O Brasil ficou chocado com a tragédia do massacre na escola. E os gamers se sentiram acuados, foram tratados como um bando de viciados. E, pelo visto, alguns acreditam que eles e os demais profissionais da área estão determinando atitudes de mau comportamento de jovens agressores por aí.

Se eu me sinto assustada? Certamente que sim! Um destes é o meu filho! Um gamer profissional, que foi orientado por mim durante sua vida toda. Foi justamente para desviar meu filho dos outros vícios da rua, para defendê-lo das agressões, do bullying e da criminalidade, que eu o resguardei dentro da nossa casa, e contei com a parceria dos games.

Fico estarrecida, juntamente com outras famílias de gamers e profissionais de esports, frente a essas ideias cheias de controvérsias.  Não entendem que mesmo que os agressores gostem de jogar games, não é isto que orienta, ou desorienta a vida deles. Muitos são filhos de pais ausentes, que não dialogam. Certamente foram alunos de escolas públicas sucateadas, onde os profissionais se desdobram no papel de psicólogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros para ajudá-los. Mas eles escapam.

Sim, é no chão da escola, junto à pedagogia da escuta, que às vezes desejamos sermos surdos. Ouvimos diariamente as dores emocionais de garotos que ainda duvidam que ser bom é bom. Parafraseando o Quico, se não sabem exatamente o que dizem: “cale-se, cale-se, cale-se”. Não espalhem essas ideias preconceituosas, legitimando uma punição extra oficial ao esporte eletrônico.

É bom que saibam que as escolas estão utilizando a gamificação para salvar jovens da marginalização social e intelectual.  Parte significativa dos jovens das comunidades não têm internet em casa, para acessar os games de que tanto gostam.

Mãe e filho se abraçam após micaO vencer o CBLOL pela primeira vez.

Confesso que eu e meus filhos discordamos várias vezes sobre o tema, ,as dialogamos e conciliamos o tempo deles frente ao PC.  No diálogo fomos entendendo o mundo um do outro. Eles aprenderam inglês fluentemente, superando a barreira da disparidade social. Com os games, aprendem-se valores,  desenvolvem-se habilidades e competências e a convivência com amigos.

Afirmo que pelos jogos seu filho será desafiado a vencer as suas barreiras e aprenderá a enfrentar a vida real mundo afora. Sim! Eles, o seu filho e o meu filho aprendem! Como eu fui um dia desafiada pelos jogos de ruas, e com minha bola de meias velhas, recheada de areia, eu corria pelas ruas, mirando diretamente no estômago dos garotos do time contrário.

Quando eu acertava na queimada, game over para eles. Quando me acertavam, game over para mim. Fui um avatar de xerife, índio e bandido! Aperfeiçoei-me na mira com os arcos e flechas feitos de bambu e barbante, e com os revólveres de espoletas.  E nos jogos de queimadas ou nos faroestes de quintal, nunca pensei em queimar um índio se quer.

É um equívoco relacionar raiva, frustrações ou jogos virtuais com estas tragédias da vida real.  Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo, és mãe e precisamos ser mãe gentil. E salve, salvem a tecnologia, os games. Lembrem-se de que os profissionais da tecnologia virtual são nossos aliados desbravando o futuro do Brasil!