O Mais e-Sports preparou uma retrospectiva do ano de 2018 da SK Gaming e MIBR, equipes que disputaram e disputam o cenário internacional com jogadores brasileiros. Confira:

SK Gaming

O ano de 2017 parecia ter sido a temporada perfeita da lendária equipe da SK Gaming de CS:GO. Foram 8 torneios vencidos, sendo eles a cs_summit, IEM Sydney 2017, DreamHack Open Summer 2017, ECS Season 3 Finals, ESL One Cologne 2017, EPICENTER 2017, BLAST Pro Series Copenhagen 2017 e a ESL Pro League Season 6 Finals, e as expectativas para 2018 estavam gigantescas.

O que ninguém esperava, era que 10 de dezembro de 2017 seria a última vez que veríamos FalleN e companhia levantar um troféu de grande importância após vencerem aquela série MD5 contra a FaZe Clan por 3-1, em Odense, pela ESL Pro League Season 6 Finals, onde Marcelo “coldzera” David, o melhor jogador do ano, foi o MVP do torneio.

SK Gaming com o troféu da ESL Pro League Season 6 Finals (Foto: Reprodução/ESL)

A SK Gaming entrava no ano de 2018 como a melhor equipe do mundo. Composta por uma line-up que contava com Gabriel “FalleN” Toledo, Marcelo “Coldzera” David, Fernando “Fer” Alvarenga, Epitácio “TACO” de Melo e Ricardo “Boltz” Prass, a organização e a torcida esperavam mais um ano de sucesso, e acostumados a vencer, tiveram um choque de realidade.

2018 começou logo de cara com uma noticia ruim para os brasileiros. O jogador Ricardo “boltz” Prass não poderia participar do primeiro Major do ano, o ELEAGUE Major: Boston 2018, por ter jogado o qualificatório online quando ainda representava a Immortals, e como já tinha entrado no servidor por um time, era proibido jogar por outro. O ex-jogador da SK, João “felps” Vasconcellos, foi o substituto, e ajudou a equipe a chegar nas semifinais da competição, que acabou com a Cloud 9 campeã. A SK Gaming era a grande favorita para vencer o campeonato, e se viu prejudicada por uma regra do torneio, começando a temporada com o pé esquerdo.

SK Gaming no ELEAGUE Major (Foto: Reprodução/ELEAGUE)

Com a volta de Boltz a line-up, esperava-se que a SK Gaming reencontrasse o caminho das vitórias, mas não foi o que aconteceu. Mesmo com o quinteto completo, os brasileiros não pareciam conseguir encaixar seu jogo, e passaram a acumular eliminação precoce atrás de eliminação precoce, e ver a equipe nos playoffs deixou de ser rotina e virou raridade.

Nos 3 campeonatos após o Major, a SK terminou em na cs_summit 2, torneio que contava em sua maioria com pequenas equipes, 5° – 8° na StarLadder & i-League StarSeries Season 4, e em 7° – 8° na IEM Katowice 2018, sempre apesentando um CS muito mais fraco do que o de 2017, e a motivação parecia não estar mais presente.

A gota d’água veio no dia 14 de março de 2018, quando a SK Gaming viajou mais de 24 horas para participar da WESG 2018, na China, e acabou sendo eliminada após perder suas 2 partidas contra a Team Russia e BIG ainda no primeiro dia. A sequência de resultados abalou tanto a equipe, que foi decidido que uma mudança deveria ser feita, e o jogador Epitácio “TACO” de Melo deixou a organização. Com a saída de TACO, o quarteto formado por ele, FalleN, fer e coldzera, que venceu 2 Majors em 2016 e jogava junto desde 2015 deixava de existir.

(Foto: HLTV)

Em 31 de março de 2018 foi revelado ao mundo o novo jogador da SK Gaming. Após duas semanas de muita especulação envolvendo jogadores como s1mple e flamie, os brasileiros decidiram fazer uma mudança que moldaria o ano da equipe, e Jake “Stewie2K” Yip, um estadunidense de apenas 20 anos que atuava pela Cloud9, foi adicionado a line-up.

Stewie2K era conhecido por ser um jogador hibrido, podendo jogar tanto com a AWP como com um rifle, e sempre teve como característica suas jogadas arriscadas, que lhe renderam seu apelido de Smoke Criminal, por ser conhecido por gostar de atravessar a fumaça para pegar os adversários desprevenidos. O jogador que passou toda sua carreira até então na Cloud9, teve como principal conquista a vitória do ELEAGUE Major: Boston 2018.

