logo depois, ainda durante a versão 1.6 do game nas lan houses e “aí a parada ficou séria”, afirmou.

O primeiro contato de savage com o esporte eletrônico foi como espectador dos campeonatos coreanos e como competidor de StarCraft: Brood War nos torneios organizados pela Hangar Network: “Lembro que ganhei meu primeiro confronto, mas depois perdi para alguém do clã SoA, tradicional equipe dos anos 2000”. No ano de 2002, o caster competiu no Counter-Strike 1.6, na TEX, lan house que ficava em frente ao Mackenzie, em São Paulo.

No StarCraft, a dificuldade era o amadorismo do cenário na época e por esse motivo Luis Felipe não se considerava um atleta. Ele afirma que sua carreira começou apenas no CS 1.6, em meados de 2002, quando entrou para a equipe da semXorah. Na equipe teve como companheiros os campeões mundiais Renato “nak” Nakano e Bruno “ellllll” Ono.

Savage junto com nak e ellllll. Foto: Arquivo Pessoal

Dificuldades

As dificuldades no começo para savage era a cobrança da família e o preconceito. “Naquele tempo ninguém imaginava a proporção que os jogos teriam, portanto praticar videogame era coisa de vagabundo”, contou.

Na carreira, a idade foi um fator importante também para savage. Por ter mais idade que a maioria dos jogadores, era sempre considerado velho demais para jogar competitivamente. Apesar desse paradigma ser quebrado aos poucos, por ser um dos primeiros a embarcar no mundo do esporte eletrônico, o comentarista fala que matava um leão por dia, no seio familiar ou no servidor com a garotada.

Momentos marcantes na carreira

Como player, savage lembra em 2004 quando seu time venceu a MIBR no qualificatório brasileiro para a CPL Summer e assim ganhou o respeito e reconhecimento dos envolvidos no cenário.

Savage durante torneio junto com Bernardo “BiDa” Moura. Foto: Felipe Guerra

Como comentarista, Luis Felipe cita os grandes eventos presenciais que foram realizados em terras brasileiras. Primeiramente as finais da quarta temporada da ESL Pro League, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Mas o caster tem um carinho especial pela ESL One Belo Horizonte, quando teve a oportunidade de narrar a final ao lado de Bernando “BiDa” Moura.

Planos para o futuro e importância do esport

Savage quer continuar cobrindo os diversos campeonatos CS:GO que ocorrem durante o ano. Além disso, o caster planeja seguir os passos de seu avô, que foi treinador do time de basquete do Palmeiras. Por isso, Luis Felipe se vê como um técnico no futuro e pretende levar o esporte eletrônico para um nível superior, onde ele ultrapasse o simples entretenimento e possa ser um vetor de educação para os jovens. Seu avô também é seu ídolo por conta de sua função como treinador: “ele levava educação e desenvolvimento intelectual para os atletas”, contou.

Savage após transmissão pelo SporTV. Foto: Arquivo Pessoal

Sobre narrar ou comentar outra modalidade, savage afirma que trabalha por afinidade com o game e não por oportunismo. Apesar de afirmar que se ele gastar um tempo se dedicando a outros jogos, possa entrar no cenário competitivo da modalidade em questão, o foco no momento é apenas o Counter-Strike.

O esporte eletrônico, além de tornar-se sua profissão, ajudou o caster a enfrentar uma doença que aflige boa parte da sociedade no século XXI, a depressão. Savage sempre teve dificuldade se se encaixar e se adaptar ao mercado de trabalho e o esport o ajudou a entender o motivo pelo qual isso acontecia e o auxiliou a mostrar um caminho para focar sua energia.

O futuro do Counter-Strike

O caster vê o Counter-Strike como uma modalidade que irá perdurar durante um bom tempo, pois vê o game como um dos únicos que conseguem sobreviver sem a ajuda da desenvolvedora, Valve. Isso acontece pelas regras bem definidas e por causa de sua base de fãs ao redor do mundo. O comentarista também vê 2019 como um ano em que o Counter-Strike possa continuar crescendo e ganhando espaço na mídia.

Conselhos

Luis Felipe também deixou seu conselho para os leitores do Mais Esports que queiram entrar no competitivo de qualquer modalidade como narrador ou comentarista. A dica é simples e direta: “Estudar e assistir muitos jogos e campeonatos, e não ter medo de desenvolver seu próprio estilo”.