Uma semana havia se passado desde o início da LCK Spring 2019. Afreeca Freecs e Gen.G, ambas zeradas e com duas derrotas, se enfrentavam na segunda partida do dia. A esperança era de enfim mostrar qualquer indício de um bom League of Legends. Afinal, na abertura do campeonato, haviam perdido de forma avassaladora e dado poucos motivos para os torcedores se animarem.

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Dessa vez, porém, a Afreeca não estava usando a line-up de Kim “Kiin” Gi-in, Lee “Spirit” Da-yoon, Son “Ucal” Woo-hyeon, Kim “Aiming” Ha-ram e Lee “Proud” Jeong-jae que começou jogando contra a Hanwha Life Esports. Em vez disso, o novo recruta para a selva Lee “Dread” Jin-hyeok curiosamente sentava na cadeira de atirador.

Ninguém sabia realmente o que esperar. Nem mesmo os narradores. A cada movimentação por parte de Jeong “NoFe” No-chul na Seleção de Campeões, uma nova dúvida surgia do lado de Max “Atlus” Anderson e Christopher “PapaSmithy” Smith. Era como se o técnico estivesse brincando com a mente da adversária e do público, se utilizando de flex picks e da incógnita que era a posição de adcarry para sair na frente no draft.

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A Afreeca era toda risos quando usaram Spirit na bot lane (Foto: LCK)

Será que Dread havia mudado de role? Se não, quem seria o adc? Ou então eles estariam voltando para o meta do início do Summer passado, quando magos e lutadores se popularizaram no bot? No final, a estratégia acabou sendo de colocar Spirit como bot laner, com algum campeão que tivesse wave clear e controle de grupo. Enquanto isso, Kiin pilotaria Atiradores de verdade  —  Vayne e Lucian, no caso.

Apesar de a série ter sido sangrenta e de baixíssima qualidade, deu pra perceber que o topo era mais do que capaz de dar hard carry contra um time em transição como a Gen.G. A Afreeca depositou todas as fichas no jogador  —  colocando-o no terceiro e decisivo mapa como basicamente a única fonte de dano  —  e ele correspondeu. Mas o quão sustentável isso seria?

A resposta veio no jogo seguinte, contra uma Kingzone DragonX que logo descobrimos ser formidável. Os vice-campeões do Spring de 2017 repetiram a estratégia anterior, mas dessa vez tomaram a confusa decisão de utilizar Azir na rota inferior. Kim “Deft” Hyuk-kyu, que fez um split brilhante, tratou de punir essa escolha com Varus de Letalidade. Deu mais de 50% do dano da equipe.

Após derrota tão desmoralizante, a Afreeca resolveu apostar num pick inédito para a função de suporte: Jarvan IV. A ideia era aproveitar o AP do Estandarte Demaciano para pokear ao máximo na fase de rotas, de quebra recebendo o escudo do Invocar Aery para proteger o companheiro. Novamente, fizeram o teste inicial contra uma equipe em tremenda turbulência — a Jin Air Green Wings  — , mas assim que encararam uma oposição mais difícil, tudo foi por água abaixo.

A certa altura, eles tentaram mesmo mudar de volta para os picks do meta. Até encontraram uma vitória contra a SANDBOX. Mas não deu nem tempo de se animar. Isso porque, inexplicavelmente após tal triunfo, o estreante Kim “SSUN” Tae-yang assumiu a vaga de Ucal. Contra a Hanwha, apesar dos melhores esforços de Kiin, eles voltaram a perder.

Todo o momentum foi para o espaço. E quando nos demos conta, era o top laner Lee “Brook” Jang-hoon  —  que pouco havia atuado no próprio posto, quanto mais em outro — que estava jogando no mid. Foi por um único jogo, é verdade. Mas essa mudança fez com que a Afreeca fosse a única a perder pra Jin Air.

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A Afreeca atingiu o fundo do poço quando perdeu pra lanterna Jin Air (Foto: LCK)

Onde é que tudo correu mal para a Afreeca Freecs nesta última etapa? De onde vinham essas decisões e por que estavam sendo tomadas? Simplesmente não havia explicação convincente para um time com Kiin, Spirit e Ucal não funcionar. E especialmente, não havia bom esclarecimento para o fato de a esquadra ter sido completamente dividida e misturada entre si.

Para ser justo, a Afreeca encontrou o lugar dela mais tarde no torneio. Eles derrubaram a Griffin  — embora esta já estivesse em declínio  —  e escaparam das ameaçadoras mãos do rebaixamento. Mas não se pode negar que o quebra cabeça que foi a Afreeca, nesta primeira metade, deixou muito a desejar.

A jogabilidade de Dread foi bastante aguardada, especialmente os Kindred e o Lee Sin dele. Mas, no final das contas, ele foi bem decepcionante  —  assim como os outros caçadores novatos, honestamente. Ele fez muitas jogadas de coçar a cabeça e liderou todos na posição no quesito Mortes, com 112. Pareceu desconexo em relação aos colegas e chegou a um ponto em que ele e Aiming não conseguiram sincronizar Golpear e o Lacerar da Kalista para garantir o Barão. Duas vezes.

Ucal, por sua vez, teve desempenhos muito abaixo do esperado, ainda que não justificasse ser rebaixado para reserva do reserva. Com base nas atuações pela kt Rolster, onde foi fundamental na reviravolta que resultou em título, é de se suspeitar que o ambiente da Afreeca o tenha feito perder confiança e consequentemente cair de produção. O próprio Kiin, em entrevista para a Korizon, disse que “o Ucal ficava achando que era muito pior que no ano passado”.

Entrando neste Summer, a Afreeca que merecemos ver é uma Afreeca que se decidiu num roster. Acabaram-se as tentativas de estratégias absurdas. Eles certamente tiveram tempo para praticar o padrão durante a offseason. Alguns dos novatos não estão prontos para começar jogos, por isso, de preferência, devem usar um veterano como Spirit ou jovens com mais bagagem como Ucal e Aiming.

E afinal, a principal peça eles têm com Kiin. É construindo uma fundação coesa em volta dele que serão capazes de finalizar o quebra-cabeça e tentar um cobiçado retorno ao Mundial.