Com a mudança, rapidamente começaram a surgir perguntas em relação a comunicação do time, e foi decidido que a equipe passaria a se comunicar em inglês dentro do jogo, algo que nenhum dos brasileiros havia feito antes em suas carreiras como profissionais. Outra dúvida foi como Stewie seria utilizado no quinteto, principalmente pelo fato de que ele e TACO jogavam em posições muito diferentes.

Stewie2K atuando pela SK Gaming (Foto: HLTV)

Contando agora com Stewie2K na line-up, esperava-se uma melhora de desempenho da SK Gaming, porém novamente não foi o que aconteceu, e os resultados continuavam sem vir. Nos três primeiros meses desde a entrada do norte-americano no quinteto, a SK ficou em 9° – 12° na DreamHack Masters Marseille 2018, 13° – 16° na IEM Sydney 2018, 5° – 6° na ESL Pro League Season 7 Finals, 5° – 8° na StarSeries & i-League Season 5 e tiveram como melhor resultado chegar nas semifinais da ESL One Belo Horizonte 2018.

A SK Gaming ainda foi campeã de torneios pequenos, que não contaram com nenhuma equipe Tier 1, como a Adrenaline Cyber League 2018 e a Moche XL Esports, mas passou a primeira metade do ano sem levantar nenhum troféu de relevância, além de não ter conseguido chegar em nenhuma final. 

MIBR

Desde o inicio de 2018 havia uma forte especulação sobre uma possível compra do nome MIBR pela Immortals, tradicional organização norte-americana que foi por muito tempo casa de vários jogadores brasileiros como Hen1, Lucas1, Boltz, fnxfelps, kNg e steel. Mesmo sem nenhuma confirmação oficial, documentos da troca de titularidade do nome da Tag surgiram aproximadamente no fim de janeiro, e vários rumores sobre uma possível transferência da atual SK Gaming começaram a surgir.

No final de junho, com o contrato dos jogadores com a SK Gaming terminando, as especulações ficaram cada vez mais fortes. Os atletas pararam de usar as camisas da organização alemã em grandes eventos, e durante a ESL One Belo Horizonte 2018, Stewie2K decidiu entrar no palco vestindo uma camisa da Immortals, levando os fãs a loucura e basicamente confirmando os rumores que rondavam o time.

A confirmação oficial veio no dia 7 de junho de 2018, revelando a volta da organização MIBR, que anunciaria sua nova line-up no dia 23 em um evento intitulado O Retorno, que aconteceria em São Paulo. Contando com a presença de Gabriel “FalleN” Toledo, Marcelo “coldzera” David, Fernando “fer” Alvarenga, Ricardo “boltz” Prass e Jake “Stewie2K”, a lendária tag retornava ao competitivo de CS.

(Foto: MIBR)

O primeiro compromisso do MIBR foi a ESL One Cologne 2018, torneio onde os brasileiros vinham de um bicampeonato, tendo vencido a competição em 2016 e 2017. A mudança de nome não ajudou a equipe a melhorar seus resultados ruins, e novamente o quinteto decepcionou, terminando o evento em 7°-8°.

Sem conseguir reproduzir o sucesso de 2017, o MIBR decidiu novamente mudar sua line-up, e o jogador Ricardo “boltz” Prass foi colocado no banco de reservas, dando lugar para a entrada de mais um estadunidense que estava atuando pela Cloud9, Tarik “tarik” Celik.

Tarik era o IGL da Cloud9, e também sempre foi um jogador bastante habilidoso tanto com a AWP quanto com os rifles. Com passagens por grandes organizações norte-americanas como OpTic Gaming e Counter Logic Gaming antes de se juntar a C9, Tarik parecia ser uma boa escolha para ajudar na comunicação do time, principalmente com Stewie2K, já que ambos eram norte-americanos.

Tarik atuando pela MIBR (Foto: HLTV)

Contando agora com 2 norte-americanos e 3 brasileiros, o MIBR passou a ter uma evolução, e os resultados começaram a ser melhores. O evento de estreia de Tarik foi a ELEAGUE Premier 2018, onde o Made in Brasil terminou em 5°-6°, mas já podia se notar uma melhoria de desempenho.

