Faltam poucos dias para o início do MSI e o Brasil será representado por uma das equipes mais tradicionais do cenário. A INTZ é tetra campeã brasileira, já representou o Brasil internacionalmente diversas vezes e inclusive já realizou uma das partidas mais memoráveis da nossa região quando venceu a EDG no Mundial de 2016. No entanto, com um elenco totalmente renovado e depois de uma campanha de altos e baixos no CBLOL, é difícil dizer o que esperar desta equipe em uma competição do nível do MSI.

O fato é que durante toda esta etapa do CBLOL os holofotes não estiveram sobre a INTZ. Mesmo após a final, muitos exaltaram os erros do adversário e poucas análises foram feitas sobre o estilo de jogo dos Intrépidos. Mas, a 4 dias de sua estréia no MSI, o que podemos esperar da INTZ? Como este time venceu o CBLOL e o que fez de diferente na final?

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Quem assistiu a final com certeza ficou impressionado com a performance do Envy e credita a maior parte das expectativas no Mid Laner da equipe. Mas será que esse foi o caminho da INTZ durante esta longa etapa do CBLOL?

Primeiramente podemos comparar o desempenho de cada jogador antes da final e no dia da final do CBLOL.

Porcentagem de dano dos jogadores da INTZ antes da final do CBLOL 2019.
Porcentagem de dano dos jogadores da INTZ durante a final do CBLOL 2019.

Olhando para este primeiro gráfico e analisando apenas o dano causado por cada jogador, podemos ver que o desempenho da botlane da INTZ foi crucial para a equipe chegar na final. Em média, Mills foi responsável por 30% do dano causado pela equipe, enquanto que o segundo colocado foi Envy com aproximadamente 23%. Por outro lado, na grande decisão ficou claro para todos que o Envy foi o grande protagonista, como podemos ver no gráfico da direita. Mas por que esta diferença entre a final e o restante do CBLOL? Será que a equipe alocou recursos de forma diferente em cada um desses momentos?

Para responder esta pergunta analisamos a relação dano por recurso alocado no início do jogo de cada jogador e o resultado foi bem surpreendente.

Gráfico de Dano vs Ouro aos 15 da INTZ antes da final do CBLOL 2019
Gráfico de Dano vs Ouro aos 15 da INTZ na final do CBLOL 2019

Podemos ver que antes da final, o Mills contribuiu com muito mais dano mesmo recebendo uma quantidade igual ou menor de recursos que seus companheiros. Tendo em vista o MSI e sabendo da dificuldade em adquirir vantagem contra equipes internacionais, é importante saber que a botlane da INTZ conseguiu ter um bom desempenho mesmo com poucos recursos durante o início de jogo.

Já durante a final, podemos ver que aos 15 minutos de jogo o Envy tinha em média quase 1k de gold a mais do que alguns companheiros e é inegável que o jogador conseguiu utilizar deste recurso para trazer o triunfo da equipe.

Até então focamos na relação de dano por recurso entre os próprios jogadores da INTZ, principalmente na Bot Lane e na Mid Lane onde ocorreram as maiores alterações entre as partidas antes da final e no dia da final. Podemos também comparar o desempenho da INTZ rota a rota com seus oponentes e para isso, vamos mostrar alguns comportamentos curiosos da grande final.

No gráfico abaixo uma informação chama muita atenção: a discrepância de recurso entre o Mills e o brTT. Repare como o Mills recebeu muito menos recurso (20%) que o seu oponente e mesmo assim manteve um desempenho apenas um pouco abaixo. A segunda parte mais chamativa é a diferença entre os junglers. O Shini consegue uma quantidade de dano um pouco maior que seu oponente direto mesmo estando com 10% a menos de recurso.

Gráfico de Dano médio em campeões vs Vantagem média de ouro na final entre INTZ e Flamengo

Com isso, quais seriam as expectativas para o MSI?

Apesar da equipe ter ficado conhecida por ser “oito ou oitenta”, os números mostram que os jogadores da INTZ não precisam de um início avassalador para causar um grande impacto nas partidas. Na rota do topo, Tay tende a ter performances constantes podendo também, ser o grande carregador da equipe.

Na mid lane fica evidente a expectativa por grandes partidas de Envy. O jogador foi o grande destaque da final não só apenas nos números mas principalmente por fazer as jogadas certas no momento certo.

Em relação a parte debaixo do mapa, fica a dúvida se veremos a bot lane que busca vantagens no início do jogo (como foi na fase de grupos) ou novamente uma bot lane que sobrevive sem a alocação de recursos imediatos.

De qualquer forma, os números no CBLOL mostram que Mills, Redbert e Shini sabem como encontrar o caminho da vitória mesmo quando começam em desvantagem e, em uma das competições mais difĩceis e importantes do ano, isso pode fazer a diferença.

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