Atualmente a pergunta que eu mais recebo é a clássica: “Como posso fazer pra entrar no competitivo?“. Honestamente acho que a pergunta deveria ser: “Como é fazer parte do competitivo?

Eu reflito muito sobre esse assunto e mesmo tendo sido deste meio, não existe uma resposta concreta. Minha própria entrada foi uma mistura de acaso com oportunidade, nem de perto foi um padrão.
Cheguei a conclusão que eu não tenho uma resposta pra essas perguntas, mas vou dividir um pouco da minha experiência e dizer o que você vai precisar caso você consiga entrar.

Você vai precisar muito mais de você mesmo do que você sequer imagina.

A partir de agora vou me basear nas minhas experiências e pode até mesmo soar como um desabafo, mas eu duvido que seja tão diferente assim pra qualquer um – ninguém começou no auge.
A primeira pedrada que recebi foi a de lidar com a frustração de falhar. E você vai falhar muito se me permite dizer. Eu sei que não sou tão novo assim e já lidei com muitas falhas ao longo da minha vida, mas essas foram diferentes.

Imagine o seguinte: você passa a semana assistindo jogos, fazendo estudos, procurando informações e jogando. Não é mais uma diversão, é um trabalho. E por ser trabalho, tem que haver dedicação e comprometimento e sem perceber você acaba se afastando das pessoas, e naqueles finais de semana que dava pra sair um pouco, espairecer e relaxar: tem rodada. Adicione a isso que na maioria das situações você não é o favorito e que muitas pessoas vão simplesmente dizer que você vai perder antes mesmo de começar. Não é nada fácil lidar com isso.

E aí vem a derrota. A semana toda de estudos, de concentração, de stress, de foco… agora são uma derrota. E daqui 2 dias tem que começar tudo mais uma vez, da mesma forma e com todo mundo de novo.
Não é fácil manter seu espírito e no caso de um coach/analista erguer esse espirito nos seus jogadores também. São em muitas dessas frustrações que um time quebra, se racha. Garanto que as vitórias são inversamente satisfatórias mas, como eu disse, dificilmente você vai começar com elas.

Foto: Riot Games
Foto: Riot Games

Ainda vou te contar que nem todas as pessoas são tão legais e divertidas quanto te pareciam antes. As piores pessoas que conheci na minha vida, estão envolvidas no competitivo.
Existe uma política envolvida tão podre quanto aquela que vemos na televisão e ou você aprende a jogar ela, ou você vai ser descartado.

Como eu disse: você vai precisar muito mais de você do que você imagina: vai precisar de força de vontade, vai precisar aprender a conviver em muito com você mesmo, vai precisar evoluir pessoalmente pra poder adquirir ou mesmo passar algum conhecimento. E mesmo não sendo efetivamente do meio, ainda tenho que manter as mesmas coisas.

Não foi fácil substituir o Jukaah na KBB e não é fácil ser o substituto do Djoko no Late Game Show. Na maioria dos casos, nem é te dada a chance de se mostrar e você é tido como inferior.

Apesar de tudo, toda essa provação e dificuldade é recompensada em momentos de vitórias e quando você encontra apoio de pessoas que mesmo sem entender muito o porque, te apoiam. Quando você ganhar, vai ser muito mais do que apenas um jogo ou uma série, vai ser uma evolução pessoal e um aprendizado que não estaria disponível em nenhum outro lugar.

No final das contas, eu não sei como você pode entrar no competitivo. Claro, existem peneiras de jogadores e também alguns tryouts de analistas/coach. Mas o que eu sei é que quando essa porta se abrir pra você, o jogo é muito mais do que apenas aquele de Summoner’s Rift.

Isso é só o começo, só uma das mil experiências que você pode ter no competitivo, mas me diz, você acha que consegue? Você tá disposto a passar por muito mais do que eu escrevi aqui pra realizar o seu sonho? Se a resposta for sim, eu te desejo auto controle e muita boa sorte no caminho.