(Foto: Riot Games Brasil)

Após um início conturbado no Campeonato Brasileiro de League Of Legends, a CNB E-Sports Club retornou das cinzas. Em um momento de crise e com a necessidade absoluta de se reerguer, os blumers fizeram uma série de mudanças em sua escalação — a ida de Rafael “Rakin” Knittel para a reserva na terceira semana ocasionou no top laner Leonardo “Robo” Souza no meio e no então caçador Yan “Yampi” Petermann no topo. A formação deu certo contra a Pain Gaming, mas, depois da derrota de 2 a 0 contra a INTZ E-Sports, Rakin voltou à rota do meio, Robo ao topo e Yampi à selva, e, com essa formação, conquistaram a vitória contra a ProGaming E-Sports.

O sucesso se fez presente outra vez contra a Team One, quando Yampi foi o destaque da primeira partida com seu Jarvan IV. O titular Gabriel “Turtle” Peixoto fechou a série com vitória ao voltar ao palco, mostrando que seu estilo de jogo menos caótico também funciona com maestria. A menção honrosa, porém, prossegue com Yampi — por seu mindset e capacidade de reerguer o time, independentemente se isso custará sua titularidade ou sua posição de ofício.

A entrada de Yampi na CNB

É compreensível que a relação de Yampi com seu time seja de tamanha fidelidade quando a CNB foi a primeira equipe profissional que o forneceu a estrutura necessária para que ele se desenvolvesse como jogador, desde o início. Orgulhoso de sua camisa, o caçador relatou sua história e como o Preparando Campeões foi decisivo para que ele viesse a brilhar em palco nacional.

Sua primeira experiência competitiva foi em 2016, ao lado de João “Marf” Piola, o atual meio da Team One. “Ele me chamou pra um time tier 3 que participava na época.” A sinergia era boa e eles moravam em cidades vizinhas — Yampi em Ourinhos, Marf em Garça, as duas no interior de São Paulo. Disputaram as classificatórias para o AGE Campinas, conquistaram a vaga e, pela primeira vez, jogaram em um palco presencial. “Foi meu primeiro presencial grande”, conta o jungler, fazendo aspas com as mãos ao contar que havia cerca de 50 pessoas na torcida. A derrota foi contra a Big Gods, primeiro time de Rakin e vencedor do torneio. “A gente tomou um pau”, ri.

(Foto: Riot Games Brasil)

Seu duo participava do projeto Preparando Campeões, a “peneira” da CNB. “Ele ficava me enchendo o saco pra entrar na CNB! Dizia pra eu fazer, que eu me daria super bem, que iam me querer aqui. Eu falava que não, porque já tinha tudo na minha cabeça. Queria fazer faculdade, tinha um conforto pronto pra o que eu queria da minha vida”, confessa. Estava em dúvida entre psicologia e fisioterapia, e o apego à família auxiliava a podar a vontade de jogar League Of Legends profissionalmente.

“Eu fiz o teste meio que no f*da-se”, revela. “Por fora, eu não estava me importando, mas no meu interior, eu dei o meu máximo, mesmo sem perceber. Foi como se o destino quisesse que eu participasse.” Yan continuou passando das etapas seguintes do processo, sempre se destacando, mesmo contra jogadores mais experientes que ele. Deu certo — o caçador entrou na CNB Infinity, time de base da organização, e conseguiu a vaga no Circuito Desafiante em 2016. Para ele, porém, sua carreira competitiva passou a despencar nesse momento.

“Na época, a CNB ainda não conseguia manter 2 times na casa, então eu tive que jogar o CD da minha casa. Só que era muito difícil”, desabafa, contando que, em Ourinhos, sua cidade, a internet oscilava e seu computador deixava muito a desejar. “Isso foi me afastando aos poucos. Eu não queria mais jogar lol, não queria mais sentar com meu time e treinar. Comecei a ficar muito pra baixo, mas meu time me levantou”, descreve.

Eventualmente, Yampi passou a focar o mindset e deixar de lado a mecânica, seu ponto forte até então — seus campeões preferidos eram a Nidalee e o Lee Sin, com quem brilhava individualmente. “Nesse momento, comecei a ver o jogo diferente, pelo macro, e comecei a me destacar. Disputamos a série de promoção, voltei para a gaming-house e recebi muito auxílio da comissão técnica, melhorando meu mindset e vendo o jogo de uma maneira mais fácil. Perdemos a série de promoção, mas fiquei feliz com meu desempenho individual”, relembra.

Em 2017, o jogador decidiu que buscaria ainda mais experiência. Estreou no CBLOL substituindo o Minerva contra a Operation Kino, conseguindo um empate. “Eu vim meio cru, então não consegui mostrar meu potencial, foi mais sobre mecânica. Roubei o dragão, lembro até hoje, todo mundo me elogiou. Mas eu fiquei meio triste, porque não consegui fazer meu jogo. Senti a pressão do palco naquele momento, e isso me deixou muito triste comigo mesmo.”