Após uma longa pausa de mais de um més do cenário competitivo, o MIBR voltava aos servidores com uma novidade. A equipe decidiu adicionar um Coach, coisa que não acontecia desde julho de 2016, quando Wilton “zews” Prado deixou a SK Gaming. O escolhido para ocupar essa posição foi Janko “YNk” Paunović, um ex-jogador de CS 1.6 e analista de mesa em grandes eventos.

YNk na ECS Season 6 Finals (Foto: HLTV)

O primeiro evento contando com o treinador foi a Zotac Cup Masters 2018, mais um torneio menor com times inferiores onde os brasileiros saíram campeões. Em seguida aconteceu o primeiro grande desafio desde a pausa do cenário, a DreamHack Masters Stockholm 2018, onde o MIBR acabou sendo eliminado nas quartas de final para a Astralis.

Logo depois veio o segundo Major do ano, o FACEIT Major: London 2018, e o MIBR foi muito bem. Conseguindo passar da fase de grupos com um recorde de 3-2 e adquirir novamente o status de Lenda, os brasileiros eliminaram a CompLexity Gaming nas quartas de final, mas acabaram sendo derrotados pela Natus Vincere nas semifinais, e terminaram o torneio em 3° – 4°.

MIBR no FACEIT Major: London 2018 (Foto: HLTV)

Na semana seguinte, o MIBR jogou a BLAST Pro Series Istambul, e chegou a grande final contra a Astralis, mas acabou perdendo nos detalhes. Muito se falava dos problemas de comunicação que a equipe sofria nas partes mais importantes das partidas, e isso ficava cada vez mais evidente em séries como essa, que eram decididas nos momentos cruciais.

Os dois eventos seguintes mostraram a inconsistência do quinteto, que foi muito mal na IEM Chicago 2018 e na BLAST Pro Series Copenhagen 2018, onde o MIBR terminou em 9° – 12° e respectivamente.

Na reta final do ano, novamente o MIBR foi vice para a Astralis na ECS Season 6 Finals em mais uma série eletrizante que foi decidida novamente nos detalhes, além de terminar a ESL Pro League Season 8 Finals em 3° – 4°. A evolução do Made in Brasil era notável, e a equipe estava muito melhor do que quando se juntou em julho de 2018, mas os problemas de comunicação pareciam muito grandes para serem superados.

O último evento do ano foi a BLAST Pro Series Lisboa, e pela primeira vez o MIBR foi mais norte-americano do que brasileiro. Sem poder contar com Fernando “fer” Alvarenga, que iria operar o ouvido direito, o estadunidense Braxton “Swag” Pierce assumiu seu lugar, e ajudou a organização a alcançar o lugar no torneio.

Swag, FalleN e Stewie2K na BLAST Lisboa (Foto: BLAST Pro Series)

Com o fim da temporada, veio também o fim da atual line-up do MIBR. O trio brasileiro composto por FalleN, coldzera e fer decidiu novamente mudar o quinteto da equipe, e   transformaram pela primeira vez desde seu retorno o Made in Brasil em uma equipe 100% brasileira.

O MIBR trouxe de volta nomes conhecidos pelos jogadores e pela torcida, sendo eles Epitácio “TACO” de Melo e o técnico Wilton “zews” Prado, que estavam na Team Liquid. A revelação veio após fortes rumores de que o trio queria  atuar novamente falando em português, e que queriam buscar o sucesso que tiveram em 2016 e 2017, que acabou não acontecendo em 2018.

Com a chegada de TACO e zews, Stewie2K foi para a Team Liquid como moeda de troca, enquanto YNk deixou de ser o técnico do MIBR.

(Foto: MIBR)

O quinto jogador do MIBR ainda não foi revelado, mas existem diversas especulações que apontam a volta de João “felps” Vasconcellos como substituto de Tarik “tarik” Celik, que deve ir para o banco de reservas e aguarda propostas de outras organizações.

2018 foi um ano de novas experiências para os jogadores da SK Gaming/MIBR. Montar um time internacional é uma grande dificuldade, a barreira linguística é algo que atrapalha muito, e se mostrou um grande desafio de ser superado. Sem vencer nenhum título de relevância em 2018, o MIBR voltará a suas raízes em 2019, e esperamos que voltem também os troféus que estávamos tão acostumados a comemorar.