A primeira temporada da liga de Rainbow Six Siege do Mad Hatter se encaminha para a metade final neste sábado (29). A partir das 16h (de Brasília), o Dia #3 dará início no que podemos chamar de segundo turno da fase regular uma vez que teremos apenas mais uma rodada antes das finais dessa etapa intermediária que faz parte do circuito feminino promovido pela BBL.

O roteiro foi bem claro até o momento: as equipes com mais experiência se deram melhor na rodada da estreia, mas depois presenciamos a evolução de outros times, como a Athena’s e-Sports, o que resultou num Dia #2 com séries bastante acirradas.

O próximo capítulo desse torneio não tem como fugir de um spoiler: as equipes sabem que precisam surpreender na metade final do Mad Hatter. É lidar com o meio-termo, afinal, é preciso fazer um jogo diferencial para se consolidar de vez na parte de cima da tabela, mas sem necessariamente usar todas as cartas da manga – até mesmo porque é preciso surpreender no chaveamento das finais pelo Dia #5.

É um dilema compreensível na visão de LittleVelma, narradora do Mad Hatter. “Até que ponto vale a pena liderar com diferença esmagadora e até que ponto vale a pena esconder as formas de jogo?”, questionou em entrevista exclusiva ao Mais Esports. “Temos a BRC liderando com uma diferença que já se mostra bastante confortável, por outro lado vem fornecendo material de estudo e aprendizagem para as outras adversárias.”

“Mas, pesos e medidas não valem só para esse lado: até que ponto vale a pena ficar quebrando a cabeça e estudando as adversárias ou ainda tentando inovar no âmbito de táticas se o famoso “feijão com arroz do Siege” também se mostra válido quando bem executado. Estamos na metade, hora de colocar os pingos nos “I”s.”

A ÚLTIMA RODADA

O Dia #2 do Mad Hatter contou com sete equipes registradas no último sábado (22). Dessa forma, a rodada começou a partir das quartas de final e permitiu que um dos times, no caso a Brazilian Crusaders, avançasse já que no sorteio acabou caindo contra ninguém.

A Team Vortex, sexta colocada, mais uma vez caiu logo no primeiro confronto da rodada: dessa vez para a Resilience E-Sports. Quem também ainda não venceu nenhuma partida no campeonato foi a penúltima colocada ProBono E-Sports, que perdeu para Athena’s e-Sports.

“Como a nossa line-up é relativamente nova, ainda estamos buscando todos os encaixes perfeitos para o time, tanto nas táticas quanto em posicionamentos”, admitiu Nathalia “Naath” Penteado, jogadora da ProBono. “Todos os treinos são totalmente voltados pra essa melhora da equipe. Então acredito que, quando menos esperarem, vamos surpreender.”

O confronto entre Team Brave Soldiers e MedusaPlayers não aconteceu por questões internas que atrapalharam a TBS, como lamentou Larissa”Chl0e”Kimie. “Nós temos consciência de que poderíamos ter feito muitos pontos, mas paciência acontece.”

Assim, nas semifinais, primeiro tivemos o duelo entre BRC e RSL – o maior clássico do cenário feminino atualmente. A Resilience levou a pior e de forma até surpreendente como se deu a derrota, já que o time levou um 5 a 1 enquanto estava no ataque – que é o seu principal ponto forte.

“Infelizmente elas nos pegaram desprevenidas em um mapa [Litoral] que não temos preferência de jogar”, comentou Bruna “Bruna” Bessow. “Creio que houve muitos erros, mas também estamos guardando muitas coisas pras finais tanto da BBL quanto do Circuito.”

Do outro lado da chave, a Athena’s superou a MedusaPlayers num jogo bastante disputado e que foi vencido muito no controle emocional. Ali já estava desenhado claramente a proposta ofensiva que a equipe havia apostado para aquela rodada – o que não necessariamente pode ser visto neste final de semana novamente, como antecipou Paula “PauleteZ” Nogueira.

