Stewie2K comemora rodada durante o Challengers Stage da IEM Katowice (Foto: Bar Oerbekke/ESL)

Jake “Stewie2K” Yip já está em casa na Team Liquid. O jogador norte-americano destacou a progressão rápido e o respeito que tem nos companheiros da equipe – uma das duas que terminou a fase de grupos da IEM Katowice com o recorde de 3-0.

“Estamos trabalhando muito bem por agora, progredindo bem rápido. Acho que estamos melhorando em jogar como um time, aproveitando um do outro e com uma boa química”, contou em entrevista ao Mais Esports direto de Katowice, na Polônia.

“Somos todos da América do Norte, crescemos jogando nessa região e sabemos como esse estilo funciona. É bem confortável e natural para nós jogarmos juntos”, continuou o jogador.

“Eles têm muito respeito comigo, mesmo que eu não tenha tido que me esforçar para conquistar isso. Chegar em um time novo e eles já te darem ouvidos significa muito para mim”, completou.

PREPARAÇÃO PARA O MUNDIAL

Com pouco tempo para treinar, Stewie2K revelou que o time ainda não conseguiu colocar muitas coisas em prática. A participação no iBUYPOWER Masters IV serviu para testar algumas novas estratégias, mas o leque de opções ainda não está 100% pronto.

“Temos de trabalhar melhor nas estratégias e nas táticas porque não tivemos muito tempo para fazer isso. Foram só duas semanas depois da iBUYPOWER [Masters IV] e, para ser honesto, não sabemos se todas as táticas funcionam, porque colocamos algumas coisas novas e não tivemos tempo para testar. Estamos só tentando tirar o melhor disso”, explicou.

Na Liquid, Stewie2K está substituindo o brasileiro Epitácio “TACO” Filho, conhecido por ser um jogador que se doa para o time e costuma fazer as funções indesejadas. De acordo com Stewie2K, não foi necessário que o time promovesse muitas mudanças para que ele se adaptasse, já que todos jogadores são versáteis.

“Uma coisa interessante desse time é que praticamente todo mundo pode fazer todos os papéis. Talvez o Elige não se sinta muito confortável com a AWP, mas eu sei que ele também pode jogar com ela. Todos os cinco podem jogar de AWP, todos podem fazer os papéis necessários. Não houve mudança de funções, eles me deixam jogar em vários lugares que gosto e ouvem muito do que eu digo”, contou.

CAMPANHA

Entrando como favorita, a Liquid teve um Legends Stage aquém da crítica. Sem grandes dificuldades, os norte-americanos venceram AVANGAR, Ninjas in Pyjamas e Natus Vincere – essa em uma md3 -, sem perder nenhum mapa.

De acordo com Stewie2K, tamanha facilidade não era esperada pelos jogadores – apesar da consciência que a equipe poderia passar com o recorde perfeito.

“Sabíamos que poderíamos ficar 3-0. Estávamos confiantes e esperávamos por alguns contratempos, não imaginávamos que seria tão fácil. Não somos um time por tanto tempo, faz só um mês e não conseguimos implementar muitas coisas ainda. Não jogamos muitos mapas, não temos certeza de onde estamos, mas sabemos que merecemos [estar entre os melhores]”, contou.

Confira a cobertura completa e in-loco do Mais Esports na IEM Katowice

Com a campanha tranquila, vieram também os dias de folga. Desde a sexta, dia de classificação da equipe, até a quinta-feira, do confronto diante da ENCE eSports, são seis dias de diferença. Para Stewie2K, isso tem seu lado negativo.

“Um ou dois dias de folga seria ótimo, mas ter cinco é demais. Principalmente em um país estrangeiro, já que não sabemos o que fazer e não há muito o que fazer por aqui, exceto ficar no computador. Acho que é demais, mas é algo que podemos trabalhar”, explicou.

SAUDADES DE VENCER

Há um ano, Stewie2K foi um dos pilares da conquista do primeiro major norte-americano, vencido pela Cloud9. O jogador não acredita que aquela experiência, apesar de grandiosa, pode ajudá-lo a guiar os companheiros rumo ao título.

“Eu não acho que vencer o major me trouxe experiência no sentido de liderar outra equipe ao título. Todos nesse time sabem o que é necessário para ser um campeão de major, é preciso muita dedicação e tem muito da mentalidade também”, afirmou.

“Você vem para o major, o principal torneio do CS, e todos vem para cá para vencer. Eles vão jogar o seu melhor e não vai ser fácil. Esses azarões, como Renegades, podem não passar, mas eles não vem para brincar. Todos podem vencer aqui”, completou o jogador.

Com Stewie2K não é diferente. Depois de mais de um ano sem levantar o troféu de uma grande competição internacional, o jogador sente saudade da sensação vitoriosa – que não conseguiu encontrar na MIBR.

“No fim, você sempre quer vencer o título. Ganhar um major com a Cloud9 foi uma grande coisa, um grande passo na minha carreira. Caímos depois de algum tempo e eu imaginei que seria melhor arrumar um novo time, um que quisesse vencer o tanto quanto eu queria”, lembrou.

“Os brasileiros queriam, mas nós viemos de dois mundos diferentes e eles não funcionaram juntos. No fim é isso, tem de funcionar. Não há remorso e agora estou de volta para casa. É bem melhor, me dá mais confiança”, completou.

REENCONTRO COM A MIBR

Na IEM Katowice, Liquid e MIBR podem se encontrar apenas na decisão. Em lados opostos da chave, as duas equipes têm de passar por grandes obstáculos para um eventual embate – o que seria especial para Stewie2K.

“Eles decidiram fazer mudanças para abrir espaço para os brasileiros, não há ressentimento, mas, se nos enfrentarmos nesse major, eu vou levar para o lado pessoal”, contou o ex-MIBR.

“Enquanto estivermos no server vai ser pessoal, mas quando tudo acabar, ganhando ou perdendo, não é mais pessoal. Eu vou dar o meu melhor para vencê-los. Eu já avisei ao FalleN que quero enfrentá-los”, finalizou.