Alguns torcedores podem até fazer cara feia, mas é difícil não admitir que a Team Liquid é a equipe que vive melhor momento dentro do cenário competitivo de Tom Clancy’s Rainbow Siege Six – e, por consequência, que chega como uma das favoritas para conquistar o título do Six Invitational.

A line-up de Léo “ziG” Duarte e companhia é a principal esperança tupiniquim para que o Brasil, enfim, ganhe um Major – que será disputado em Montreal, no Canadá, a partir do dia 11 de fevereiro.

O próprio astro da Liquid reforçou que a boa fase do time se passa por dois nomes: Guilherme “gohaN” Alf e Luccas “Paluh” Molina.

“Foi um encaixe muito bom. A Liquid acertou em trazer esses dois caras”, comentou ziGueira em entrevista exclusiva ao Mais Esports. “Deu no que deu: estamos em primeiro no BR6 e em segundo na Pro League. Estamos indo com muita força para o Six Invitational.”

gohaN (centro) e Paluh (costas) são as principais armas da Liquid (Foto: divulgação)

O suporte da equipe detalhou como se deu o encaixe dos reforços. “Paluh na agressividade dele, que não tem medo. E o gohaN na liderança como IGL. Ele faz isso como ninguém. Não vejo ninguém do mundo que faça igual a ele.”

Auxiliar técnico, Adenauer “Silence” Alvarenga também foi só elogios à dupla. “Essa fase se dá pela nova postura da equipe com a chegada dos dois: gohaN como IGL e que veio para organizar o time – algo que era necessário com muita urgência; Paluh, que tem skill absurda, é muito agressivo dentro do jogo. São detalhes que faltavam antes no time.”

Foram peças que chegaram para reforçar uma line-up que já tinha muita qualidade, como pontuou ziG. “A gente já tinha o nesk também, por exemplo. Até falo que dronar para nesk e Paluh é covardia porque os caras são muito bons.”

Os números falam por si só. Segundo entry fragger, Paluh contabiliza 54 kills em 64 rodadas da Pro League. Além disso, ele faz bem o papel de procurar a vantagem numérica primeiro já que tem na conta 10 first kills.

Estilo agressivo de Paluh casou com a proposta da Liquid (Foto: divulgação)

Enquanto isso, gohaN também se destaca pelos abates: foram 56 na primeira metade do regional. Além disso, ele foi o jogador que menos morreu da equipe – ou seja, mais tempo vivo significa mais kills e também mais eficiência no poder de decisão durante os rounds já que é IGL.

Mais preparados do que nunca

Léo Duarte entende que a Team Liquid chega para a disputa do Six Invitational em melhor fase até mesmo de quando a equipe conquistou a sétima temporada da Pro League, em Atlantic City, nos Estados Unidos, em maio de 2018.

“Brasil campeão é algo que depende de muitos fatores. Mas nem em Atlantic City a gente estava tão preparado fisicamente e mentalmente como estamos indo agora para o Six Invitational. A gente sabe que tem muitos times bons na parada, mas vamos dar o nosso melhor.”

Definitivamente, os Cavalos chegam no centro das atenções, afinal, eles estão na liderança do Brasileirão e em segundo lugar na Pro League. A line-up sofreu nos Majors do ano passado – o que acarretou em mudanças na composição do time em dois momentos. Investimentos para que a história seja diferente agora.

Team Liquid já foi campeã do mundo e agora é favorita para conquistar o feito novamente – e por um Major (Foto: ESL)

“Os últimos dois [Majors] não conseguimos ir muito bem. Apesar de o time estar numa fase muito boa, estamos com o pézinho no chão, fazendo nossos treinos e nos dedicando para tentar representar ainda melhor o Brasil nesse Invitational. Vamo que vamo.”

Como demonstra o discurso de Silence, a Liquid chega num momento de muita autocrítica para conquistar o mundo outra vez. “Essa boa fase se deve a todo esse esforço, a cobrança – e não só dos torcedores, mas a nossa própria. A gente quer ganhar. Se você não tem uma autoavaliação, você não consegue ver que pode talvez ter estagnado.”

E parte do processo se passa pelo psicólogo Claudio Godoi, responsável por trabalhar o aspecto emocional do time. Silence é só elogios ao “trabalho excelente” dele.

“Sem ele, o emocional vai lá pra baixo, ainda mais os jogadores mais novos, como Sexy e Paluh, que são moleques ainda e têm muito o que desenvolver. É normal. O trabalho que o Claudio faz ajuda muito no desempenho.”

Mudanças necessárias

Silence compreende a pressão que a Team Liquid vive. “Como estamos no topo, o foco aumenta. Assim como quando fomos campeões em Atlantic City – porque todos os times estavam com olhos em nós.”

Estar tanto nos holofotes tem seu lado ruim. “A gente não inovou, não evoluiu, nada. Não deu tempo para isso. Aí a cobrança aumentou, os caras estudaram a gente e só apanhamos.”

Com base nisso, o auxiliar técnico comentou que ele e o coach André “Sensi” Kaneyasu reviram o processo de trabalho para torná-lo mais eficiente e trazer, assim, melhores resultados. Houve mudanças na função de cada um.

“A gente deu uma lapidada nas coisas – na questão de análise de times e campeonatos. Começamos a focar no que precisava. Estatísticas mais importantes e começamos a ficar de olho em times que não tão focados antes.”

Nessa questão, a vinda de gohaN gerou muito valor para a dupla de coaches. “Em questão de tática, o gohaN é muito bom nisso. Ele está me ajudando muito. Ele chega a somar de um jeito que a criação de táticas aumentaram de cinco para 15 estratégias novas por semana – quando tiramos tempo para dedicar apenas nisso.”

A estreia da Team Liquid no Six Invitational será no dia 11 de fevereiro, diante da Mock-It, às 18h40 (de Brasília), pelo grupo C. Acompanhe a cobertura especial do Major aqui no Mais Esports.