No mundo dos esportes tradicionais, há muitos times ou jogadores que parecem inabaláveis. Aqueles que, independente da situação, se mostram resistentes ao tempo. O Real Madrid, constantemente vencendo a Liga dos Campeões, vem em mente. LeBron James, no basquete, é outro nome. Até Olof “olofmeister” Kajbjer, no Counter-Strike, está aí até hoje numa sequência de treze status Legend em Majors.

Esses exemplos se reinventam ano após ano, seja por meio de contratações ou simplesmente espírito de campeão. Batem recordes e acumulam vitórias, às vezes contra todas as expectativas, saindo de situações que acabam vistas como milagres. Mas na realidade é pura clutch play e grandeza.

Essa era a SK Telecom T1 para o League of Legends. A melhor organização da história, detentora de três títulos mundiais e seis taças domésticas. Casa de Lee “Faker” Sang-hyeok, o melhor jogador de todos os tempos, e aparentemente irrefreável. Pelo menos até esse ano.

A terceira vitória de Mundial. Também a última. (Jeremy Wacker)

2018 foi um fracasso para a SKT. Muitos comparam com 2014, quando também não classificaram para o Mundial na Coréia do Sul, mas pelo menos naquela vez eles ganharam um título. Agora não chegaram nem perto. Ficaram em quarto na fase regular do Spring  —  por pouco não perdendo a vaga de playoffs para a ROX Tigers (agora Hanwha Life Esports)  —  e, no Summer, de fato terminaram em sétimo.

Todos os rivais do ano passado, de alguma forma, também ultrapassaram a equipe. kt Rolster, que não conseguira uma única vitória sobre Bae “Bang” Jun-sik e companhia, foi superior na maioria dos confrontos desta temporada e terminou campeã da LCK. Gen.G, algoz da última final mundial, foi responsável por destruir os sonhos de Worlds da SKT. Até a Kingzone DragonX, que caiu muito de produção após o Mid Season Invitational, foi devastadora nos confrontos diretos.

O estranho é que o nível da SKT já vinha em descensão desde o meio de 2017. Chegaram na final do Summer Split e do Mundial, mas era evidente que o mérito não era exatamente deles. Faker foi capaz de carregar quatro corpos sem vida até a beira da linha de chegada, com vitórias apertadas contra Misfits e Royal Never Give Up. Fosse qualquer outro jogador no lugar dele, certamente teriam sido eliminados nas quartas.

Diante da derrota, os multicampeões se desfizeram de Heo “Huni” Seung-hoon e Han “Peanut” Wang-ho. Houve rumores de que tentaram a aquisição de nomes como Jung “Impact” Eon-yeong, Kim “Ssumday” Chan-ho e Jang “MaRin” Gyeong-hwan, mas sem sucesso. No fim da janela de transferências, só anunciaram os novatos Park “Thal” Kwon-hyuk, Park “Blossom” Beom-chan e Lee “Effort” Sang-ho.

O roster de dez homens da SKT para 2018 (OGN)

A falta de contratações logo se mostrou perigosa e a SKT se afundou em uma série de derrotas. Park “Untara” Ui-jin foi simplesmente terrível no Spring e eles tiveram que alternar entre ele e o novo reserva. Kang “Blank” Sun-gu também passou a etapa em má fase, então o suporte Lee “Wolf” Jae-wan competiu como caçador por algumas partidas. Até Faker jogou de forma inconstante. Tamanha era a bagunça na line-up.

O Summer também começou de forma conturbada, chegando ao ponto de usarem o time B  — ou seja, todos novatos  —  em partida contra a MVP. Thal, Blossom, Choi “Pirean” Jun-sik, Han “Leo” Gyeo-re e Effort acabaram perdendo, mas se saíram até melhores que a formação principal. Foi aqui que começou-se a questionar os julgamentos de Kim “kkOma” Jeong-gyun.

Em primeiro lugar, era incompreensível que uma potência como a SKT não conseguira jogadores de ponta. Quando perderam MaRin, trouxeram Lee “Duke” Ho-seong e depois deste veio Huni. Como de repente ficaram satisfeitos com Untara e Thal? Depois, a dúvida passou a ser referente às constantes mudanças na escalação: como recuperariam a sinergia se não determinassem os cinco titulares? E obviamente, quando o meta mudou e o funneling ficou popular, ninguém entendeu o porquê de não jogarem em volta de Faker.

Nesse momento, ficou claro que estavam tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Possivelmente pensaram que a genialidade do mid laner fosse suficiente para tapar buracos enquanto resolviam outras questões. Mas ensinar macro a vários estreantes e aprender táticas inéditas provou ser tarefa árdua demais. Talvez só precisassem achar um estilo próprio e seguir com ele.

A SKT ainda passaria por dificuldades até a quinta semana do split. Haviam acabado de perder para a rival da telecomunicação, numa partida que estava nas mãos e deixaram escapar. Isso vinha acontecendo muito até então. Mas numa alteração improvável, Pirean mandou Faker para o banco e o time começou a reagir. Venceram um HLE em ascensão, bbq Olivers, Jin Air Green Wings e, de forma mais impressionante, Gen.G.

Pirean jogou genuinamente bem nessa sequência de vitórias. Para um jogador subestimado na América do Norte, os desempenhos com Swain e LeBlanc foram de cair o queixo. Até Blank parecia mais solto com o novo parceiro. Mas o calendário depois disso ficou mais duro, com duelos contra Griffin, Afreeca Freecs e KZ pela frente, e no fim a SKT ficou fora dos playoffs.

“Ainda dá pra SKT ir pro Mundial?” foi a pergunta que mais ecoou nas redes sociais após a eliminação. Normalmente isso é apenas um meme, mas dessa vez o risco era real. Eles precisavam melhorar de forma urgente ou então ficariam de fora mais uma vez do campeonato em solo nacional.

Assim como em 2014, Faker falhou em classificar a SKT para o Mundial. Mas dessa vez foi ainda pior (SpoTV)

Já não é novidade que falharam. Perderam a Final Regional da Coréia na semana passada, quando foram eliminados por 3 a 2 para a Gen.G. Caíram logo de primeira, o que os impossibilitou de participar do torneio mais importante do ano. E mais uma vez tomaram decisões inexplicáveis: depois de exatos seis meses no banco, Untara voltou para jogar quase que exclusivamente de Ornn. Thal não conseguiria manejar o campeão?

Onde você estava quando a SKT foi morta? Isto é, pelo menos como é conhecida atualmente. Pecaram de forma desmesurada, com escolhas duvidosas sobre o roster e desenvolvendo vagarosamente o gameplay. No momento, não é nem sabido se vão manter Faker e Bang, cujos contratos acabam em novembro. Mas não está fora de cogitação uma volta por cima e a recuperação da coroa de melhor esquadrão. Só vai depender de como se portam na offseason em diante.