Google vai lançar controle para o Stadia, mas será possível jogar sem ele (Foto: Google)

Antes que vocês me perguntem, eu acho pouco provável que um major de Counter-Strike: Global Offensive ou um Mundial de League of Legends seja disputado no Chrome – ao menos por enquanto. O Stadia, a grande novidade do Google, promete ser muito mais útil na base da pirâmide dos esports.

Com jogos atrelados a multiplataformas e sem grandes exigências de hardware, é fácil de se imaginar que mais pessoas vão ter acesso aos títulos de esports – sejam eles os atuais ou não.

Dessa maneira, o esporte eletrônico tende a se tornar cada vez mais democrático e atingir um público ainda maior. Claro que sem precificação e biblioteca de títulos fica difícil fazer previsões, mas acredito os esports não vão ficar de fora do Stadia – mesmo que não tenham sido mencionados em nenhum momento no painel de apresentação.

Partindo do ponto que a plataforma dará um suporte minimamente aceitável para os jogos competitivos – simplesmente disponibilizando-os -, é possível pensar os benefícios que o Stadia vai trazer aos esports.

O que mais me salta aos olhos é a captação de um público que já é fiel. Muitas pessoas deixam de jogar alguns título por conta da falta de hardware, mas ainda seguem fiéis aos seus campeonatos e streamers favoritos. Talvez PlayerUnknown’s Battlegrounds tenha sido nosso maior exemplo nos últimos dois anos.

Agora, aqueles que tinham que improvisar jogando versões pioradas para celular ou ficavam incontáveis horas vendo vídeos e transmissões vão poder somar para a base de jogadores.

Isso tem uma série de consequências, já que o aumento de interesse movimenta várias frentes, desde o consumo cosméticos até a formação de jogadores profissionais. O resultado é de mais pessoas consumindo esports e uma diminuição muito grande no abismo social – já que vai ser mais fácil de ver pessoas mais pobres tendo acesso aos jogos.

A barreira financeira não acaba, mas diminuiu consideravelmente. Histórias de superação não são incomuns nos esports, mas é sabido que muitos dos jogadores profissionais vêm de lares estruturados e com condições de ter um equipamento que, no mínimo, consiga rodar os jogos de maneira aceitável. Com o Stadia, você pode começar essa caminhada no celular da sua mãe ou no seu computador antigo.

Não é só a democratização que ajuda. Se pensarmos do ponto de vista de produção, a plataforma pode expandir seu suporte com organização de campeonatos, transmissões e outras facilidades. Dá para imaginar o Stadia como uma ferramenta agregadora incrível.

A grande vilã de toda essa bela história é a infraestrutura de internet. Justamente nos países onde os esports poderiam atingir mais pessoas, como o Brasil, as conexões são péssimas e os serviços caros – o que nos leva a crer que o Stadia vai ter um desafio extra para funcionar por aqui. Tanto é que o serviço só estará disponível no Canadá, Estados Unidos, Europa e Reino Unido em seu lançamento, que ocorre ainda neste ano.

Caso o Google consiga driblar as conexões ruins de países menos favorecidos – ao menos para jogos que não sejam AAA -, o Stadia tem tudo para se tornar uma plataforma agregadora nos esports. Não no topo, onde os profissionais provavelmente vão continuar a usar máquinas caríssimas, mas em sua base, onde nascem os novos fenômenos.

Sem muitas respostas por agora, só nos resta torcer. Torcer para um futuro com os esports cada vez mais acessíveis e democráticos.