“É muito situacional, depende demais da equipe que você tá jogando. Nem sempre agressivar é bom, às vezes pode ser um tiro no pé. Acho que depende muito de partida para partida. Vamos fazer o que acharmos melhor em cada situação até porque nosso time também sabe jogar bem recuado e um pouco mais passivo.”

Na finalíssima, a Brazilian Crusaders suou bastante para vencer a Athena’s por 2 a 0. Foi uma série bastante disputada e com muitas reviravoltas. Foi um jogo no qual as individualidades fizeram a diferença, como foi o caso de Thainara “Thaii” Julio.

A entry fragger da BRC brilhou em pelo menos um round de cada mapa para desestabilizar a equipe adversária. Foi como em Fronteira, quando ela pulou pela janela, avançou pra cozinha e conseguiu três eliminações em sequência – o que quebrou o ataque inimigo.

“Eu só tinha a call que tinha muita gente na cozinha e confiei na minha play. O que mais me ajuda nessas jogadas são as call das minha parceiras do time e também eu acreditar que vai dar certo. Se eu estou confiante de alguma play eu pego e vou”, comentou a jogadora – que deve ser mais marcada a partir de agora.

Quem chamou a responsabilidade em vários momentos por parte da Athena’s e deverá receber atenção especial das adversárias também é Beatriz “yElektra” Silva. Ela fez rotações que já haviam complicado a vida da Medusa anteriormente e que deram muito trabalho para a BRC.

A própria entry fragger admitiu que talvez não seja tão incisiva nas rotações para o Dia #3. “Eu acredito que será diferente, talvez começar com calma e ver o ritmo das partidas, a maneira como meu time se comporta e a fragilidade do time adversário. Provavelmente não insistirei tanto em adotar o mesmo estilo do último jogo. Inovar sempre é bom!”

AS EXPECTATIVAS

A terceira rodada do Mad Hatter coloca em xeque a capacidade das equipes de surpreenderem os adversários, mas sem entregar táticas que certamente farão a diferença para as finais do campeonato.

PauleteZ acredita que este final de semana será muito pautado num estilo reativo por parte dos times. “Depende muito da equipe e do jogo. Da mesma forma que surpreendemos, podemos ser surpreendidas. Então temos que ter um pouco de cautela e cuidado. Saber ler o jogo e pensar na melhor forma de agir dentro dele.”

Questionada sobre como a Athena’s poderia exatamente surpreender e continuar a boa fase, a suporte deu um possível recado para as adversárias mesmo que em tom de brincadeira. “Não sei, quem sabe a gente não coloca a Lara pra jogar de Caveira? Não sei se isso iria surpreender tanto, mas não sei se temos uma fórmula também.”

Também suporte, Maria “russa” Clara, da BRC, vê que este Dia #3 deixará as equipes que estiverem atacando em posição mais de variação comparado a quem estiver na defesa. “Na maior parte dos mapas é mais fácil estudar táticas de defesa. O ataque pode ser mais flexível.”

Esse raciocínio até veio na hora de responder à reportagem sobre se estava preocupada que muito material da Brazilian Crusaders estava disponível por conta das transmissões dos torneios de BBL e Ubisoft.

“Geramos muito material de estudo para os outros times, mas a gente sempre tenta fazer a leitura do ataque deles com algumas coisas que a gente estuda pelo mapa em partida personalizada”, comentou russa. É trabalhar com uma mesma tática sem alterar por completo, “mas sempre ter algo novo. Sempre tentamos usar algo novo contra cada time por mais que seja a mesma tática.”

Se o favoritismo de ambas as equipes predominar, é bem possível que BRC e RSL se enfrentem novamente em algum momento da terceira rodada. Suely “Suzinha” Carvalhaes, da Resilience, já sabe o que esperar do clássico. “O confronto será bem acirrado. Estamos estudando bastante elas e são pequenos detalhes que não nos levam ao topo.”

