Faltam poucos dias para o início da nona edição do maior torneio de Dota 2 do planeta. Reunindo as dezoito melhores equipes do MOBA, o The International 2019 começará a ser disputado nesta quarta-feira (14) em Xangai, China, contando com uma premiação que já ultrapassa a casa de 32 milhões dólares. 

Às vésperas do mundial, o Mais Esports conversou com alguns casters e comentaristas que deram suas opiniões sobre quais equipes chegam como favoritas, como será a performance da representante sul-americana Infamous Gaming e a ausência de brasileiros na nova edição do The International.

PDS

Gui “PDS” Pullin 9Foto: Reprodução)

Um dos narradores e comentaristas mais conhecidos do cenário de Dota 2, Gui “PDS” Pullin acredita que a favorita ao título do The International 2019 é a Team Secret, porém ele escolheu o PGS.LGD como equipe que levantará o Aegis em Xangai. 

“A grande favorita ao título é a Secret. Eles foram a equipe mais versátil e vitoriosa nesse último Pro Circuit. É praticamente incontestável que eles chegam para provar porque foram a equipe que garantiu a vaga em primeiro por pontos para o TI9”. 

“A ViCi também chega forte por ter conseguido ganhar o último torneio do Pro Circuit – EPICENTER Major. Com isso, eles vêm de um momento muito bom, que aliado ao fato do TI ser na China, tem o fator de jogar em casa. Outro time é o PSG.LGD, uma equipe absurdamente consistente com seus resultados e finalista do ano passado”. 

“Acredito que se a ViCi e o PSG.LGD chegarem na grande final, a LGD é um time experiente para ganhar de outras equipes chinesas e que dessa vez levam o caneco. Dito tudo isso, minha previsão é o PSG.LGD ganhar, mesmo estando em 3° lugar na maioria dos analistas internacionais”.

Perguntado sobre como ele acredita que será a performance da Infamous, que representará a América do Sul no TI, PDS afirmou que mesmo estando na torcida, os peruanos não devem conseguir ir longe na competição. 

“A América do Sul continua sendo a região mais fraca de todas. Foi a única que não teve uma equipe qualificada pelo Pro Circuit. Os meninos [da Infamous] tem muito potencial e jogaram muito bem a etapa qualificatória, porém chegam como underdogs (azarões) para esse torneio”. 

“É difícil ver eles conseguindo passar da fase de grupos com tantas equipes fortes. Eu acredito que eles devam infelizmente ficar nas últimas duas posições, 17° e 18°, ou no máximo pegar um 13° lugar. Torço para que passem disso, mas as estatísticas e dados não favorecem”.

Diferentemente da edição de 2018, o Brasil não terá nenhum jogador representando o país no mundial de 2019. Mesmo levando isso em consideração, PDS acredita que o cenário cresceu durante a última temporada e que o sucesso da América do Sul é uma questão de tempo e trabalho. 

Foi por pouco que não passaram [para o mundial]. A paiN chegou primeiro na grande final das qualificatórias regionais mas apagaram no último dia. O time estava bem nos últimos torneios, porém a qualificatória é meio cruel pois, em um dia que não está bem, pode perder tudo. Acho que o cenário como um todo só cresceu, tivemos jogadores internacionais participando da nossa região, “importamos” alguns jogadores também. É questão de tempo e continuar com o trabalho que está sendo feito”. 

“Oportunidade a Valve já está dando e se tivermos mudanças no Pro Circuit, favorecendo ainda mais as equipes tier 2 e 3, não deve demorar muito para termos resultados melhores, mais expressivos e até uma possível classificação de dois times sul-americanos para o próximo ano”, finalizou. 

AEDRONS 

Hugo “Aedrons” Carvalho (Foto: Reprodução)

Já Hugo “Aedrons” Carvalho, um dos principais narradores e apresentadores da MissClick TV, acredita que Secret e ViCi Gaming chegam mais fortes em busca do Aegis of Champions.

“Acredito muito na ViCi Gaming e na Team Secret para o título do TI9. As duas equipes venceram dois majors cada [na atual temporada do DPC] e mostraram uma capacidade de jogo acima dos outros times. O resultado ruim do EPICENTER – último grande torneio antes do mundial – não apagou a campanha da Secret, que também faturou duas ESL Ones [Katowice e Birmingham] nesta temporada.“

Em relação a Infamous, Aedrons não acredita que o os peruanos terminarão sua campanha em último lugar. Confiante no sucesso da equipe sul-americana, o narrador afirmou que o quinteto pode fazer a melhor campanha de uma equipe da nossa região em um mundial. 

