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O cenário internacional de CS:GO está sempre em constante mudança e evolução. Enquanto algumas equipes ocupam o topo do mundo e brigam para se manter lá, outros times tentam reencontrar os tempos de glória que um dia já viveram ou buscam alcança-los pela primeira vez.

O primeiro semestre de 2019 contou com diversas histórias que moldaram o ano do cenário internacional até aqui. A ascensão da Team Liquid ao topo, o retorno da MIBR a suas raízes e a volta do cenário francês são só alguns dos acontecimentos que marcaram o mundo do Counter-Strike durante este período.

O Mais Esports preparou uma matéria especial recontando alguns dos principais acontecimentos da elite do CS internacional durante os primeiros sete meses do ano.

A QUEDA DA ASTRALIS

Nicolai "dev1ce" Reedtz, AWP da Astralis (Foto: ESL)
Nicolai “dev1ce” Reedtz, AWP da Astralis (Foto: ESL)

Após mais de um ano no topo, o primeiro semestre de 2019 marcou a queda da Astralis. A gigante dinamarquesa, que dominou 2018 vencendo 10 troféus da última temporada, finalmente foi superada e perdeu o posto de melhor equipe do mundo.

O ano dos dinamarqueses começou com um um choque de realidade. O primeiro grande evento de 2019, a iBUYPOWER Masters IV, aconteceu no mês de janeiro em Los Angeles, Estados Unidos, e foi lá que a Astralis caiu em um final após mais de quatro meses somente ocupando o topo do pódio. O time liderado por Nicolai “dev1ce” Reedtz foi derrotado pela Team Liquid por 2 a 1.

Mesmo com o segundo lugar, a Astralis ainda era considerada, com folgas, a melhor equipe do mundo e grande favorita para conquistar o primeiro major de 2019, a IEM Katowice 2019.

Na Polônia, a Astralis mostrou que seguia superior em comparação ao resto de cenário. De forma invicta, os dinamarqueses avançaram para os playoffs do major com um 3-0 e venceram NiP, MIBR e ENCE no mata-mata para conquistar o seu terceiro título mundial, prolongando um pouco mais seu reinado.

Um mês depois, a Astralis conseguiria sua última conquista em 2019. Os dinamarqueses foram os grandes campeões da BLAST Pro Series São Paulo, evento que aconteceu no Brasil. Para chegar ao topo do pódio, Peter “dupreeh” Rasmussen e seus companheiros avançaram para a final com um recorde de 5-0 e bateram a Team Liquid por 2 a 1 na decisão do torneio.

Jogadores da Astralis levantam a taça da BLAST Pro Series Sâo Paulo (Foto: BLAST Pro Series)

A partir dai, as coisas começaram a dar errado para a Astralis. Visando descansar seus jogadores, a equipe dinamarquesa passou a rejeitar convites para grandes eventos que demandassem viagens longas como a IEM Sydney, na Austrália, e a DreamHack Masters Dallas, nos EUA. Sem a presença do melhor time do mundo na época, outra equipe passou a dominar o cenário internacional, a Team Liquid.

Com o passar do tempo, a Liquid começou a vencer torneio após torneio e assumiu o posto de melhor equipe do mundo, deixando a Astralis para trás. Sem conseguir se recuperar, os dinamarqueses não venceram mais os norte-americanos em 2019 e terminaram o primeiro semestre com o vice da BLAST Pro Series Madrid para a ENCE, o quinto lugar na ESL Pro League S9 e na ECS S7, e a terceira colocação na ESL One Cologne 2019.

Mesmo com a queda do topo, a Astralis segue como uma das melhores equipes do mundo, estando atualmente na terceira posição do ranking mundial da HlTV, ficando atrás somente de Team Liquid e Team Vitality. Com o StarLadder Berlin major se aproximando, a equipe dinamarquesa terá novamente mais um chance para provar que ainda pode ocupar o posto mais alto do cenário de Counter-Strike.

MIBR DE VOLTA AS RAÍZES 

Uma palavra definia a MIBR antes do início da temporada: esperança. De volta a uma equipe 100% brasileira após as saídas dos norte-americanos Jake “Stewie2K” Yip e Tarik “tarik” Celik para a entrada de Epitácio “TACO” de Melo e João “felps” Vasconcellos, os torcedores esperavam o retorno as glórias passadas, mas não foi o que aconteceu.