Falando em topo, Suzinha não vê como problema o fato de a Athena’s e-Sports ter se consolidado na vice-liderança do Mad Hatter na última rodada e despontar como uma das forças que podem quebrar com essa polarização do cenário feminino.

“Não consideramos uma pressão. Quando se quer estar no topo não pode existir isso de pressão porque atrapalha muito no desempenho. Não nos prendemos a evolução alheia, apenas trabalhamos para nossa evolução.”

O mesmo discurso é visto por parte da BRC – como reforçou o pensamento de Thaii. “Eu acredito que nosso time está bem preparado para disparar na frente, mas também vejo que, em qualquer deslize nosso, elas encostam. O potencial da Athenas e da Resilience é bem alto.”

Até antes do início do Mad Hatter, uma equipe vista pela comunidade como forte candidata a quebrar essa polarização entre BRC e RSL era a Team Brave Soldiers. Questionada pela reportagem se o Dia #3 serviria como finalmente a rodada de consolidação da equipe para chegar firme na parte de cima da tabela, Chl0e se mostrou bem sossegada.
“A gente sequer enxerga essa ‘polarização’, então é sempre bem tranquilo. Daremos o melhor. Estamos no foco de jogar juntas e pegar entrosamento para conseguir os resultados. Final é consequência.”

Segundo a jogadora, a TBS vem forte porque investiu nesta semana em corrigir os “erros individuais, coletivos e em relação a funções que com nova formação é difícil de encaixar como queremos. Vamos ter muitas mudanças de funções na line.”

É uma rodada importante para todas as equipes – ainda mais para as que estão na parte de baixo da tabela. A Badgers Elite, última colocada, passou por reformulações – que até comprometeram o desempenho inicial do time no Mad Hatter.

Com mais tempo de experiência, a Badgers se vê em condições de vencer a primeira partida no campeonato – como reforçou a capitã Sedalla “Reender” Souza. “Os resultados vêm sendo negativos, mas nós estamos fazendo o possível pra melhorar e acertar pontos que constantemente possamos estar errando.”

“Vejo muito esforço na nossa line. Meninas que trabalham muito, estudam muito ou que fazem os dois, mas vejo todas nós nos esforçando, tanto pra treino quanto pra circuito. E acredito que todo esse esforço vai ser recompensado. Dias melhores virão, afinal, pra todo acerto existe um erro.”

Quem também está na fase de colher os frutos que plantou é a Team Vortex. A equipe fez mudanças recentes na line-up, então o discurso é que se trata de questão de tempo para os resultados aparecerem.

“Agora com a nossa organização em novos ares e novas meninas na equipe, podemos sentir o que estamos conquistando aos poucos”, pontuou Aline “Linazoka” Parisio. “Estamos treinando intensamente e buscando trabalhar juntas cada vez mais. Acredito que esse seja o forte da nossa equipe.”

CLASSIFICAÇÃO GERAL

AGENDA E TRANSMISSÃO

As partidas da terceira rodada do Mad Hatter vão ocorrer neste sábado (29) a partir das 16h (de Brasília), com transmissão das partidas desde a primeira fase do chaveamento – e de forma sorteada. Importante destacar que um jogo será transmitido enquanto os outros rolam paralelamente sem live. A partir das semifinais que todos os confrontos serão transmitidos.

A transmissão ocorre nos canais oficiais da BBL, com narração de LittleVelma e comentários de Victória Rodrigues e Filipa Antunes.

SEMPRE BOM LEMBRAR

O Mad Hatter é a etapa intermediária do circuito feminino promovido pela BBL e que dá vaga para o Queen of Hearts, competição premium com premiação total de R$ 23 mil. No caso de R6, os jogos serão sempre aos sábados a partir das 16h (de Brasília). Teremos duas temporadas ao todo, com dez finais de semana de confrontos.

Para mais informações, basta acessar o resumo do Mais Esports.