A DreamHack foi realizada entre os dias 19 e 21 de abril, no Parque Olímpico, Rio de Janeiro. Capitão da Sharks, Renato “nak” Nakano falou com o Mais Esports sobre o jogo que eliminou a equipe, a Vertigo e sobre a organização do campeonato. Confira.

Qual sensação dessa derrota? Vocês estavam confiantes para enfrentar a FURIA. O que não funcionou para vocês hoje?

Nak: A gente tava confiante, com certeza. A gente treinou bastante. A gente está tentando sair de uma má fase, que vem desde o começo do ano. Não conseguimos alcançar o nível que estávamos no fim do ano passado. Pensamos que esse campeonato poderia ser uma quebra nessa má fase e a gente voltar a ser o que era, mas foram detalhes. No primeiro mapa, principalmente, a gente entrou bem no jogo, estávamos acertando a maioria das coisas e acabamos perdendo no detalhe, principalmente de CT, que estava mais fácil e entregamos alguns rounds que foram chave. A gente tomou um forçado que poderia ter mudado a história do jogo.

Na Vertigo, a gente não entrou no começo do mapa, o time sentiu a pressão e não conseguimos fazer nada de TR. Só no fim do half que começamos a fazer rounds: ganhamos três seguidas e virou 11-4. Perdemos o round pistol e ficou muito difícil o jogo, eles ganharam o forçado também, e aí a gente perdeu a economia e acabamos por perder.

Acho que a gente se apresentou bem. Anteontem, contra a Valiance, jogamos bem. E é isso, temos que continuar acreditando e focar no que aconteceu na Inferno, que não foram erros táticos e foram mais erros de cabeça, de decisão. Se a gente acertasse, conseguiríamos ganhar o jogo.

Essa aposta de vocês na Vertigo era uma coisa que vocês estavam preparando para surpreender ou vocês tinham a noção que poderiam encontrar uma FURIA tão forte como foi?

Nak:: A gente já sabia que eles estavam treinando também. Tinham muitos times treinando o mapa, a gente treinou e nossos resultados nos treinamentos foram muito bons, mas dependíamos muito do nosso TR, que é nosso lado mais forte. Começamos muito mal. Acho que rolou um pouco de pressão e a gente perdeu alguns rounds que estavam pra gente. Vamos continuar treinando, porque gostamos do mapa.

O que você tem visto da Vertigo? É um mapa que dá muita opção tática, uma mapa de mais explosão. Desses treinos, o que vocês tem tirado dela até agora?

Nak: É um mapa bem dinâmico, porque você pode trabalhar com domínio meio, você pode trabalhar lento na padrão. Terrorista consegue ter bastante controle de mapa e você consegue, ao mesmo tempo, jogar muito rápido. Para a B, principalmente e dominar o meio rápido também. Então, é um mapa bem dinâmico, dá pra trabalhar dos dois jeitos, por isso a gente tá gostando do mapa.

Você é um cara que já jogou muitos campeonatos internacionais, então você já teve várias experiências em eras diferentes. Aqui no Rio a gente teve muitos problema no campeonato: público não compareceu, tiveram que ir embora mais cedo por conta do transporte, problemas nas cadeiras, problemas de atraso. Você vendo isso, um cara que já viveu tantos campeonatos, acha que isso dá uma queimada na imagem do Brasil? Você fica preocupado de outras empresas não olharem tanto depois desse campeonato?

Nak: É complicado mesmo. A gente como player não influenciou tanto, não sentimos tanto essa desorganização. Pra gente, foi tudo perfeito e eu não tenho nada a reclamar. Tá tudo ok para o nosso time: hotel, evento, estrutura, sala de aquecimento, palco, os PCs estão tudo bom. A cadeira, realmente, é diferente de outros campeonatos, mas não é uma cadeira ruim. Com certeza não é algo que influencia no jogo, mas esses outros problemas de jogo que foi cancelado de última hora, o público com problema, isso aí é o que acaba saindo. A DreamHack é uma organização muito grande, eles pecaram na escolha de como vir para o Brasil. Tem muita gente competente por aqui, porque a gente já viu muitos eventos grandes funcionarem aqui e então não acredito que isso vá fechar uma porta. Foi só uma má escolha mesmo, mas acredito que eles possam voltar pra cá.

A gente não pode deixar de falar da entrevista do coachi. Ele falou que vocês estava na frente da FURIA na lan e isso gerou muita polêmica, muita discussão. O pessoal da FURIA também respondeu. Você acha que isso causou uma pressão a mais no time? O RCF me falou ontem que foi uma coisa que deu mais moral pra vocês, deu mais confiança. O objetivo dele não era nem provocar, era mais ajudar vocês nessa má fase.

Nak: Foi isso. Basicamente ele falou o que ele acha, ele tem a opinião dele. Todo mundo tem que aceitar a opinião. Alguns entenderam um pouco errado o ponto dele, por causa do título da matéria, mas foi bom pra gente. Ele estava pensando em dar confiança pra gente, realmente. E deu um gás a mais. Eu acho que é legal essas coisas. Ficar na mesmice das entrevistas toda hora não cria aquela rivalidade e acho que é legal. Não vejo nada de errado em fazer isso e a gente respeita muito a FURIA, como eu falei em uma entrevista. A gente sabe do potencial deles, a gente sabe da crescente que eles vêm. Então, achei tranquilo.

Para finalizar, vocês vão voltar pra Portugal agora, se preparar, fazer mais um período de bootcamp. Como está a expectativa para a LA League, que é uma campeonato que a Sharks sempre joga, já conquistou o título em duas oportunidades. Como vocês estão vendo mais essa chance de jogar a LA League e mais um período em Portugal? Como isso vai ajudar vocês?

NAK:  A gente volta pra Portugal, continua treinando. A gente já sentiu muita diferença do começo do ano para agora, nesse exibição nossa aqui. Estamos muito melhores, então a gente está acreditando nesse projeto de voltar pra lá, treinar de novo e voltar para jogar mais uma LA League. As outras que a gente jogou, estávamos mais preparados e acabamos perdemos essa LA League do começo do ano pela falta de preparação. Lógico que os times brasileiros estão evoluindo e eles estão ficando melhores, estão estudando bastante a gente, mas vamos continuar com foco. Já jogamos três, ganhamos duas e se a gente jogar quatro e ganhar três, acho que está ótimo. Esse é o nosso próximo objetivo agora.