“Vamos avançar para a Seleção de Campeões para o jogo um. CJ Entus contra SK Telecom, nossa primeira partida da Champions Spring 2016. É tão bom estar de volta!”, exclamou Erik “DoA” Lonnquist naquela tarde de quarta-feira. Era o confronto de abertura da LCK Spring 2016 e o OGN eStadium, iluminado apenas pelos holofotes frontais, estava completamente lotado.

CJ e SKT, àquela altura, já eram organizações históricas tanto para a Coréia do Sul quanto para o cenário de League of Legends em geral. Eram lares de nomes como Hong “MadLife” Min-gi e Lee “Faker” Sang-hyeok e recebiam suporte de empresas gigantes. Era natural, portanto, que o estádio estivesse lotado e com torcedores apaixonados.

Mas não era uma disputa comum para nenhuma dessas equipes. A SKT mudava de topo pela segunda vez  —  com Lee “Duke” Ho-seong chegando para o lugar de Jang “MaRin” Gyeong-hwan  —  e a CJ, conhecida por manter jogadores antigos por muito tempo, reformulava a line-up quase que inteiramente.

Na temporada anterior, o roster de Park “Shy” Sang-myeon, Kang “Ambition” Chan-yong, Shin “CoCo” Jin-yeong, Seon “Space” Ho-san e MadLife foi um dos mais fortes. O único que, em solo coreano, levou Kim “kkOma” Jeong-gyun e companhia aos cinco jogos. Para 2016, contudo, nomes novos como Park “Untara” Ui-jin, Park “Bubbling” Jun-hyeong, Kim “Sky” Ha-neul e Ha “Kramer” Jong-hun representariam a franquia.

Sky, acima de todos os jogadores nas cabines de jogo, tinha pressão especial para ter bom desempenho. Não apenas estreava contra o melhor jogador da história (Faker), como também sabia que tinha que substituir bem o legado deixado por CoCo. Este fora possivelmente o segundo melhor mid laner da Coréia em 2015.

Ainda por cima, o posto do estreante não estava plenamente garantido. Havia meses que a CJ contratara Gwak “Bdd” Bo-seong, prodígio da fila ranqueada local e conhecido pelas jogadas com Zed, Yasuo e Azir. A expectativa era que, assim que tivesse idade para jogar profissionalmente, assumisse a titularidade e propulsionasse a organização à novas alturas. Sky, então, teria que jogar ainda melhor para se firmar.

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Gwak “Bdd” Bo-seong, o segundo da foto, prestes a tomar a titularidade (OGN)

No game de estréia, ele garantiu o pick de Twisted Fate, que teoricamente era o principal da champion pool. Mas terminou com um score de 0/5/1 e 50 CS atrás do meio inimigo. Ao longo do jogo, cometeu erros de principiante como avançar até o meio do mapa mesmo sem torre, usar teleporte no meio de uma luta acabada apenas para morrer e até falhas de posicionamento. Depois, com LeBlanc, participou pouco tanto no Early Game como das teamfights em geral.

Após nove jogos, Sky e o esquadrão terminaram a primeira metade da fase regular com um recorde de quatro vitórias e cinco derrotas. Apresentaram um estilo mais passivo  —  eles e a Jin Air Green Wings foram os times com maior Média de Tempo de Jogo com 40,5 minutos  — , talvez por causa da dinâmica mid-jungle de Bubbling e Sky que buscava o scale para proteger a bot lane.

A vitória sobre a Kongdoo Monster foi a última vez que os fãs viram Sky naquela primeira etapa. Bdd tomou o posto de titular e, embora tenha terminado com o mesmo Win Ratio do companheiro de posição, se destacou muito mais. Foi dominante com um Azir fora do meta e até jogou uma vez de Zed.

O Summer começou com o atual meio da Kingzone DragonX jogando ainda melhor. Ele demonstrou performances carregadoras contra adversários como ROX Tigers, Longzhu Gaming e Samsung Galaxy. Mas, para a sorte de Sky, ainda assim a CJ não conseguiu emplacar vitórias. Dessa forma, a comissão técnica optou por reinstaurá-lo ao elenco. Ele voltou, jogou a maior parte do split e no fim voltou para o banco, mais uma vez sendo deixado nas sombras. A CJ terminou rebaixada.

Estatisticamente, Sky não impressionou no ano de estréia. Foi o terceiro pior laner na Primavera com CSD@10 de -2,8, teve a pior Taxa de Dano por Minuto com 462 e pouco participou dos abates do time com apenas 69,8%. No Verão, ficou com respectivamente -3,4, 548 e 72,1%. Não recebeu muitos recursos, entretanto, com respectivamente 23,7% e 22,9% de média de ouro.

Mas ele teve bons momentos, alguns até o renderam o prêmio de MVP pós-partida. Contra o futuro companheiro Park “Winged” Tae-jin, por exemplo, foi um dos primeiros a utilizar Taliyah competitivamente e deu um hard carry. Terminou a série com um placar de 18/4/15 e participou de 94,29% dos abates. Ninguém ousou deixar passar a Tecelã de Pedras contra ele depois disso.

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Kim “Sky” Ha-neul só assistiu o título do Spring 2017 (SKT)

Com o rebaixamento, Sky foi liberado pela CJ e um mês depois teve a transferência para a SKT anunciada. Ele ficaria na reserva de Faker. No passado, já haviam utilizado Lee “Easyhoon” Ji-hoon para alternar com o líder da equipe, então era possível que o jovem meio aparecesse de vez em quando.

Mas o time foi tão bem no Spring de 2017  —  vencendo a fase regular, os playoffs e o Mid Season Invitational  —  e tão mal no Summer e no Mundial, portanto necessitando de todas as forças de Faker para arrastá-los à beira da linha de chegada, que ele não jogou um misero jogo pela tricampeã. O mais próximo de uma aparição foi a subida ao palco para comemorar o título da primeira etapa. Ele ficou, assim, novamente nas sombras.

Até que, de repente, a RED Canids anunciou a contratação de Sky. Pela primeira vez, ele poderia ter posse exclusiva da titularidade e mostrar o verdadeiro potencial como player. E isso seria ótimo para os meios da Etapa de Verão do CBLoL 2018, que poderiam evoluir ao lado de um indivíduo que aprendeu com a comissão da SKT.

Com os dois coreanos, a RED foi implacável durante a fase regular e só perdeu para a eventual campeã KaBuM! e-Sports. Sky foi constantemente elogiado, em especial com escolhas de Galio, Corki e Ryze. Mais que isso: mesmo tendo sido derrotado pela Vivo Keyd na semi-final, o Flash seguido de Miasma e Olhar Petrificador da Cassiopeia para garantir a liderança provisória da série ficou marcado na história do campeonato.

Kim “Sky” Ha-neul sendo abraçado pelos companheiros após vitória no CBLoL (Riot Games)

A Matilha tem Pedro “LEP” Marcari, Lee “Chaser” Sang-hyun, Gustavo “Sacy” Rossi e Caio “Loop” Almeida. Nomes de respeito do cenário brasileiro e internacional. Mas não se engane: o ponto focal dessa equipe é Sky e todos os olhos estarão voltados para ele. E para um mid laner que por toda a carreira viveu nas sombras, no segundo split tem tudo para provar que o céu é o limite.