A paiN Gaming anunciou nesta quinta-feira (4) que Gabriel “Mit” Souza não é mais técnico da equipe de League of Legends. Em entrevista exclusiva para o Mais e-Sports, Mit revelou porque está de saída da organização e também comentou sobre alguns pontos da passagem de 2 anos e 4 meses à frente da paiN.

Gabriel “Mit” Souza fez grande parte de sua história utilizando a camisa da paiN Gaming. Seja como jogador nos primórdios do League of Legends brasileiro ou como treinador.

Mit assumiu o cargo de treinador da paiN Gaming em janeiro de 2015 e vinha liderando a equipe desde então. Em seu primeiro ano como treinador da paiN, a equipe foi campeã brasileira no 2º split do CBLOL 2015 e representou o Brasil no Mundial de League of Legends, onde a organização vermelho e preto conseguiu a melhor campanha da história de um time brasileiro na competição, vencendo 2 das 6 partidas da fase de grupos.

Confira a entrevista na íntegra com Gabriel “Mit” Souza:

Mais e-Sports: O que levou de fato a sua saída da paiN? Como foi decidido isso?
Mit: Foi um acordo mútuo. Sentamos para planejar o segundo split e em acordo vimos que uma mudança seria benéfica. Algumas ideias que eu tinha não iam de encontro com as da organização e por isso achamos que seria melhor cada um seguir o seu caminho.

Mais: Pode explicar um pouco dessas mudanças? Line-up? atitude?
Mit: Acredito que atitude e renovaçao dos principios de la. Os jogadores organizaçao e eu precisamos de um ar novo.

Foto: Riot Games Brasil

Mais: Por conta do tempo que você estava à frente da paiN, havia algum desgaste na sua relação com o grupo? Esse foi um dos fatores que pode ter contribuído para sua saída?
Mit: Acredito que não.

Mais: A paiN não chega as finais do CBLOL desde que venceu o 2º split de 2015. A pressão por resultados, pesou em algum momento por parte da organização? Você era muito cobrado por não estar chegando aonde a paiN normalmente chegava antes?
Mit: Acredito que sim, teve uma pressão por conta da torcida que quer ver sempre o seu time chegando na final, mas nada fora do controle, sempre dentro dos padrões normais de cobrança dentro de qualquer equipe. Acredito que o máximo que conseguimos fazer além disso foi o título da XLG Super Cup e a gente tava sim devendo uma final de CBLoL desde a campanha que tivemos em 2015. Então a pressão vinha mais da equipe mesmo, a organização tinha confiança no meu trabalho e nós trabalhávamos juntos, então não tinha uma pressão do tipo “você tem que conseguir isso senão você sai”, era mais uma coisa que a gente sabia que existia, era um consenso e é claro que chega um momento que você tem que saber se vale a pena continuar, se tá dando certo ou se chega um ponto que você acaba apenas por dar murro em ponta de faca.

Mais: Você foi o primeiro treinador no Brasil a realmente utilizar o sistema de substituições no país. Você já disse em outra entrevista que tinha como inspiração a rotação de jogadores na SKT, como foi pra você poder trabalhar isso na paiN Gaming?
Mit: Foi muito bom poder trabalhar isso na paiN. A primeira vez que usamos isso foi na XLG porque a gente não poderia contar com o Kami naquele jogo. O sistema de rotações funciona, as pessoas conseguem ter um pouco mais de experiência e eu acredito que eu também ganhei muito com isso no sentido de poder utilizar isso nas próximas equipes que eu for treinar com mais eficiência.

Mais: Falando no sistema de rotação. Você foi muito criticado por não ter usado ele na semifinal contra a Red Canids, já que nas outras oportunidades a mudança tinha surtido efeito. Porque você não optou por fazer nenhuma mudança durante toda a semifinal?
Mit: Optei por
não fazer nenhuma mudança porque naquele momento, o time titular era o que estava dando mais resultado nos treinos. E eu tentei partir pelo seguro, que era manter a formação que estava se saindo melhor durante a semana. Ao meu ver, no 4º jogo eu poderia ter mudado, mas também era uma situação arriscada, onde eu acabaria colocando os jogadores em uma “fogueira”, então optei por jogadores que estava mais adaptados a esse tipo de situação por conta da experiência.

Mais: Durante seu período na paiN, o time passou por várias mudanças na line-up. Saída do Dioud, entrada do Picoca, saída do brTT, Taeyeon como ADC, chegada do Matsukaze, chegada do Loop e por aí vai. Até onde isso influenciou na queda de rendimento das equipes que vc comandou?
Mit: Acredito que isso não tem uma relação muito forte. Porque cada período, cada line-up diferente teve seus acertos e problemas distintos, então são fases diferentes.

Mais: Qual foi o período mais difícil que você passou à frente da paiN? E qual o mais feliz?
Mit: Bons momentos foram dois os mais marcantes. O primeiro com certeza foi ter ido para o Mundial, onde fizemos a melhor campanha brasileira até hoje e que até chegar no Worlds, o time estava com uma invencibilidade de 15 jogos sem perder. Outro momento muito bom que começou no Desafio Invocadores em Fortaleza, onde fizemos uma série muito boa e que eu queria muito ter vencido aquela line-up da INTZ, que era muito forte e muito respeitada no Brasil. E mesmo não tendo conseguido, eu vi um desenvolvimento muito bacana que acabou culminando na nossa vitória na XLG Super Cup.
Momentos ruins, não vou focar só nas derrotas que tivemos, mas também em situações como a que vivemos no bootcamp preparatório para o Mundial que fizemos na Suécia, onde passamos por momentos muito estressantes, lá tivemos um momento de cobrança mais pesada para que a gente fizesse uma boa campanha no Mundial, então ali vivemos situações muito estressantes, cansativas e exaustantes.
Outro momento ruim foi a derrota que tivemos para a INTZ por 3 jogos a 2 na semifinal do 2º split de 2016. Naquela situação, nós saímos perdendo de 2 a 0, conseguimos empatar a série com uma mudança estratégica, mas no quinto jogo não conseguimos sair com a vitória, então acho que foi um momento ruim porque tinha uma expectativa grande de conseguirmos a virada e pelo que estavámos construindo naquele período, então acho que a grande expectativa gerou um momento ruim.

Mais: Falando de futuro, quais são seus próximos passos como treinador? Pretende continuar no CBLOL? Ir para outra região?
Mit: Vou tirar uns dias para descansar, ficar com a família e usar esse tempo para analisar propostas. Eu quero estar no 2º split, mas não é uma coisa que eu vejo com 100% de necessidade por enquanto. Uma proposta de fora eu irei analisar, caso chegue, já que tenho amigos lá fora e vou usar esse tempo para analisar as propostas e refletir em relação aos meus próximos passos.

Mais: Caso você vá pra outro time, quem da paiN você levaria contigo?
Mit: Todos os jogadores da paiN teriam espaço em qualquer time do Brasil, todos são muito bons. A paiN em questão individual está muito bem servida, todos os jogadores ocupam pelo menos o top 3 ou top 4 de suas posições. Agora se fosse para escolher um só, acredito que ficaria entre o Kami e o Thulio, porque além de seres os jogadores com quem trabalhei por mais tempo, também vejo neles uma postura profissional muito boa, uma postura pra equipe também muito boa em questão de didática, o que eu acho ser muito importante.

Não se sabe ainda quem será o substituto de Mit na paiN Gaming ou o destino do treinador brasileiro.