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Que o ano de 2018 foi um desastre para a SK Telecom T1, todo mundo já sabe. Park “Untara” Ui-jin e Kang “Blank” Sun-gu não se adaptaram ao posto de titulares, ninguém suficientemente bom foi contratado como reserva e os drafts de Kim “kkOma” Jeong-gyun passaram a ficar suspeitos. Ah, quem lembra do Lee “Wolf” Jae-wan na selva?

Para 2019, porém, a tricampeã mundial não queria nada disso. Tomaram nota da rival kt Rolster e trouxeram Kim “Khan” Dong-ha, Kim “Clid” Tae-min, Park “Teddy” Jin-seong e Cho “Mata” Se-hyeong. Um verdadeiro supertime. Ou time dos sonhos, como a comunidade coreana vem chamando esse roster.

Os torcedores tiveram um gostinho do potencial dos cinco, particularmente após a primeira partida contra a bbq Olivers pela KeSPA Cup. Clid encontrou bons ganks com o Estilingue Elástico do Zac, colocando Teddy e Mata em vantagem suficiente para darem snowball no mapa. A dupla levou todas as Barricadas disponíveis e a equipe finalizou em 22 minutos, emplacando um Perfect Game.

Eles acabaram perdendo para os novatos da Damwon Gaming nas quartas de final, deixando os fãs sedentos por mais. Mesmo em situação altamente favorável para avançar, perderam toda a vantagem construida numa tentativa precoce de Barão. Isso mostra que há ainda muito trabalho a ser feito. Enquanto a etapa não começa, que tal ler quatro narrativas da SKT antes da LCK Spring 2019?

A síndrome dos supertimes

No League of Legends, o histórico não é bom quando se trata da montagem de supertimes. A chinesa Oh My God e a europeia Alliance arriscaram em 2015, apenas para fracassar. A própria Vivo Keyd já tentou algumas vezes. Em solo coreano, a primeira foi a Longzhu Gaming, em 2016, quando recrutaram estrelas de diversas line-ups do cenário. Eles nem ao menos foram aos playoffs. E mais recentemente houve a kt, que apesar de ter ganho uma LCK e chegado à alturas impressionantes, não alcançou o objetivo final de vencer um Mundial.

É aquela velha situação de muito cacique para pouco índio. Os jogadores são de alto calibre, com variadas experiências de como se portar no jogo e, sem dúvidas, egos inflados de conquistas passadas. Fica complicado deixar o orgulho de lado e entrar em acordo numa única filosofia.

No caso da SKT, Khan, Teddy e Lee “Faker” Sang-hyeok eram os principais receptores de recursos dos últimos plantéis que passaram. Clid, por ser um caçador carry, também se enquadra nesse perfil. Será que vão ficar satisfeitos em pegar menos ouro de vez em quando? Com exceção do adcarry, a KeSPA Cup não foi suficiente para decifrar isso.

E quanto ao shotcalling? Faker desempenhou esse papel nos últimos tempos e Khan é muito falante, mas Mata é a opção clara pela fama de comandar os colegas, dizendo exatamente como devem se movimentar, quando utilizar teleportes, entre outros. Contudo, com tantas vozes, o que acontecerá quando alguém discordar de uma chamada?

Na derrota para a DWG, o suporte deu engage no jungler inimigo para zoneá-lo e permitir que fizessem o Barão. Faker pareceu ter entendido errado a jogada e deu follow-up, enquanto o resto estava muito longe para realizar qualquer ação. São essas as situações que podem atormentá-los  —  e kkOma e a nova comissão formada por Lee “Zefa” Jae-min e Kim “Fly” Sang-chul vão ter que quebrar a cabeça para solucioná-las.

Faker ainda se recupera das sequelas do ano passado

Faker é indiscutivelmente o melhor jogador da história. É impossível não dar a ele esse título depois de três Mundiais, dois MSI, seis LCK e inúmeras performances inacreditáveis. Caramba, ainda que não tenha vencido em 2017, ele conseguiu levar os companheiros a uma final de Worlds quase que sozinho.

Isso, no entanto, não significa que teve uma grande temporada em 2018. Não apenas foi momentaneamente para a reserva de Choi “Pirean” Jun-sik, como também cometeu erros incomuns para os próprios padrões. Acabou tornando-se frequente morrer na lojinha ou então jogar de um jeito muito imprudente, em detrimento do grupo. Pirean, claro, não é melhor que Faker, mas funcionava melhor para o que a SKT precisava.