O ano dos brasileiros começou logo de cara com a IEM Katowice major. Embalada pela nova line-up, a MIBR conseguiu terminar o mundial em 3° lugar, perdendo para a Astralis na semifinal do torneio, garantindo assim o status de lenda pela décima vez consecutiva.

Foto: ESL

Embalada pelo bom resultado no mundial, a MIBR rumou em direção a China para jogar a WESG. Favorita para levantar o caneco, a equipe brasileira foi surpreendida pela búlgara Windigo Gaming, caindo nas quartas de final do torneio. Está seria a primeira de várias vezes durante o ano que a equipe do capitão Gabriel “FalleN” Toledo não conseguiria o resultado esperado.

Na sequência, a MIBR retornaria ao Brasil para disputar a BLAST Pro Series São Paulo, o primeiro torneio internacional em solo nacional desde a ESL One Belo Horizonte 2018. A performance dos brasileiros foi a pior possível diante da torcida e a Made in Brazil terminou o torneio em último lugar, com um recorde de 0-5.

Sem conseguir mostrar sinais de melhora, a MIBR viajou o mundo e disputou diversos  torneios internacionais, como a StarSeries Season 7 na China (12°), a IEM Sydney na Austrália (3°), a BLAST Pro Series Miami (3°), a ECS S7 na Inglaterra (7°) e a ESL Pro League S9 Finals na França (7°).

Após mais de seis meses com a mesma line-up, a MIBR não viu outra opção a não ser mudar. João “felps” Vasconcellos, que havia chegado em janeiro, foi emprestado para a Luminosity Gaming em troca de Lucas “LUCAS1” Telles, que passaria a fazer parte da Made in Brazil.

O que ninguém esperava era que a formação composta por FalleN, fer, TACO, coldzera e LUCAS1 jogaria somente um torneio antes de mais uma mudança. Após uma performance ruim, dessa vez o último lugar na ESL One Cologne, cold pediu para ser movido para o banco de reservas da MIBR.

O melhor jogador do mundo em 2016 e 2017, que jogava ao lado de FalleN e fer desde 2015, optou por deixar o time em busca de novas experiências. Como não poderia inscrever mais nenhum jogador para o próximo major, a MIBR passou a utilizar o técnico Wilton “zews” Prado para completar a line-up.

Foto: Leo Sang/BLAST

Com zews como quinto jogador, a MIBR participou de mais dois eventos antes da pausa da metade do ano. Os brasileiros terminaram a BLAST Pro Series Los Angeles em 5° lugar e a IEM Chicago em 3°, fechando assim seu primeiro semestre.

TEAM LIQUID, O MELHOR TIME NORTE-AMERICANO DA HISTÓRIA

O ano de 2018 da Team Liquid foi o mais frustrante possível. A equipe norte-americana não conseguiu faturar nenhum título de expressão durante toda a temporada, acumulando um total de seis vices em grande eventos, cinco deles para a Astralis.

Desgastada pela falta de conquistas, duas transferências que mudariam o rumo da organização foram feitas no final de 2018. Em um negócio com a MIBR, Epitácio “TACO” de Melo e o técnico Wilton “zews” Prado foram trocados pelo rifler Jake “Stewie2K” Yip, enquanto Eric “adreN” Hoag passaria a atuar como coach da equipe norte-americana.

Stewie2K comemora rodada durante o Challengers Stage da IEM Katowice (Foto: Bar Oerbekke/ESL)

As trocas tiveram efeito quase que imediatamente, com a Team Liquid conseguindo bater o seu nêmesis, a Astralis, logo no primeiro evento do ano, a iBUYPOWER Masters IV. A equipe norte-americana superou os dinamarqueses por 2 a 1 na decisão do torneio e levantou seu primeiro de muitos troféus em 2019.

O próximo compromisso da Liquid foi a IEM Katowice major, onde era a favorita ao lado da Astralis para conquistar o troféu. Mesmo avançando aos playoffs de forma invicta, a equipe norte-americana foi surpreendida pelos finlandeses da ENCE e caiu na competição ainda nas quartas de final, amargando um 7° lugar.

A performance ruim no major colocou em dúvida a evolução da Liquid e os torneios seguintes também não ajudaram. Após o mundial, os norte-americanos acumularam dois vices em sequência, a BLAST Pro Series São Paulo, para a Astralis, e a BLAST Pro Series Miami, dessa vez para a FaZe.

