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Com a recente classificação da organização peruana Infamous Gaming para o EPICENTER Major de Dota 2, o tema sobre estrangeiros que vêm disputar os qualificatórios sul-americanos na região voltou a ser discutido. A Infamous jogou a última seletiva para o torneio que acontecerá em Moscou utilizando quatro europeus em seu elenco e apenas um jogador da região, o argentino Mariano “Papita” Caneda.

A vinda de estrangeiros para disputarem os qualificatórios da América do Sul sempre cria um debate para saber se isso é ou não benéfico para o cenário. Enquanto algumas pessoas acreditam que esse tipo de coisa ajuda a região a crescer, outras acham que os europeus e norte-americanos vêm para cá “roubar as vagas”.

O Mais Esports conversou sobre o assunto com algumas personalidades do cenário de Dota 2, entre eles jogadores profissionais, narradores, streamers e donos de equipes, que deram suas opiniões a respeito.

Astini

Foto: arquivo pessoal

Filipe Astini, CEO da Midas Club, uma das equipes mais tradicionais da América do Sul, acredita que a regra da Valve em relação a chegada de estrangeiros para competirem na região é falha.

“Eu acho que a regra da Valve é um pouco falha. Ela é muito superficial, fica aberta para interpretação e não vai a fundo no que seriam as exceções ou deixa muito aberto para o pessoal abusar essas falhas”.

“Analisando a regra, era necessário que tivesse algum termo para definir o que seria um jogador residente da região. A Valve deveria ter uma regra para você definir o que é ser residente de uma região. Uma que poderiam usar é a de que para ser liberado para jogar, a pessoa teria que estar pubando na região a pelo menos dois meses, ai acho bem válido”.

“Isso faria com que os jogadores estrangeiros viessem jogar aqui bem antes. O offlaner da Infamous chegou no Peru no dia do qualificatório para o Major, o que é um absurdo, porque é aquela história, se ganha até falam que ele vai residir lá para não perderem a vaga, mas se perde o cara pega o próximo voo e vai embora. Eu acho que a Infamous está explorando essa falha da Valve”.

“Eu acredito que é bom o jogador vir para a nossa região quando é um caso parecido de quando a paiN chamou o w33. Eles tinham testado todos os midlaners do Brasil e não dava certo, foram lá e chamaram o cara de fora. Eles não chamaram porque era o jeito mais fácil de classificar, eles chamaram porque eles testaram literalmente todo mundo e não funcionou. O w33 veio, ficava na GH da paiN e jogava nos servidores SA. O pessoal que vai para o Peru joga no servidor norte-americano o que não ajuda nada na nossa região” .

“Eu acho que quando um time fica com mais de dois estrangeiros já não deveria ser válido”, finalizou.

Kingrd

Danylo “Kingrd” Nascimento (Foto: paiN)

Já Danylo “Kingrd” Nascimento, ex-jogador da Chaos EC, paiN Gaming e SG e-Sports, acredita que a vinda dos estrangeiros é benéfica para a região e utilizou os exemplos da Evil Geniuses e do Sudeste Asiático em geral.

“Eu acho que é benéfico a partir de um ponto que você tem que entender o que é o certo e o que é o errado, mas a Valve não explica exatamente o que é o certo e o errado. A Região sul-americana é a região mais fraca de todas, Europa, China e América do Norte tem os melhores times e nós ainda estamos crescendo. Se você analisar como o Sudeste Asiático cresceu como região, eles fizeram exatamente isso, trouxeram jogadores de fora para morar e fazer time naquela região”.

“Eu concordo deles virem e acho que eles têm que vir mesmo e fazer time aqui, só assim a gente vai evoluir e chegar em um patamar que a gente não chegou ainda. Eu acho que só vai ter uma competição boa aqui na América do Sul quando players de fora migrarem e torço para que cada time tenha dois ou três gringos ou um time só de brasileiros. Acho que a galera deveria aceitar, se você for olhar os times de LoL, a maioria tem um sul-coreano. Porque o Dota não pode e o League of Legends pode?”.

“Vou dar o exemplo da Evil Geniuses. Ela só tem um jogador norte-americano, que é um canadense, mas a EG é considerada americana porque a organização é norte-americana e os jogadores moram lá. Acho que se você comparar a Infamous com a EG, ambas estão certas”, acrescentou.

Krolzinha

Foto: arquivo pessoal

Krolzinha, jogadora de Dota 2 pela WP Gaming fem, streamer e comentarista da MissClick TV, acha justa a participação dos estrangeiros nos qualificatórios sul-americanos caso eles estejam residindo na região.

“Eu acredito que o maior problema é a Valve ser tão arbitrária em relação a isso. Não são tão claras as regras que definem os deveres de um time para participar de uma qualificatória de uma região, o que deixa esse sentimento de que os players estão vindo para cá ‘roubar a vaga’ “.

“Eu acho justo eles jogarem as qualificatórias SA desde que eles estejam residindo e contribuindo pro cenário da região. Mas faltam, como eu disse, estabelecer regras como o tempo mínimo de residência, etc. De qualquer forma, trazer player de fora agrega bastante para a região, aumenta a competitividade e traz uma nova mentalidade para a gente”, afirmou.

SangueV-

Foto: arquivo pessoal

SangueV-, narrador profissional e sócio-fundador da MissClick TV, também acredita que a chegada dos estrangeiros é benéfica ao cenário, reforçando a evolução do Sudeste Asiático como principal exemplo.

“Sobre esse assunto, eu gosto de fazer um paralelo com o CS:GO. No CS isso é considerado normal, uma equipe brasileira ir para a região norte-americana, tem a Sharks que joga na Europa também. A grande questão é o fato do time não vir só para pegar a vaga e ir embora, como foi o caso da Test123 (ex-paiN X), que os caras estavam jogando lá dos Estados Unidos com só um brasileiro, o Liposa, e a Valve tirou a vaga deles”.

“A equipe que isto está mais visível hoje é a Infamous. Se os caras vierem para o Peru, estiverem no Peru, jogarem no Peru e buscarem treinar com os times da região, eu acho válido, principalmente por que é uma tag sul-americana e está defendendo os interesses do SA e está ajudando a crescer nossa região”.

“O que não pode acontecer é o caso de que o ppd – jogador da Ninjas in Pyjamas – já falou, que ele estava com vontade de vir com a NiP para Brasil, jogar o qualificatório daqui e ir embora. Isto eu discordo completamente. Isso é algo que a Valve tem que colocar regra”.

“O caso da Infamous eu acho esquisito, mas acho válido, porque parece que eles realmente estão morando no Peru, jogando lá a um tempo e scrimmando contra equipes da região. Dessa maneira você alimenta a região. Um caso parecido que não teve a mesma repercussão foi o da Fnatic do EternaLEnVy, que foram pro Sudeste Asiático, jogaram de lá e se classificaram diversas vezes pela região e ninguém reclamou disso. Isso ajudou muito o cenário de lá a crescer”.