Faker se sentiu sozinho em 2018. Esse não pode mais ser o caso (The Korea Herald)

Tomando como base a KeSPA Cup, Faker ainda se recupera das sequelas do desastroso ano que passou. Jogando quase que exclusivamente de Lissandra, ele tomou múltiplas decisões ruins que o deixaram atrás nos jogos. Contra a APK Prince, por exemplo, usou Caminho Glacial de forma agressiva, sem Mana e com visão de Lee “KaKAO” Byung-kwon. Foi punido e perdeu a vida em três ocasiões. Contra a Damwon, usou Flash pela parede sozinho e foi explodido. Também levou uma solokill de Heo “ShowMaker” Su.

É possível que Faker ainda esteja com a mentalidade de ser o único na SKT capaz de carregar. Foi muito tempo ao lado de jogadores como Untara e Blank. Para a sorte dele, isso já não é mais a realidade. Todos os titulares são bons o suficiente para fazer isso. Ele só precisa ficar tranquilo e fazer o que sempre fez.

Vale lembrar que o supertime da kt só começou realmente a funcionar quando colocou um mid laner confiável para jogar. Ho “PawN” Won-seok não era essa pessoa, então Son “Ucal” Woo-hyeon chegou para salvar a pátria. É muito provável que Faker retorne ao nível máximo e seja o pilar que sustente o time dos sonhos, mas mesmo assim é uma questão que a SKT vai precisar ficar de olho.

Teddy está (finalmente) libertado

A Jin Air Green Wings nunca aspirou por grandes feitos, tradicionalmente adotando um estilo que prioriza o Late Game e figurando a parte de baixo da tabela. Mesmo com nomes como Lee “Kuzan” Seong-hyeok e No “SnowFlower” Hoi-jong, nunca alçou vôos mais altos. Por isso, se houve alguém que esteve no elohell nos últimos dois anos, esse alguém foi Teddy.

Durante esse período, o atirador de vinte anos demonstrou ser o novo verdadeiro carry vindo da LCK. No split de estreia, mesmo estando num time medíocre, ficou estatisticamente atrás apenas dos estabelecidos Bae “Bang” Jun-sik, Kim “Deft” Hyuk-kyu e Kim “PraY” Jong-in.

Mais recentemente, na reta final de um Summer no qual ficaram à beira do rebaixamento, fez de tudo para que não perdessem contra os grandes da liga. Carregou de Ezreal contra a Kingzone DragonX, derrotou por si só a Griffin com Jhin, quase virou a disputa contra a kt por conta própria também de Ezreal e fez o mesmo contra a Gen.G de Varus. Ganhando ou perdendo, ficou claro que Teddy era a única esperança da Jin Air.

Teddy com as cores da SKT (Inven)

Já era hora de Teddy arranjar uma nova casa. E esta ser a SKT foi uma grata surpresa. Quando os rumores começaram a se espalhar, o maior questionamento foi se conseguiria compartilhar recursos  —  afinal, a JAG precisava jogar em volta dele para ter qualquer chance. E a KeSPA Cup mostrou que de fato isso é possível. Ele conquistou vantagens por meio da própria habilidade.

Agora, ele tem companheiros de qualidade para ajudá-lo. Conta, ainda, com nada mais nada menos que Mata como parceiro de bot lane. Alguém que trabalhou com alguns dos melhores atiradores da história e vai aprimorá-lo principalmente na laning phase. Mal dá pra esperar para ver até onde ele vai chegar.

Mudança de filosofia

A SKT sempre teve uma fórmula, uma maneira específica de jogar. Faker se comportaria ofensivamente em lane, fazendo trocas ousadas e mantendo controle da rota. Em volta dele, o caçador atuaria dando apoio, garantindo visão e estando no lugar certo para counterganks. A bot lane, por sua vez, seria passiva  —  na tentativa de dar scale com segurança  — , enquanto o topo geraria pressão visando transferi-la para outros membros. No macro, a ideia era ser lento e constante para depois capitalizar nos erros dos adversários.

Com esse novo plantel, a histórica organização vai ter que adotar uma outra identidade. Isso porque, além de o meta ditar um estilo mais proativo, as contratações naturalmente tendem para esse lado. Clid é um jungler carregador, que assume riscos. Bem diferente de Blank e especialmente Bae “Bengi” Seong-woong.

Khan se enquadra no perfil de indivíduos como Jang “MaRin” Gyeong-hwan e Heo “Huni” Seung-hoon, mas Teddy e Mata vão buscar a prioridade da rota inferior. Algo que Bang e Wolf não faziam. Depois de cinco anos jogando da mesma forma, vai ser interessante observar como vai ser a adaptação deles a um estilo inédito de jogo.

Sinceramente, é bem capaz de não demorar para essa ambientação acontecer. A SKT foi bem devastadora no Early Game durante a KeSPA Cup. No próprio revés para a Damwon, vinham angariando uma bela liderança às custas de Mata. É claro que, posteriormente, entregaram na tentativa do Barão. Isso, entretanto, é algo que com o tempo deve parar de acontecer.