A G2 protagonizou um dos momentos mais históricos de todos os Mundiais ao conseguir eliminar a Royal Never Give Up, que até então era a favorita a levar o título e considerada por muitos a melhor equipe do mundo este ano. O resultado também tráz lembranças de 2015, onde duas equipes europeias conseguiram chegar as semifinais da competição, mas, diferente daquele ano, dessa vez são duas equipes europeias e uma equipe norte-americana nas semifinais, cravando a presença quase que absoluta do ocidente neste Mundial.

Apesar dos bons resultados, a G2 não vinha conseguindo uma boa campanha este ano. Os europeus perderam seu reinado que já durava dois anos para a poderosa Fnatic. No segundo Split, sequer conseguiram chegar as finais da LCS EU e tiveram que suar para conseguir a terceira vaga região no Mundial. Marcin “Jankos” Jankowski, caçador da equipe, comentou sobre essa evolução repentina da equipe no Mundial 2018.

A G2 foi massacrada pela Fnatic na final do primeiro split da LCS EU 2018                                                Foto: Riot Games

“Eu não tenho certeza o motivo do que nós estamos jogando tão bem. Eu sinto que a RNG nos subestimou um pouco, eles estavam jogando um pouco com salto alto no segundo jogo depois de terem tido um primeiro jogo fácil. Acho que não trollamos neste torneio… Quando perdemos para a Misfits nas quartas de finais da LCS EU, dois meses ou um mês atrás nós estávamos tiltados e cansados emocionalmente. A gente não conseguia jogar ou treinar por duas semanas ou na semana anterior. A gente perdia todos os jogos. É culpa de todos que estávamos tão exaustos, então tivemos uma semana de férias, que tiramos no meio do split, após ter perdido para a Misfits e teríamos tempo para nos preparar para a escalada. Tiramos esses dias de folga, todos relaxaram, todos estavam mais calmos. Nós por pouco passamos pela escalada, depois por pouco passamos do play-in. Agora nós por pouco passamos da Fase de Grupos, vencemos o tiebreaker e agora nós vencemos a RNG por 3-2. É… está sendo uma jornada longa.

O fato da G2 conseguir sair da Fase de Grupos já foi um grande avanço quando comparado aos anos de 2016 e 2017, onde foram eliminados precocemente nesta etapa da competição. Ao jogar contra a RNG, os europeus entravam como “azarões” no confronto, já que a equipe chinesa era a favorita a vencer o torneio até então, mas para Jankos, essa diferença de pressão foi um dos pontos importantes para a vitória de sua equipe.

Eu estou realmente surpreso com o resultado. Eu acho que vencemos, pois eles estavam em um jogo mais tenso. Eles estavam contra os underdogs, contra jogadores piores. Eles são os vencedores da China e nós o seed 3 da Europa. Então, eu estou muito feliz que vencemos… Deu certo.”

O jogador complementou falando sobre o quão importante foi a semana de descanso que a equipe adotou para que pudessem voltar mais relaxados e com uma saúde mental melhor. “Essa semana foi muito importante para nós, pois estávamos cansados. Estávamos não só cansados um do outro, mas como também do jogo também, cansados de não ser tão bons, foram muitas razões. Tinha muitas razões… Não quero falar sobre, pois não quero ficar deprimido antes da semifinal do Mundial. Eu acho que nós estamos dando o nosso melhor e não quero mudar nossa mentalidade para o próximo jogo. Simplesmente jogar nesse estilo calmo”.

Mesmo perdendo por 2-1, a G2 não perdeu a calma e conseguiu virar a série para 3-2.                              Foto: Riot Games

O uso de reservas tem se popularizado cada vez mais entre os maiores times do mundo e a RNG consegue fazer um bom uso desse recurso, contando com Karsa e MLXG na selva. A troca de caçadores consegue dar estilos de jogos diferentes para a equipe, além de um leque de campeões maior. O caçador da G2 não viu muita dificuldade em lidar com dois caçadores diferentes e mostrou que a equipe europeia estava preparada para qualquer um que entrasse em jogo.

“Não acho que é difícil, pois eles jogam com campeões diferentes. Geralmente quando eles jogam com o MLXG, eles vem com o Nocturne. Já sabíamos disso antes do jogo e estávamos preparados mentalmente para isso. E vencemos, comigo de Olaf ainda. Na última vez não tinha dado certo mas desta vez deu certo. O Karsa é um ótimo jungler. Já joguei contra ele quando ele estava na Flash Wolves. Eu acho que nós já estávamos esperando o que seria, o que eles iriam escolher. Foi similar para eles pois estávamos com drafts parecidos em todos os jogos. Nós iríamos ver qual estilo iria vencer e nós ficamos no topo. Foram bons jogos.”

