A Uppercut começou bem o CBLoL 2019 mas nas segunda metade do campeonato acabou se perdendo. Os cangurus já amargam oito derrotas seguidas, e o que antes era a vice-liderança da competição, agora virou uma difícil luta para conseguir vaga nos playoffs. Após sofrer sua oitava derrota, os treinadores Erick “Erickão” Cardoso e Rafael “RafaP” Pinheiro falaram sobre a atual fase da equipe, pressão da torcida e mais. confira:

*A coletiva da Uppercut começa aos 5:08

 

RafaP, como têm sido para vocês superar essa fase ruim da Uppercut? O que acham que aconteceu com a equipe, que começou o campeonato muito bem, mas agora já amarga sua 8° derrota consecutiva?

RafaP: Mesmo nas vitórias eu sempre vinha aqui e “estamos longe”, eu vim aqui e falei “olha estamos jogando pra caramba”, nunca vim aqui e falei isso. Eu tinha a certeza que a gente estava falhando em muitas coisas só que os times adversários não estavam punindo em nada e muito erro bobo dos caras nós estávamos punindo hard e ganhando o jogo, foi assim nos primeiros seis jogos. Sinto que a gente também tem que falar a verdade, o primeiro jogo contra a Keyd não era um jogo que era para termos ganho e aquele jogo do Flamengo também não era para a gente ter perdido. Então eu sinto que a primeira semana o 6-1 ele foi um pouco acima, parecia que a gente era um time melhor do que realmente éramos e também aconteceu uma coisa muito estranha, eu posso falar isso como região, não sinto que treinamos o 100%, acho que ninguém treina 100%, acabei de ver uma entrevista do Von onde ele fala que às vezes o time faz muita coisa sem saber o que está fazendo e os caras têm essa leitura de “pô nos treinos os caras estão fazendo o no palco não”.

Acho que a gente treina muito mal, na semana que a gente treinou melhor, que eu cheguei em casa na sexta-feira e fui dormir bem foi a semana que fomos pior, que foi aquela semana que perdemos para a Progaming e CNB. Aquela semana nós treinamos muito bem, foi a semana que melhoramos muito como time e eu acho que a derrota para a PRG talvez trouxe uma tensão que talvez não precisássemos carregar. Isso muda muito de jogador para jogador, de staff para staff, mas, por exemplo, eu amo pressão, eu gosto de pressão, quanto mais difícil para mim mais divertido é, eu trabalho para situações difíceis e amo isso. Estou em uma situação que não gostaria de estar mas eu vou tirar coisas boas disso, talvez nem todo mundo tem essa mentalidade de tirar o melhor do pior e a gente estava uma pressão negativa muito grande em cima de resultado.

Hoje a gente precisa ganhar um jogo para a gente voltar pensar claramente o que fazer dentro do jogo. De ontem pra hoje nós melhoramos uma coisa que vai fazer muita diferença para a próxima semana, mas em compensação se treinarmos mal provavelmente vamos perder isso que melhoramos de hoje para amanhã então tudo vai ser em torno da semana.

Pela atual situação do Flamengo e olhando o quão bem estão jogando, perder para eles pesa menos que para outras equipes?

Erickão: Foi algo que estávamos conversando hoje, quando você fala de três jogos contra o mesmo time, você tem que pensar em ficar 2-1 ou 3-0, os únicos times que não ultrapassamos mais é o Flamengo que ficamos 3-0 e a Keyd que ficamos 1-2, todos os outros estamos 1-1 no momento, então se ganharmos os próximos quatro jogos continuamos dependendo só de nós mesmos para chegarmos nos playoffs. A sequência é ruim porque as derrotas são em sequência, se fossem espaçadas com certeza a torcida não estaria ligando e essa pressão seria muito diluída. Como tivemos uma primeira metade muito boa e uma segunda muito ruim o peso intensifica bem mais.

RafaP: O que ele falou em relação a organização funciona, mas falando apenas por mim qualquer derrota é derrota e eu quero ganhar de todo mundo, pode ser Flamengo ou SKT, se eu perder vou ficar puto do mesmo jeito. Mas do ponto de vista da organização o que o Erickao falou está 100% certo.

De que forma a cobrança da torcida influência diretamente os jogadores, sejam nos treinos ou aqui no palco do CBLoL?

RafaP: Eu vou dar um exemplo da KLG que se encaixa melhor. No MSI nós não tivemos uma regra, em torneios internacionais funciona assim: você joga as 12:00, come um pão ou almoça e volta as 14:00 para definir sua vida, as vezes você perde um jogo e a próxima partida já é tipo a decisão. Nesse período muita gente dava blame nos jogadores, e esse grupo de jogadores gostavam disso porque se sentiam desafiados e voltavam melhor. Eu não posso dar o exemplo da KaBuM, só eles podem responder por eles mesmos, mas eu sentido que na participação deles foi o contrário, eles tomavam blame e afundavam mais.

Dentro da Uppercut é metade metade, tem gente que toma hate e se sente desafiado a voltar melhor e outros não. Sendo sincero, eu acho que se o torcedor te dá hate é porque ele se importa, eu prefiro ele se importando. Se tivermos que receber hate nós escutamos, eu leio e se for algo interessante eu até converso com o torcedor, se for algo do tipo “você é um lixo” eu não posso fazer nada, só vou ler e pronto. O nosso problema principal nem é isso, eu sinto que estamos uma tela preta em relação a várias janelas de jogadas que podemos fazer, mas estamos com medo por causa de uma sequência de derrotas.

De que forma a organização pode trabalhar os jogadores para que eles não fiquem “perdidos” nessa situação?

RafaP: É muito difícil pra mim colocar uma regra do tipo “não entra na internet”, o jogo sem si já é online. Outra coisa que não prestamos muita atenção é que é um esporte muito novo, se tem esporte de 100 anos ai que o cara não está sabendo lidar bem com mídia social, tem vários exemplos no futebol, imagina nós que somos novos em um esporte muito novo. Dentro da minha velhice (tenho 30 anos) costumo chegar para o jogador e falar “olha hoje não é um dia legal pra tu ler essas coisas, vai em um shopping, assiste um filme e amanhã tu lê isso, vai se sentir melhor”, mas se o jogador quiser ir lá ver eu não posso fazer nada.

Vocês passaram por uma situação difícil na Brave, mas a situação da Uppercut é muito difícil porque são várias derrotas em sequência e não “espaçadas”. Como vocês comparam essas duas situações? A situação atual é a pior que vocês já passaram?

RafaP: Não dá para eu me comparar com o Rafael da Brave porque eu era muito ruim e muito novo, eu era péssimo. Outra coisa, eu achei que montamos um time muito novo em uma competição que só tinha dinossauro na época, era todo mundo velho de três anos no cenário. Eu acho que faltou um cara mais experiente em uma posição que segurasse mais o jogo. Vou dar um exemplo, o nosso jogador mais experiente era o Thulz, mas claramente ele não tinha condição técnica de jogar o campeonato, claramente nós sempre saíamos atrás no draft porque um jogador não tinha condições de jogar o campeonato. Na Uppercut eu vejo os cinco jogadores com muito potencial de se tornarem os melhores jogadores em suas posições, caso se dediquem. É muito diferente, eu era muito ruim não tem como, em 2017 eu era muito ruim.

A próxima partida da Uppercut será contra a ProGaming no dia 16 de março. Você pode acompanhar a cobertura completa do CBLoL 2019 aqui no Mais Esports.