A segunda temporada do Mad Hatter, etapa intermediária do Circuito Feminino BBL, vai começar no final de semana agora e não tem como deixar de falar da atual campeã do campeonato de Dota 2: a Suige, também conhecida por muitos como Team k.

Nas finais disputadas no dia 14 de julho, a Suige confirmou todo o favoritismo e conquistou o título – além da premiação de R$ 2,5 mil – sem perder um round sequer. Na grande decisão, 2 a 0 diante da Firehawks.

Mesmo com alguns tropeços na fase regular, a capitã Krolzinha foi só elogios a line-up, como exaltou em entrevista exclusiva ao Mais Esports. “Fiquei muito feliz e muito orgulhosa do meu time. Acho que nossa trajetória foi bem satisfatória. O que me deixa mais animada é como eu me divirto jogando com elas.”

Krolzinha sabe da pressão que cerca o time, afinal, é a line-up mais bem sucedida do cenário feminino de Dota 2. Até mesmo por ser jogadora da equipe a ser batida, a também streamer enxerga que o nível das adversárias vem subindo significativamente pela forma como elas encaram a Suige.

“A expectativa em cima do nosso time é grande. Eu sinto a vontade dos outros times de bater no nosso. Isso de certa forma é muito bom, e eu sinto que a competitividade tá cada vez maior.”

Tudo isso reflete cada vez mais num cenário que ganha mais força e concorrência. Até mesmo por isso, Krolzinha elogiou bastante o circuito promovido pela BBL. “Tá sendo maravilhoso ver o empenho das meninas em treinar, estudar e melhorar no Dota. Fora a confiança e a vontade. Tudo isso devemos muitos à BBL pela oportunidade. E eu fico feliz demais de ver o crescimento dessas meninas.”

Suporte 4 da Suige, Lighto vê com bons olhos como o cenário feminino vem sendo agitado. Já tivemos o White Rabbit Cup, agora o Mad Hatter e não muito distante o Queen of Hearts. Não tem como ficar parado, como disse a jogadora. “As meninas estão mais ativas que nunca e o nível das partidas está subindo cada vez mais. A motivação que trouxe BBL ao cenário é imensa.”

Prova disso é And, a jogadora mais recém-contratada pela Suige. A oportunidade de fazer parte da equipe veio exatamente em meio ao tanto de partidas que o time teria que lidar na temporada. “Eu tenho amigos em comum com a Krolzinha. Jogamos algumas vezes juntas e acho que ela já tinha assistido minhas lives. Ela me mandou mensagem, falou sobre o campeonato, achei interessante e cá estou.”

Toda esse clima de intimidade e diversão favorece cada vez mais na boa química que a Suige apresenta nas partidas. A evolução é clara, como reforçou Joojina. “Nosso time vem crescendo e evoluindo bastante. Tivemos uma melhora incrível desde os primeiros jogos juntas.”

QUÍMICA BOA

Quando a Suige jogou com a line-up titular no Mad Hatter, o time não perdeu nenhuma partida. Isso aconteceu em três finais de semana, sendo dois pela fase regular e o terceiro nas finais. A chave para isso, segundo Lighto, é a confiança entre as pro players.

A postura dela na partida, inclusive, está diretamente ligada a essa virtude. Lighto detalhou. “Minha postura como suporte 4 é jogar e ganhar lanes e teamfights. Me considero uma jogadora calma e com reações rápidas. Sei pensar friamente e remotamente rápido durante os piores momentos – o que me dá vantagem durante teamfights e que me abre a oportunidade a dar a volta em nosso favor.”

“O que me faz ter esse tipo de atitude é a confiança que temos entre a gente, as jogadoras confiam nas minhas calls e eu nas delas. Essa confiança é o que ganha nossas teamfights.”

O mesmo efeito é gerado em Dae, a offlaner da Suige. Ela se vê obrigada a performar muito isolada das companheiras de equipe, então toda essa confiança é necessária para que os objetivos sejam cumpridos.

“Eu me sinto segura nos meus jogos. A ajuda das minhas companheiras de time e minha experiência na rôle colaboram no meu desempenho, e, assim, posso fazer diferenças dentro do jogo.”

“Muitas vezes dentro do jogo o offlaner precisa criar espaços para que os outros cores possam farmar, pushar etc. Isso se faz puxando as linhas e tentando algum gank, mas usualmente se chega a matar a um inimigo ou também morrendo você mesmo.”

Dae tem total respaldo do time para criar armadilhas para as adversárias com esse estilo mais solto. “O feito de fazer uma bait. Aguentar as spells dos inimigos, fazendo com que os nossos cores possam fazer abates mais facilmente. Claro que isso não certifica que eu possa sobreviver, mas com os itens adequados é muito provável. Também acontece quando as lines mudam. Eu sou offlaner e geralmente estou sozinha, mas depende muito da line contra para poder ter kills ou para simplesmente segurar e ganhar experiência.”

Quem também chama a responsabilidade em momentos chaves é Joojina. A midlaner foi fundamental na vitória em cima da New Eagles quando a situação não estava favorável para a Suige: ela tirou um item crucial durante a partida, eliminou Boo e ainda conseguiu dois abates em cima de jogadoras que fizeram a recompra.

“Acredito que, para ser uma boa midlaner, é preciso ter isso como virtude [leitura de jogo]. Venho treinando bastante para me aperfeiçoar cada vez mais e conseguir melhores resultados. O mid em si geralmente é a função que dita o ritmo do jogo, então é necessário saber a hora de iniciar ou evitar uma fight, de estender alguns minutos de jogo para poder ter um recurso em mãos que custará a TF, sendo um item, uma skill ou um talento, o que muitas vezes decide o jogo.”

Toda essa boa química só credencia a Suige como favorita para novamente conquistar o título do Mad Hatter e chegar com tudo para a disputa do Queen of Hearts, em outubro. Sem muitos segredos, Joojina deixou bem claro que a transparência é a melhor forma que o time encontrou para sempre performar com muita solidez.

“Conversamos bastante. Sempre tentamos colocar as cartas na mesa e abrir o jogo, puxando a orelha uma da outra, colocando nossas dificuldades e qualidades para que possam ser melhoradas e exploradas. Isso fez surgir confiança e união do time em game.”