Na vida, temos certeza de somente duas coisas: A primeira é a morte; a segunda são as mudanças do META dentro de cenário competitivos. Atualizações podem influenciar logo de cara como as equipes irão se comportar dentro de jogo ou, considerando um espaço maior de tempo, uma sequência de mudanças pode ocasionar novidades nas estratégias escolhidas. E isso é absolutamente normal e saudável, sendo, inclusive, uma das características mais importantes dos esports.

E em meio a esse pagode de atualizações, os novos tempos do Overwatch chegaram com o 2-2-2, forçando inovações táticas nos times. O pensamento imediato? Jogávamos com heróis que possuíam maior quantidade de vida e podiam se movimentar em massa, controlando espaços em linha reta no mapa, tendo um responsável por controle de terreno elevado – geralmente Lúcio ou D.Va – e amassando o oponente. Então… vamos substituir D.Va e um terceiro suporte por Mei e Reaper, que são heróis DPS mais parrudos, e colocar Orisa, que está muito forte e com mobilidade melhorada, como tanque principal, mantendo principalmente o Lúcio pra auxiliar Reaper e Mei a fazerem o controle de mapa. Claro que a execução é mais detalhada do que o resumo apresentado, mas dá pra ter uma noção do pensamento por trás da migração tática de curto prazo.

E funcionou muito bem. Roadhog apareceu também, tanto pela capacidade de combinar o Parados da Orisa com seu gancho quanto pela possibilidade de permanecer vivo sozinho e emplacar muito dano com sua suprema, Cair Matando, somada a um estimulante ou amplificador de Orisa. Porém, a principal adaptação ao META que começou a surgir com o 2-2-2 com certeza foi o Hanzo. Sim, o relativamente esquecido irmão Shimada deu as caras de novo e operou milagres. Times de fundo de tabela se recuperaram em grande parte por conta do herói, jogadas incríveis foram testemunhadas ao vivo na Overwatch League e, mais recentemente, o mapa que definiu o grande campeão da Overwatch Contenders América do Sul foi definido praticamente por conta de um Hanzo e um Liko enfurecido. Por conta dessa importância cada vez maior, hoje analiso as razões do arqueiro japonês estar ganhando espaço nas composições do META, em quais situações ele deve aparecer e em quem devemos ficar de olho para acompanhar a nata da flechada! Bora lá!

Orisa
Caiu no Parados? Bye, bye! | Fonte: Jogazera

• Entre razões e emoções…

A saída é fazer valer a pena! E é exatamente isso que os jogadores estão conseguindo, seja a escolha do arqueiro baseada em feeling ou em estratégia pré-determinada. Aliás, falando em estratégia prévia, o Hanzão da massa é muito viável por conta de uma série de fatores: mobilidade alta para contestação de terrenos elevados e utilização de flancos, alto dano em pouco tempo para explosão de escudos de Orisa – ou da própria Orisa -, capacidade de anular em uma flechada os DPSs mais parrudos que estão sendo utilizados – como Reaper e Mei -, habilidade suprema que pode ser extremamente bem combinada com o parados de sua Orisa aliada e ainda é carregada com mais rapidez em comparação ao Desabrochar da Morte do Reaper ou Nevasca da Mei. Além disso, o Shimada é uma boa escolha para implementação do Estimulante da Ana, dependendo da proposta de luta, a fim de potencializar ainda mais todas as funções descritas acima. Parece confuso, então vamos passo por passo.

Levando em consideração a principal estratégia do momento, apresentada no início do texto, os terrenos elevados são alvo usualmente de um teleporte de Reaper ou, no máximo, de uma D.Va que vá até ele pra contestar alguém que já está lá. Portanto, o Hanzo é uma ótima opção para lidar com qualquer caso que possa acontecer envolvendo tais heróis e os famigerados high grounds. Caso o Hanzo já esteja em alguma dessas posições, o ceifador adversário NUNCA irá dar um teleporte na cara do hanzo, pois é muito fácil acertar uma flechada na boca do inimigo enquanto ele estiver brevemente parado. Além disso, uma D.Va que vá contestar tal Hanzo no terreno elevado precisará gastar toda sua Matriz Defensiva para não ser derretida, o que já gera um bom valor a favor do time do Hanzo, que poderá abusar de habilidades que poderiam ser canceladas pela tal Matriz.