Não é o primeiro mundial que Jankos participa e nem a primeira semifinal que ele joga. Em 2016, no primeiro fracasso da G2 em mundiais, o caçador jogava pela também europeia H2K, que conseguiu chegar as semifinais do torneio, se tornando a única representante da Europa a chegar longe naquele ano. Apesar do “bom” resultado naquele ano, Jankos está confiante que sua atual equipe tem um estilo de jogo mais “maduro”, o que pode ser um dos pontos diferenciais para uma possível classificação para a final desse ano.

Em 2016 a H2K acabou caindo nas semifinais do Mundial para a Samsung Galaxy.                                    Foto: Riot Games

Quando jogamos contra a H2K nós tínhamos um estilo e precisávamos ter vantagem no início e torcer pelo jogo não demorar muito. Na G2 nós temos mais noção de macro, e sabemos como jogar o jogo. Se não estivermos muito atrás, nós podemos vencer o jogo. Raramente a gente faz um Draft em que podemos ficar atrás no início do jogo, então meu trabalho é deixar tudo OK. Às vezes não funciona… Pois em alguns jogos, eu tive alguns jogos esse ano que desandaram. Tive alguns jogos na Europa em que eu fiquei muito atrás e até mesmo aqui no Mundial contra Buffalo. Eu estava de Olaf e morri de bobeira contra o Vel’Koz”

Vencer a RNG com certeza trouxe um sentimento muito bom para a equipe, além de uma motivação muito grande para o próximo confronto que também será contra uma equipe chinesa muito forte. O caçador comentou sobre a sensação após a vitória e também destacou alguns pontos que serão diferentes no confronto contra a IG.

“O sentimento de vitória foi muito bom, você pôde ver os sorrisos em nossos rostos. Mostramos que eles não tinham uma vitória garantida contra nós, que eles teriam que lutar por isso e nós ganhamos! A IG levará essa série mais a sério do que a RNG. Eu acho que a RNG não esperava aquilo da gente, não tenho certeza de como estava a mentalidade deles dentro do jogo, mas talvez eles nos subestimaram um pouco. O Rookie é um jogador muito bom então o confronto contra o Perkz na rota do meio será interessante. Eu acho que nós temos um estilo um pouco diferente e que para a nossa bot lane será “mais fácil” do que o confronto anterior.”

Jogadores da G2 comemorando após a vitória em cima da RNG.                                                             Foto: Riot Games

Os resultados recentes neste Mundial trás a tona a velha questão de “Será que a diferença entre o ocidente e o oriente realmente está diminuindo?“. Ao se olhar o resultado não tem dúvidas que o ocidente chegou bem forte para a competição, porém ao se comparar com os outros anos temos um meta mais amplo, com uma variedade de picks e estratégias bem maior. Para Jankos, esse meta é essencial para que os times possam mostrar sua real força de maneiras diferentes.

“Eu acho que a diferença entre as regiões está diminuindo, porém o meta é melhor porque não tem apenas um estilo de jogar. Se você lembrar-se do meta do mundial do ano passado, quando era apenas “turíbulo ardente”, provavelmente nós não venceríamos. No meta atual você pode jogar em volta de qualquer lane pois qualquer uma pode vencer, você pode escolher entre ser um jungler que foca em farmar ou um jungler mais agressivo, qualquer coisa que você quiser. Esse estilo aproxima a equipe porque mesmo que você não tenha um macro game tão bom, esse meta permite que você jogue em diferentes estilos com diferentes jogadores e mesmo assim possa vencer. Se você tem que jogar em volta de apenas um jogador provavelmente o time que tiver o melhor jogador vencerá porque jogarão apenas para esse jogador. Então por exemplo no meta do mundial passado a RNG jogaria em volta do Uzi e provavelmente venceriam porque ele é muito bom, mas agora se nós temos o nosso estilo e jogamos de uma maneira diferente, jogando em volta da bot lane, do mid ou do top que seja e isso pode funcionar então é melhor para nós, é melhor para todos, então pra mim esse meta é mais saudável para o LoL. Também estamos com muitas escolhas diferentes e isso é muito bom.”

Para finalizar a entrevista, o polonês mandou um recado para os fãs brasileiros:

“Como vocês puderam ver nunca abaixe a cabeça porque tudo pode acontecer. Aos fãs brasileiros muito obrigado por torcerem por nós, sei que muitos não acreditavam que  poderíamos vencer mas conseguimos, então espero que torçam por nós também contra a IG porque eu acredito que podemos vencer mais uma vez!”

A G2 jogará no dia 27 de outubro contra a Invictus Gaming em busca da sua classificação para a grande final do Mundial 2018. Você pode acompanhar a cobertura completa da competição aqui no Mais e-Sports.