A dominância norte-americana começaria no evento seguinte. Foi na IEM Sydney que a Liquid apresentou o seu melhor CS, conquistando seu primeiro grande título no ano ao vencer a Fnatic na decisão da competição.

Mesmo com o vice campeonato da cs_summit na sequência, a Liquid seguiu como principal equipe do mundo no CS:GO e passou a dominar os servidores. Foram cinco títulos importantes de maneira seguida, a DreamHack Masters Dallas, a ESL Pro League S9, a ESL One Cologne 2019, a BLAST Pro Series LA e a IEM Chicago 2019.

Além dos títulos, a Liquid ainda faturou a segunda temporada do Intel Grand Slam, levando para casa 1 milhão de dólares em barras de ouro.

Liquid
Equipe da Liquid com as barras de ouro do Grand Slam (Foto: ESL)

Mesmo com o posto de melhor equipe do planeta e com diversos títulos na prateleira, a Liquid ainda precisa se provar. Com o StarLadder Berlin major se aproximando, a equipe norte-americana chega como grande favorita para conquistar seu primeiro mundial e entrar de vez na história do CS.

VITALITY: O RETORNO DO CS FRANCES 

Muito do sucesso de uma equipe de CS:GO se dá pelo seu principal jogador, uma estrela responsável pelas grandes jogadas e por desequilibrar a partida. Por muito tempo no cenário francês, o nome de Kenny “kennyS” Schrub ou Richard “shox” Papillon vinham na mente quando se pensava em quem era esse atleta, porém hoje é quase indiscutível que esse posto pertence ao jovem Mathieu “ZywOo” Herbaut, da Team Vitality.

A entrada da Vitality no CS:GO em 2018 com nomes como Dan “apEX” Madesclaire e Nathan “NBK-” Schmitt foi mais uma oportunidade para que o cenário francês retornasse as glórias passadas. Porém o que ninguém esperava era a gigantesca evolução de ZywOo, que passou a dominar os servidores.

Foto: HLTV.org

O ano da equipe começou na Polônia com a disputa da IEM Katowice 2019. Para chegar ao mundial, a equipe francesa teve que passar antes pelo minor europeu, onde avançou em segundo. Na fase seguinte, o time não teve dificuldades e passou para os grupos com um recorde de 3-1.

No maior palco do CS:GO, a Vitality sentiu um pouco da pressão. Por ser o primeiro grande evento do quinteto, o time não conseguiu se classificar para o mata-mata por uma vitória e não alcançou o status de lenda.

Mais solto dentro dos servidores após a eliminação no major, ZywOo começou a brilhar. Com números que superam grandes jogadores como NiKo e coldzera, o jovem de apenas 18 anos se encontrava sempre no topo do scoreboard e passou a levar seu time a vitórias e títulos.

Com times um pouco inferiores, a Vitality saiu campeã do WePlay! Lock and Load e da Charleroi Esports 2019. Com os resultados começando a aparecer, os franceses assumiram a segunda colocação do ranking mundial da HLTV após vencer a Team Liquid na grande decisão da cs_summit por 2 a 0 de maneira dominante, novamente onde ZywOo brilhou e foi o MVP.

Mesmo com estas conquistas, ZywOoo e seus companheiros ainda não haviam se provado nos grandes palcos do CS:GO. Isso mudaria em junho, quando a equipe francesa venceria os brasileiros da FURIA na decisão da ECS S7, em Londres, e faturaria 225 mil dólares.

zywoo
zywOo foi campeão e melhor jogador da 7ª temporada da ECS (Foto: HLTV)

Logo após a conquista, a Vitality passou a ser figura garantida em grandes eventos do cenário internacional. Suas melhores performances foram a segunda colocação na ESL One Cologne – onde ZywOo foi o MVP mesmo com o vice – e o terceiro lugar na IEM Chicago. Com o major se aproximando, a “salvadora do cenário francês” será uma das favoritas para brigar pelo caneco do mundial.

ANO DE FURIA

Enquanto a MIBR lutava para voltar aos seus tempos de glória, outra equipe brasileira passava a figurar no cenário internacional de CS:GO. A FURIA teve um primeiro semestre fantástico, participando de seu primeiro major e chegando a estar entre os cinco melhores times do planeta no ranking da HLTV.