Por outro lado, caso o Hanzo não esteja no High Ground e chegue um Reaper, a mesma flecha pode ser acertada tranquilamente do chão, dependendo do caso, além da mecânica que o Shimada possui de escalar paredes enquanto mantém a flecha puxada, abusando assim da linha de visão do Reaper. Considerando isso, um dos poucos reais perigos para o posicionamento do Hanzo, que pode gerar um bom valor positivo ao adversário, é uma contestação de Mei no meio da luta. Essa sim pode ser complicada de não se ver em uma fria após a chegada do demônio congelado. De resto, o controle do arqueiro é muito bom. E praticamente os mesmos conceitos se aplicam à utilização de flancos, sendo ainda melhor para o Hanzo abrir pixels, atirar e voltar pulando caso a água bata no glúteo.

Hanzo
A última coisa que um Reaper no meio do teleporte quer ver… | Fonte: Heroes Never Die

Além disso, o Hanzo pode ser uma carta na manga importantíssima na hora de explodir escudos de Orisa, caso o plano de jogo de sua equipe seja esse. As flechas da tempestade são fortíssimas, em especial quando combinadas com um Roadhog aliado exercendo pressão na barreira do oponente, podendo gerar uma brecha para engajar em uma boa luta antes que a égua mecânica tenha recarregado um escudo novo. Em geral, essa proposta não é tão comum quanto ficar buscando o famigerado pickoff– eliminação de um inimigo fora de posição -, mas se usada com parcimônia, pode surpreender demais, principalmente quando junto disso tudo vem aquela parede bonita de Mei logo atrás da Orisa, para forçar o adversário a largar o mouse de vez. E, mesmo que a jogada são saia tão bonitinha como na teoria, ainda há um enorme potencial no Hanzo, seja com amplificador de uma Orisa aliada, Estimulante ou até mesmo na Flecha de Tempestade seca, de deletar o tanque principal do outro time quando controlado, retirar uma D.Va de seu MEKA, enfim… criar espaço para seu próprio time avançar sem se expor como um Reaper precisaria, por exemplo, e sem tanta dependência da Matriz Defensiva da sua própria D.Va.

Aliás, falando em Reaper e Mei, os capetinhas de 250 de vida podem ser um pé você sabe aonde para lidar. Entretanto, não para o Hanzo, que se aproveitar da baixa mobilidade de ambos para acertar flechas safadamente (alô neologismos!) posicionadas e forçar o Congelamento Criogênico – famoso gelinho – ou o Passo de Sombras, habilidades defensivas que retiram muito do potencial inimigo de buscar jogadas, de dar as caras. Ou, até mesmo, o adversário é eliminado, caso o Reaper tenha uma boa mira, e isso é melhor ainda, pois sabemos que a diferença numérica no Overwatch é fortíssima, muito mais importante do que na maioria dos esports. Com isso em mente, o valor do Hanzo só aumenta, mas vincula a efetividade de uso do herói mais com a habilidade individual do que com o trabalho em grupo. Ou, melhor dizendo: Você pode ser uma ameba com o arqueiro e, trabalhando com o time, conseguir bons resultados. Porém, para verdadeiramente expandir o leque de utilidades do herói e aproveitar 100% do que ele pode oferecer, é necessário uma boa mira e um bom nível de familiaridade com o Shimada. Chama pra sair, toma um sake, quem sabe rola aquele clima!