(Foto: Riot Games Brasil)
O período no Circuito Desafiante e a Superliga ABCDE

Na segunda etapa de 2017, Yampi foi emprestado para a mesma Operation Kino, onde jogou a segunda divisão. A sinergia entre o caçador e o topo, Aoshi, era notável — mas o desempenho no palco da Promo Arena, nas semifinais, foi abaixo do esperado. “Eu fiquei tímido e faltou confiança sobre o que eu precisava colocar no jogo. Nos treinos eu brilhava, era muito elogiado, mas no jogo eu me apagava por medo de fazer o que eu sabia que conseguia”, declara. Para ele, a experiência na Operation Kino foi um ponto-chave em sua carreira, pois fez com que ele ganhasse confiança em seu conhecimento e resgatasse sua voz dentro da equipe, com a ajuda de Aoshi e BocaJr.

Ao final da temporada, o caçador voltou à CNB para disputar a Superliga ABCDE. “Nosso time tava com a cabeça um pouco ‘avoada’. Não estávamos tendo sinergia, o Devo estava no top e a comunicação com Visdom, o suporte dinamarquês, estava muito fraca. Nos perdemos muito, e isso me fez pensar e retomar tudo. A incerteza voltou”, confessa. “Taquei tudo para cima e disse ‘quer saber? Vou fazer o meu jogo’. Dominei o Minerva na última partida, mas perdemos por conta de uma decisão em jogo. Saí com uma confiança tão alta que o time sentiu, e o mindset de todos foi mudando. Foi aí que perceberam que eu estava ali para qualquer coisa.”

A experiência na rota do topo

Yampi conta que, por ter mostrado tanta confiança, chamou a responsabilidade e decidiu jogar no topo, onde atuou na Superliga e no começo do CBLOL. “Um novo ano, uma nova posição, e eu fiz uma nova promessa para mim mesmo: o desafio desse ano seria mostrar meu jogo em qualquer rota que eu estivesse.” E deu certo — o grupo venceu e o astral se recuperou, aos poucos, devido à confiança de alguém que priorizava a vitória de seu time independente de sua posição.

Ao voltar ao time, trouxe uma comunicação mais limpa e focada — e sua experiência na selva auxiliou em seu bom desempenho. “Eu sabia o que o outro jungler poderia fazer, mesmo estando no top, e o que eu poderia fazer como top para atrapalhá-lo.” Para ele, jogar no topo foi decisivo, pois agora os dois pontos de vista são contemplados em sua visão de jogo — o do caçador e o do jogador de rota. “Acredito que esteja sendo um diferencial absurdo para mim no momento”, diz.

O papel de Yampi na CNB

Ele é quem levanta o astral no time da CNB. “O Carlos e o Kleber, donos do time, me mantiveram aqui porque eu sou o Yan, um cara divertido, vou zoar e mostrar confiança. No momento em que eles me falaram isso, o meu esforço dobrou, junto com o que eu sinto pela CNB e o que eu quero mostrar pra todo mundo do cenário.” Ele acredita que a vitória e o trabalho em equipe moldaram o time de volta quando seus companheiros perderam a confiança em si mesmos.

Ao ser questionado sobre como foi vir para São Paulo e ficar longe de sua família, o rapaz de Ourinhos responde sem pensar: “Superei isso enchendo o saco do pessoal da Gaming-House“, ri. “Eu peguei intimidade com todos eles e ajo como eu era na minha casa. Isso foi um ponto bem forte, que me ajudou bastante nesse aspecto.” Para ele, o time tem a amizade como alicerce — e, apesar das brigas acontecerem, elas são superadas com facilidade. “Somos bem unidos e amorosos uns com os outros. Criamos um vínculo fora de jogo primeiro, e depois passamos isso para dentro. Isso faz com que a gente atue muito bem juntos”, afirma.

O feedback de seus técnicos e a confiança de seus companheiros fez com que Yampi, aos poucos, perdesse a timidez que tanto o atrapalhava ao subir nos palcos competitivos. A personalidade tranquila do menino que sempre foi quieto deixou de ser um empecilho, e a vontade de se soltar para se comunicar melhor com sua equipe se sobressaiu, fazendo com que a comunicação seja um de seus pontos fortes atualmente, o que completa sua segunda função: unir o time e manter a negatividade bem longe do jogo.

(Foto: Riot Games Brasil)

A CNB E-Sports enfrentará o último e decisivo desafio em busca da vaga na escalada: a disputa no próximo sábado (10) contra o time da Vivo Keyd, que quebrou a invencibilidade da líder KaBuM na última rodada. Serão a união, o espírito de equipe e a sede de vitória dos Blumers suficientes para quebrar os alicerces do Exodia?

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