2019 começou da melhor maneira possível para a FURIA. A equipe brasileira garantiu a  segunda colocação do minor americano para a IEM Katowice 2019 e disputou seu primeiro mundial de CS. A performance não foi a esperada, com o time caindo ainda na primeira fase com um recorde de 1-3, porém começava ali uma evolução que segue até o presente momento.

FURIA durante o major (Foto: Reprodução/ESL)

Após o mundial, a FURIA retornou aos Estados Unidos e passou a dominar os qualificatórios da região. Os brasileiros garantiram vaga para torneios como a DreamHack Masters Dallas e foram os grande campeões da MDL NA, a segunda divisão da ESL Pro League. Foi durante este período que o time recebeu seu primeiro convite para participar de uma lan internacional: a DreamHack Open Rio de Janeiro.

Jogando em frente a sua torcida, a FURIA conseguiu chegar na segunda colocação, perdendo a grande final para os cazaques da AVANGAR por 2 a 1. Mesmo com o vice, a evolução do jogo dos brasileiros era notável e o time seguia subindo nas tabelas e crescendo cada vez mais.

Aproximadamente dois meses depois, a FURIA estouraria para o mundo. O quinteto brasileiro chocou o cenário de Counter-Strike ao chegar nas semifinais da DreamHack Masters Dallas, ficando na frente de times como Vitality, FaZe Clan e Ninjas in Pyjamas.

Uma semana depois, a FURIA disputou a ECS S7 Finals em Londres, onde terminou em segundo lugar ao perder para a Vitality na decisão. No caminho para a final, os brasileiros novamente chocaram o cenário internacional ao eliminarem os dinamarqueses da Astralis, um dos melhores times do mundo.

Embalada pelas boas performances, a FURIA alcançou o quinto lugar no ranking da HLTV e se tornou a equipe brasileira mais bem colocada, superando a MIBR.

furia ECS
Jogadores da FURIA no palco da decisão da 7ª temporada da ECS (Foto: João Ferreira/ESPAT)

Após a ECS, os brasileiros seguiram evoluindo e mesmo com a performance ruim na ESL One Cologne, conquistaram seus primeiro títulos internacionais, a EMF CS:GO World Invitational, em Hong Kong, e a ESEA Global Challenge, nos EUA. Além disso, a FURIA também garantiu duas vagas muito importantes, a da ESL Pro League S10 e a do próximo major, o StarLadder Berlin.

Composta por cinco jogadores jovens e com muito potencial, a FURIA tem tudo para continuar evoluindo. A equipe brasileira chega no seu segundo mundial mais madura e com capacidade e experiência para surpreender as grandes equipes do cenário mundial.

EZ4ENCE

Não se pode falar do cenário internacional de CS em 2019 sem comentar sobre a ascensão da ENCE. Os finlandeses liderados pelo veterano Aleksi “allu” Jalli tiveram um ótimo 2018, conseguindo vencer torneios como a DreamHack Open Winter e a StarSeries S6.

O que ninguém esperava era que uma equipe que não figurava entre as melhores do mundo bateria Team Liquid e Natus Vincere para alcançar a grande final da IEM Katowice, o primeiro major que a equipe participou em toda a sua história.

A evolução da ENCE era notável, o time conseguiu passar em primeiro no minor europeu e avançou sem dificuldades na primeira fase do major com um recorde de 3-1. Nos grupos, os finlandeses reverteram um 0-2 para um 3-2 e se classificaram para o mata-mata, onde só foram parados pela Astralis na grande final.

Equipe da ENCE durante a IEM Katowice. Foto: Reprodução/ESL

Após o estouro dos finlandeses, a ENCE passou a ser figura constante nos grandes eventos de CS:GO. Allu e seus companheiros participaram de torneios como a BLAST Pro Series São Paulo (3° lugar), a DreamHack Masters Dallas (3° lugar) e a ESL One Cologne (13° lugar).

O principal feito da ENCE durante o primeiro semestre foi o título da BLAST Pro Series Madrid, onde os finlandeses venceram a Astralis por 2 a 0 na decisão para conquistar seu primeiro troféu no mais alto nível do Counter-Strike mundial.

Atualmente considerada como a quarta melhor equipe do mundo, a ENCE chega no major tentando repetir a boa performance da Polônia após provar que pode bater de frente com qualquer equipe do planeta.