A primeira temporada do Mad Hatter, etapa intermediária do Circuito Feminino BBL (CFB), teve como grande campeã a line-up da Squadson Gaming – que antes defendia a Brazilian Crusaders. O título veio após a vitória em cima da RedWolf e-Sports no último sábado (13) por 2 a 0.

Antes mesmo do início do campeonato, muita gente já colocava o time formado por Myllena “Myss1” Almeida, Thainara “Thaii” Julio, Danielle “Cherna” Andrade, Lara “Lara” Beatriz e Maria “russa” Clara como fortes candidatas para levar a premiação de R$ 2,5 mil.

As expectativas foram confirmadas não só pelo título em si, mas pela forma como veio: apenas uma derrota em todas as rodadas disputadas em cinco semanas de confrontos.

Antes de comentar sobre a campanha vitoriosa, porém, a Squadson preferiu exaltar o cenário feminino como um todo – como reforçou o discurso Myss1 em entrevista exclusiva ao Mais Esports.

“Vi muitas meninas se dedicando e conhecendo mais e mais do competitivo, além de fazer com que as meninas se entrosassem mais – e não somente do mesmo time”, comentou a entry fragger, reforçando confrontos que foram mais recorrentes – como Athena’s e-Sports e Medusa Players.

“Quero muito que essa paixão por competir cresça mais até chegarem mais e mais mulheres na elite do cenário profissional.”

Para a suporte Lara, a transmissão realizada nos estúdios da BBL para as finais com trabalhos de LittleVelma e Filipa Antunes também foi fundamental nesse aspecto. “A live diferente e descontraída das meninas deixou tudo mais leve e interessante.”

As partidas já contavam com mulheres na transmissão, mas tudo feito de forma community. Além das duas casters, quem também sempre era escalada nas transmissões era Victória Rodrigues – que passou a comentar as partidas da Série B do Brasileirão de R6 ao lado de Otávio “Retalha” Ceschi.

Toda essa preocupação que o Mad Hatter trouxe para as transmissões fez a diferença na visão de Lara. “O Mad Hatter está ajudando pra caramba o cenário. A BBL está fazendo um trabalho ótimo chamando atenção do público pro nosso cenário. ”

A CAMPANHA DO TÍTULO

Vencer a primeira temporada do MH ajudou no objetivo maior que é se classificar para o evento premium do CFB – o Queen of Hearts, com premiação de R$ 23 mil. Myss1 não escondeu a satisfação em praticamente ter colocado os dois pés na competição mais importante do circuito.

“A sensação de vencer essa primeira temporada foi ótima, pois ficamos mais tranquilas quanto a classificação para o Queen of Hearts. Eu, as meninas e o Trakinas [coach] nos dedicamos muito pra sempre trazer nosso melhor em todos os games. Vejo sempre uma melhora na nossa gameplay.”

Capitã da Squadson, Myss1 comentou sobre jogar com as expectativas de boa parte da comunidade que apostava no título delas por tudo o que a line-up já conquistou até agora como um todo no cenário feminino.

“Eu e as meninas acabamos nos acostumando com algumas pessoas apostando muito na nossa line. Isso, querendo ou não, nos traz felicidade por saber que confiam em nós. Muitas vezes nos víamos na obrigação de vencer, mas, independente do nosso resultado, sempre levamos na cabeça que tentamos.”

Questionada pela reportagem como a Squadson consegue se manter sempre no topo do cenário feminino, russa foi bem direta: treinos e estudos. “Acho que além de treinarmos muito, também estudamos os times. O que eles fazem e o que podemos ir mudando pra counterar. Acho também que a frequência alta de treinos nos ajudou a ter uma leitura mais rápida.”

É preciso olhar para uma jogadora em específico em meio a essa campanha vitoriosa da Squadson pelo Mad Hatter: a entry fragger Thaii. Ela muitas vezes serviu como ponta de lança da equipe durante as partidas com tomadas de decisões que causavam muito estrago em questão de instantes ao decorrer das rodadas.