“A Infamous é uma equipe perigosa e que deu muito trabalho quando ainda utilizava a tag Team Anvorgesa O quinteto ganhou jogos importantes e se mostrou capaz. Ir longe no TI vai depender das surpresas que sempre rolam nos mundiais, mas o mais provável é que o time passe para as playoffs na chave do perdedores e que avance uma ou duas rodadas da chave”. 

“Lógico que vai depender também de quem cair da chave dos vencedores. Não acredito que ela fique entre os últimos lugares como aconteceu com a paiN no TI8”.

O narrador também crê que não foi o Dota brasileiro que regrediu, mas sim o peruano que evoluiu. Aedrons ainda afirmou que o atual formato do DPC prejudica o crescimento do cenário e dificulta a revelação de novos jogadores. 

“Eu não acredito que os times brasileiros tenham regredido, acredito mais na evolução dos peruanos, com sangue novo do k1 e do Chris Luck fazendo a diferença também. O que me preocupa mesmo é o ecossistema que nestes últimos anos o DPC gerou. As outras equipes que não passam para o Major ou o Minor não conseguem se manter, o que dificulta a revelação de novos jogadores, ocasionado também pela concentração financeira da temporada em um seleto pequeno grupo de times”. 

“Logo, a evolução no cenário fica ainda mais complicada. Surgem muitos mixes para tentar as vagas, que com as derrotas, rapidamente se desfazem. Times fortes continuam com as vagas e jogadores novos e desconhecidos continuam sem uma continuidade de torneio/jogos para jogar no cenário. Com isso, concluo que se tivessem qualificatórias mais bem trabalhadas e premiadas, manteria o sonho de muitos ainda vivo. Importante ilustrar que nesta temporada e na passada, o ciclo foi bem parecido”, finalizou.

WARSS

Renan “Warss” Moura (Foto: Reprodução)

Fechando a lista está o narrador e comentarista da Beyond The Summit, Renan “Warss” Moura, que coloca suas esperanças na chinesa ViCi Gaming para levantar o troféu do The International 2019.

“A ViCi Gaming chega como grande favorita ao TI 9. A equipe chinesa venceu dois Majors ao longo do DPC, enfrentando dois adversários que estavam no auge, e que são concorrentes direto ao título, VP e Liquid. Fora o fato de estarem jogando dentro de casa, com estádio lotado, os torcedores chineses vão dar apoio ao estilo caldeirão na Mercedes Arena. A VG chega bem montada, redonda, apresentando técnica, jogadores com uma faixa etária baixa, onde se possui muito reflexo, mas sem deixar de lado a experiência de já terem disputado grandes torneios”.

Em sua vez de apontar qual será o desempenho da Infamous, WarSs disse que não crê em uma boa campanha dos peruanos. Ele afirmou que a equipe sul-americana sofrerá o mesmo problema que todas as equipes da nossa região sofrem: inconsistência.

“Acredito que a Infamous deve ficar entre os últimos colocados. O time pode fazer boas apresentações aqui ou ali, mas para na limitação gerada pela inconstância. A equipe sofre basicamente do mesmo problema que equipes sul-americanas que já disputaram torneios anteriores. Logicamente torcerei para eles, para fomentar o nosso cenário, ainda mais sob o comando da manager brasileira Guaxi”.

Seguindo a linha de raciocínio de Aedrons e PDS, WarSs também acredita que mesmo sem nenhum jogador brasileiro no TI, o cenário nacional não regrediu. O narrador ainda destacou o disband da Chaos EC e afirmou que para que o nosso cenário cresça, é necessário planejamento. 

“Não vejo [nenhum brasileiro no TI] como um regresso, muitas vezes precisamos desconstruir para construir. Por exemplo a equipe da Chaos EC, eles estavam a bastante tempo juntos, com o disband, talvez isso ajude os jogadores a perceberem o que precisam evoluir, individualmente e/ou coletivamente. Qualidade é inegável que eles possuem, mas como era a rotina de treino? O planejamento? A meta? O objetivo era traçado campeonato após campeonato? Eu não tenho essas informações, mas sei que quase tudo na vida demanda planejamento, e com isso, subir degrau por degrau”. 

“Infelizmente não teremos uma equipe brasileira, sei que é triste, muita gente fica chateada, mas é assim mesmo, quando voltarmos, estaremos mais fortes. Acho válido lembrar que a zona de conforto é um dos piores inimigos da evolução. Novos jogadores estão surgindo e os que cá já estavam estão deixando as diferenças de lado e aprendendo a trabalhar no meio do esports, isso é lindo de se ver. O Brasil vai colher bons frutos no próximo DPC, não tenho dúvidas!”, finalizou.

O The International 2019 acontece entre os dias 14 e 25 de agosto na cidade de Xangai, China. Serão dezoito equipes de todo o mundo batalhando pelo Aegis of Champions e por uma premiação que já ultrapassou a casa de 32 milhões de dólares.