Hanzo
Aquele momento que você leva o time dos caras sozinho! | Fonte: YouTube Muselk

E, finalmente, é essencial levar em consideração a emanação dracônica (obrigado, site oficial do Overwatch, por artificialmente aumentar meu vocabulário) que o Hanzo consegue liberar com certa facilidade dentro de jogo. Efetivo de diversas maneiras, o Golpe do Dragão, sua suprema, consegue impedir o recuo de adversários, punir um avanço displicente, separar o time inimigo e até mesmo ganhar demolir os oponentes quando combinado com um bom Parados da Orisa aliada. E tal suprema vem bem mais rápido que uma Nevasca ou Desabrochar da Morte. Porém, há uma questão inegável: a quantidade de habilidades forçadas por um Golpe do Dragão é consideravelmente menor do que a quantidade forçada pelas outras supremas que acabei de citar. Ou seja, é muito mais fácil sair dos dragões do que de um Reaper caindo da janela ultado ou de uma frente fria repentina. Isso significa que a suprema do Shimada é pior? Não. Contudo, é mais previsível, portanto variar a utilização dela e conversar com seu time a fim de extrair o maior valor da habilidade é essencial, caso contrário você será lido como um livro e… nem toda obra tem final feliz.

• Realidade ou marketing?

“Nossa, Tonello, então Hanzo é o melhor herói do jogo! Deve aparecer o tempo inteiro e não dar espaço pros outros, já que é tão melhor, correto?”

Negativo, senhoras e senhores. Ainda há espaço demais para Reaper, Mei, Symmetra, Genji, Sombra, Tracer… cada um no seu quadrado. No seu momento. O Hanzo funciona bem e vimos diversos exemplos disso recentemente, porém necessita de habilidade com o herói, conforme dito anteriormente, e nem sempre o mapa ajuda, por exemplo. É necessário haver o mínimo de rotas boas de flanco ou terrenos elevados de fácil acesso pro Hanzo, dependendo se este é do Ataque ou Defesa. Além disso, é importante saber que seu time ganha tudo o que foi descrito acima mas perde a possibilidade de um Reaper engolindo tanques com amplificador enquanto praticamente não toma dano com a proteção de time, pode perder reação e dano rápido e fácil após uma boa parede de Mei – principalmente se o Hanzo tiver gasto sua rajada de flechas inutilmente -, enfim… Há casos e casos. E isso levando em consideração somente a composição mais utilizada do meta e suas vertentes. Por tanto, aprecie com moderação!

Resultado de imagem para reaper owNão pense que Reaper e Mei ficou fraco! Sinergia top, até de touca o garoto tá! | Fonte: PvP Live

E, para saber melhor como se posicionar com o Herói, o que fazer, o estrago que é possível causar e quais as possíveis posturas dentro de jogo, recomendo assistir ao jogo de Washington Justice vs Vancouver Titans pela Overwatch League e ao mapa de Rialto da Grande Final da Overwatch Contenders América do Sul. No primeiro, a Justice, equipe então já eliminada da competição, mostra ao mundo o que Corey consegue fazer com seu Hanzo, batendo o discutivelmente considerado melhor time do mundo – a Titans. No segundo exemplo, Liko, jogador brasileiro, traumatiza a fortíssima equipe da Fury quando escolhe seu Hanzo em Rialto, inclusive tendo comentado que só escolheu o herói por conta do apoio de seu time que permitiu tal escolha. Como disse: habilidade conta muito na utilização do Shimada comparado a outras opções.

A partida da Justice pode ser vista no Cliente de Espectador da Fase 4 da Overwatch League direto da Battle.net – Fase 4, Semana 2, Dia 4 – ou é possível acompanhar os melhores momentos neste link. Já a partida de Rialto de Liko pode ser conferida clicando aqui. Aproveite e deleite-se com ótimos exemplos de habilidade máxima com o herói!

E por hoje é isso! Boa sorte nas ranqueadas, nos Jogos Rápidos e que seu Hanzo possa fazer a diferença! Qualquer dúvida ou caso queira trocar mais ideia sobre o assunto, sempre fico disponível no meu Twitter, me dá um salve lá! E não perca a reta final da Overwatch League, rolando sempre no Canal Oficial de Transmissão em Português! Cronograma completo e mais informações no Site Oficial da Liga em Português! Um abraço e até semana que vem! :D