Durante os últimos dois anos, sempre que surgiam questões relativas as razões que faziam o cenário brasileiro ser inferior as outras regiões, a resposta estava na ponta da língua de todos: “Falta estrutura, falta uma liga com calendário regular para a galera ter mais apoio financeiro e jogar mais, falta melhorar o macro play uma vez que mecânicas e capacidade dentro da rota nós já temos”

            Em 2013 a PaiN Gaming representou o Brasil no mundial da Intel Extreme Master e demonstrou que o Brasil tinha potencial, com Kami conseguindo se destacar dentro da rota mesmo contra jogadores como Ambition e xPeke. A falta de estratégia e de conhecimento após a fase de rotas minava as esperanças brasileiras de atingir melhores resultados, o que demonstrava o quanto a inexistência de uma estrutura realmente diferenciava as equipes e influenciava na partida. League of Legends requer talento, mas só talento não é o suficiente para chegar ao topo e levantar a taça do invocador.

            Em 2015 o competitivo brasileiro apresentou uma evolução brutal: Um estúdio profissional, um calendário completamente programado, uma estrutura legislativa que permitia mais segurança e um investimento massivo da Riot Games no cenário. Um sonho realizado e uma mudança necessária, dando esperança a milhões de jogadores, mas o crescimento massivo da estrutura também evidenciou muitos problemas do nosso cenário.

         O peso da profissionalização

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            O ano de 2014 viu o LoL passar a ser tratado de forma muito mais profissional por autoridades estatais, gerando inclusive a possibilidade de vistos de trabalho para jogadores profissionais em diversos países.

 A profissionalização surgiu e com ela surgiram contratos, segurança, multas e a incrível valorização econômica do competitivo, o que trouxe possibilidades interessantes como o “Grande Êxodo Coreano para a China” e garantiu que os jogadores tivessem maior possibilidade de tirar frutos financeiros da curta e arriscada carreira profissional de LoL.

A estrutura criada no Brasil em 2015 garantiu que o nosso competitivo entrasse nesse processo de profissionalização, mas o competitivo conseguiu mais uma vez evoluir de forma mais rápida que a estrutura criada, e hoje novamente precisamos de uma expansão pontual no apoio estrutural, para evitar que todos esses avanços que já aconteceram não sejam eclipsados pelos novos problemas.

         A Guerra nos Contratos

KaBuM e Keyd Continuam Brigando na Justiça no Caso esA

            A problemática contratação de Esa por parte da Keyd (https://www.youtube.com/watch?v=bPFlkZCrJaM&feature=youtu.be&a) é apenas um exemplo, mas demonstrou que ainda não temos um controle eficiente de negociações e contratos. O problema da prática de Poaching não pode ser ignorado, ele mina muito as possibilidades de crescimento de uma equipe e de uma nova organização dentro do competitivo brasileiro, pois o poaching evita que um ambiente saudável de negociação seja formado.

            Um ambiente saudável de negociação entre todas as partes envolvidas beneficiaria todas elas, que teriam condições de fazer propostas e contrapropostas de forma mais fluída, além de permitir que o jogador avalie com cuidado os contratos oferecidos e entenda perfeitamente o que ele assina e quais suas implicações. Os investidores e patrocinadores das equipes também se beneficiam disso, pois tem certeza de o time que eles investiram não irá simplesmente perder seus talentos sem um processo adequado de negociação.

            A quebra de contratos faz parte do mundo esportivo, mas existe também a necessidade de cumprir todas as obrigações do contrato e isso inclui o pagamento de uma eventual multa rescisória, ignorar isso significa que o contrato simplesmente não tem utilidade nenhuma e impede muito que a profissionalização continue crescendo.

         Um profissional nas sombras

Djoko é o Novo Coach da CNB

            Coachs e Analistas merecem respeito e admiração. Todos os jogadores da equipe afirmam que a EDG conquistou o MSI ao vencer a quinta partida graças a um brilhante pick/ban planejado pelo Coach Aaron, que construiu uma composição completamente focada em counterar a Le Blanc do Faker.

            No Brasil, a profissão lentamente ganhou mais adeptos em 2014 e 2015, mas o reconhecimento e a valorização ainda são muito pequenos. Apenas Djoko, Jukaah e Mit são conhecidos pelo público geral, sendo que dois deles são antigos profissionais e o terceiro é uma das pessoas mais carismáticas do cenário, lembrando também que eles não representam nem metade do número de Coachs presentes no CBLOL.

            O reconhecimento vem com o tempo, e a profissão efetivamente só passou a ser mais visualizada com a liberação de sua participação nos Drafts que ocorreu esse ano, mas iniciativas pequenas como a de colocar o nome do coach junto aos dos jogadores nas apresentações das equipes dentro das transmissões e a sua utilização na mesa de análise não tem custo nenhum e ajudam a valorizar a profissão. Atualmente nem mesmo o nome dos coachs aparece dentro da página das equipes no novo site do CBLOL, o que transparece a ideia de que eles ainda não são valorizados de forma correta.

            É importante lembrar que os coachs aqui não tem o mesmo vínculo com a Riot Games que os coachs da LCS tem, e talvez seja realmente muito cedo para criar esse vínculo maior e o apoio financeiro direto, mas pequenas mudanças podem trazer uma maior visibilidade e ajudar na valorização da profissão

            O fato que as próprias organizações deveriam trabalhar nessa valorização também é verdade, a Keyd recentemente trocou diversas vezes de Coach e não existe nenhuma publicação no facebook oficial da organização sobre essas mudanças.

Se nem a Riot Games Brasil nem as próprias organizações realmente valorizarem o profissional ele continuará em uma posição extremamente delicada e nunca terá o apoio que ele tem em outras regiões, o que impede que esses profissionais venham de outras regiões para auxiliar no aprimoramento do nosso competitivo. Tem de existir um diálogo e uma aproximação das duas partes para que no futuro esse profissional seja valorizado da mesma forma que ele é nas outras regiões.

     Desafios pela Frente

            Muito foi feito em 2015, o trabalho constante da equipe de eSports da Riot não pode ser esquecido e deve ser lembrado, sendo natural a existência de problemas que demorem mais tempo para serem corrigidos e transformados.

É hora de valorizar ainda mais a estrutura que foi criada e continuar a evolução do nosso cenário, para finalmente batermos de frente com as maiores equipes do mundo.