Vozes do CS:GO é uma série que traz ao leitor do Mais Esports a história de vida dos narradores e comentaristas do Counter-StrikeGlobal Offensive. Além de falar sobre sua vida pessoal e suas trajetórias profissionais, os casters conversam um pouco sobre o cenário de CS:GO e dão dicas para quem quer seguir a carreira profissional na área.

No segundo episódio da série, o entrevistado é o comentarista e treinador profissional Giovanni “gio” Deniz. Em conversa com o Mais Esports, o caster falou sobre sua infância, dificuldades, momentos marcantes e também deu um conselho àqueles que querem seguir a carreira de narrador ou comentarista.

Infância e vida pessoal

Gio e seu pai, Elias. Foto: Arquivo Pessoal

 

Gio tem 25 anos e é nascido e criado na periferia da cidade de São Paulo. Cresceu no meio musical do heavy metal, punk e hardcore. Como era da periferia, e com poucos amigos com computador em casa, a maior parte do seu tempo era gasto andando de skate ou jogando futebol. Giovanni tentou ser jogador de futebol profissional, mas devido ao trabalho e uma lesão, teve que se afastar de seu primeiro sonho.

Em seu tempo livre, Gio é ‘um cara mais tiozão’, segundo suas palavras. Além de sair com os amigos para conversar e beber cerveja, o analista também gosta de jogar sudoku e ver filmes com a esposa, Thaís. Filmes, aliás, é uma paixão de Gio: o caster possui seu em seu braço esquerdo tatuagens referentes à Harry Potter.

Na música um dos hobbies é sua banda de hardcore, a Tag Rock. Sua playlist eclética vai de Dead Fish a Taylor Swift, passando por Maiara e Maraísa e chegando a Angra em questão de segundos.

O esporte eletrônico

Gio durante a GamersClub Masters. Foto: Felipe Guerra

Giovanni sempre gostou de jogos de todos os tipos: desde o videogame até os jogos de tabuleiro. O caster jamais gostou de perder em todos os jogos que disputava, essa competitividade é um traço marcante e ele a levou para todos os lados.

Mesmo jogando desde 2003, o primeiro contato com competições eletrônicas veio apenas em 2006, com o Counter-Strike 1.6. Houve uma dedicação maior em 2009 e 2010, mas o interesse verdadeiro veio após o boom dos brasileiros da Luminosity Gaming, atual MIBR, no ano de 2014.

Giovanni iniciou sua carreira no esporte eletrônico como jogador. Na época, Ricardo “qeP” Fugi começou a transmitir os jogos e Gio pediu uma oportunidade para ser comentarista, devido a não-evolução de seus times. Após comentar algumas partidas, Gio entrou em contato com Victor “iDk” Torraca, que o convidou para treinar a equipe da Innova, depois de ver seus comentários.

Dificuldades e momentos marcantes

Para Gio, as dificuldades de início foram a desconfiança e o preconceito. Por ocupar o cargo de coach, conquistar o respeito do cenário foi mais difícil ainda. A questão financeira também foi um fator importante: o caster vendeu sua parte da sociedade em uma produtora audiovisual para apostar no cenário do CS:GO.

Na ESL One Belo Horizonte, Gio faz a narração junto com Nicolino. Foto: Felipe Guerra

A ESL One Belo Horizonte foi marcante para todos os entusiastas do esporte eletrônico e do Counter-Strike. Para Gio não foi diferente. Como caster, o evento, com os melhores time do mundo, foi marcante em sua vida profissional. Como treinador, foi o primeiro campeonato em lan com o time feminino Pichau, na g3x Cup de 2016.

O futuro

Em 2019, um objetivo de Gio é cuidar mais de si, visto que no ano de 2018 o comentarista foi bem ativo para trazer oportunidades para o cenário interno. Além disso, o fortalecimento de sua marca de vestuário e a aproximação de outras marcas para investir no cenário sul-americano de Counter-Strike. Com uma melhor estruturação das competições, o analista pretende ainda voltar a competir: dois sonhos de Gio é participar de um campeonato mundial e de um Major de CS:GO.

No longo prazo, Giovanni quer continuar a investir no cenário nacional. Devido a falta de apoio aos times femininos e semiprofissionais, o caster quer dar voz para essas equipes que precisam dessa visibilidade. Isso passa pelo fomento do cenário de uma maneira geral e também a pela abertura de oportunidades para esses times aparecerem.

Referências e influências

Ídolos não fazem parte da vida de Gio, com exceção de seus pais, Elias e Regina, e de seu irmão, Willian. Porém existem pessoas que são referência em sua vida. É o caso de Chorão, ex-vocalista da banda Charlie Brown Jr., que também saiu da periferia para o mundo e também o humorista e palestrante Murilo Gun, pelo motivo de ser um grande orador e ‘um mestre na arte de se reinventar’, segundo Giovanni.

Na narração, são influências para Gio os seguintes casters: Pablo “xrm” Oliveira, Nícolas “Nicolino” Emerenciano e Bernardo “BiDa” Moura. No esporte tradicional, Cléber Machado, narrador da Rede Globo, Luciano do Valle e Milton Leite, são influências para o comentarista quando precisa assumir o comandando da transmissão. Gio leva uma frase de xrm consigo: “Se eu não for o mais talentoso, vou ser o mais esforçado”. Por esse motivo, o caster se espelha nos nomes citados para trazer o melhor de cada um de forma positiva.

Conselhos

Gio deu conselhos aos leitores do Mais Esports que querem iniciar a carreira nos comentários ou narração de esporte eletrônico. Segundo o caster, o mercado está super lotado, mas avisa dos segredo que levaram os principais comentaristas e narradores do Brasil até sua posição hoje: trabalho e sacrifício. Além disso, Gio dá outra dica importante: não fazer stream piratas. Segundo o comentarista, isso é essencial para que o indivíduo siga adiante com seu sonho e conquistar mais oportunidades na carreira.