“Eu não sei nem o que dizer sobre isso. Fico muito feliz em ter tido esse desempenho. Isso só me motiva mais para os próximos campeonatos. É uma das coisas mais gratificantes em ter conquistado”, comentou a pro player.

Quando um round estava bem equilibrado, muitas vezes era Thaii quem agressivava – fosse no ataque ou na defesa – para chamar kills e trazer a vantagem para a Squadson. Muitas vezes ela chamava quatro abates em sequência. Pelo Dia #4, inclusive, diante da RedWolf em plena final, ela conseguiu um ace.

De acordo com a própria entry fragger, isso envolve muita coordenação com a equipe. Por mais que ela se destaque individualmente, não seria possível sem a ajuda das companheiras. “O coletivo é uma das partes mais importantes para eu ter esse desempenho. As calls das meninas [Cherna, Lara e Russa] é o que me dá certeza em avançar ou ficar recuada. Também a Myss1, que avança juntamente e me ajuda a matar.”

Thaii só resolve se arriscar sozinha quando realmente é necessário. “O individual vem sempre quando não tenho call nenhuma. Vou lá, puxo uma câmera e escuto muito o jogo. Fora a confiança e a certeza que sempre têm que ter para fazer uma jogada.”

Outra jogadora que também se destacou bastante, mesmo sendo suporte, foi Lara. Ela era a jogada mais consistente da Squadson no Mad Hatter. Muitas vezes a pro player chamou a responsabilidade e segurou a bronca para salvar rodadas – mesmo quando perdia sua fiel companheira russa.

Na grande decisão, inclusive, Lara protagonizou o momento mais emocionante da série diante da RedWolf, quando arrancou nada menos que um ace em meio à um clutch. A jogadora comemorou demais esse momento.

“Aquele ace foi loucura. Time todo começou a morrer do nada, Russinha caiu da partida e, depois que todo mundo morreu, eu pensei ‘Será que dá pra fazer um clutch aqui?’ e só me concentrei mesmo. Eu não tinha mais call de nada e tudo foi pelo som. Nunca vi o TS tão em silêncio assim.”

Como a jogada na perspectiva da própria pro player reforçou, Lara não se conteve quando conseguiu o ace. “O grito foi mais um alívio de ter conseguido finalizar. Depois de ter feito o 4k, sobrou uma última adversária e, pelo som, sabia onde ela tava. Tentei trocar tiro no momento mais vantajoso pra mim. Acabou que dando certo.”

VAMO QUE VAMO

A Squadson Gaming não tem nem tempo direito de comemorar o título do Mad Hatter. O cenário feminino de R6 está à todo vapor com várias partidas e qualificatórios envolvendo o CBF e o Circuito Feminino da Ubisoft.

Para Cherna, esse é o momento no qual a line-up precisa estar mais concentrada do que nunca tendo em vista todos os compromissos. “Estou calma. Estamos realizando vários trabalhos em time, não só em questão de táticas e sim psicológico. Tenho certeza que muitos campeonatos estão por vir.”

A rotina das jogadoras está bem mais puxada às vésperas dos momentos mais decisivos desses circuitos, como explicou russa. “A preparação [para o Mad Hatter] vem assim como está sendo a preparação para o circuito presencial da Ubi: andamos treinando o dobro que treinávamos antes com apenas um dia de descanso. Estamos focadas demais!”

Em termos de Mad Hatter, a segunda temporada pela liga de R6 estreia em 27 de setembro – a partir das 16h. As inscrições já estão abertas, basta acessar aqui.

CHAVEAMENTO FINAL

CLASSIFICAÇÃO GERAL

A pontuação da primeira temporada do Mad Hatter será somada com a da segunda season. As seis melhores equipes se classificam para o Queen of Hearts. Duas outras vagas serão definidas via qualificatório aberto ainda a ser anunciado pela BBL.