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A MIBR realizou um evento neste domingo (5) para anunciar seu novo uniforme, que será utilizado durante o ano de 2020. Lá, jogadores de Counter-Strike Global Offensive e Rainbow Six: Siege puderam encontrar fãs para tirar fotos e dar autógrafos.

Durante o evento, o Mais Esports conversou com Fer. O experiente jogador de CS:GO falou do turbulento ano de 2019 da MIBR, mudanças de pensamento para este ano e expectativas para o Major no Rio de Janeiro.

Fer, o ano de 2019 foi bem difícil para a MIBR. Como você vê este ano que passou, e como você vê a nova temporada que está chegando?

Como você disse, 2019 foi um ano bem difícil para nós, complicado, não conseguimos bons resultados, nem chegamos a finais… Foi bem complicado, ainda mais para quem está acostumado a ganhar. Quando está tentando ganhar e acaba perdendo, é um processo, mas quando se está acostumado a ganhar e perde, você sente mais. Este ano eu senti as derrotas. Claro que nunca espero perder, vou para o campeonato achando que vou vencer.

2019 mostrou que precisamos de mais pé no chão, não somos mais o mesmo time de antes, o jogo muda, os outros times melhoram. Em resumo, o ano de 2019 é um que não quero ter outro igual, e para isso não voltar a acontecer, acredito que dependa somente de nós. Temos que trabalhar muito mais, focar mais, esse é meu plano para 2020. Eu vou focar no meu jogo, cada um focar no seu jogo, montar um grupo forte, até porque em 2019 fizemos muitas mudanças de line, trocamos de jogadores, às vezes por necessidade, às vezes por outros problemas, enfim… Acabou que estas mudanças afetam muito o time, não consegue ficar um time forte sempre trocando de line, sempre tendo que recomeçar, então esse ano foi complicado por isso.

Em 2020 eu espero um time sólido, cada um focado no seu jogo e usar o ano passado como motivação para nunca mais ter um ano igual.

Você chegou a tweetar que 2019 foi o seu pior ano, profissionalmente. No seu ponto de vista individual, o que você achou do seu ano?

Quando eu falo em pior ano, eu falo no coletivo, não fico pensando muito no individual. Individualmente, meu jogo em 2019 não foi tão ruim, acho que consegui jogar bem, mostrar meu jogo, mas não tivemos a sintonia necessária no time, acredito que o coletivo deve vir acima de qualquer coisa. Não interessa se você entra no servidor, mata 50 e perde, quer dizer que seu time não está jogando bem junto.

Acredito que 2019 foi o meu pior ano profissional porque, como falei antes, não tivemos bons resultados e nosso grupo sempre foi conhecido por ser um grupo sólido, tendo resultados bons, com uma constância muito boa. Não falo nem em título, acredito que fomos bem inconstantes em 2019 e a inconstância é a pior coisa, o caminho para o fracasso. Temos que ter uma constância de progresso, melhorando, pode até ser que não comecemos 2020 ganhando, mas se formos progredindo, uma hora chegamos lá.

Você falou das mudanças de line-up. Por que tantas mudanças em tão pouco tempo?

Algumas mudanças foram por problemas, acaba que uma ideia de um jogador não bate com a de outro jogador, precisamos estar na mesma página e às vezes não estamos. um jogador pensa muito diferente do restante do time e ele acaba não de adaptando tão bem, outras mudanças como o Cold que quis sair do time. Fomos um time que sempre tivemos quatro jogadores muito bons, que eram nossa base (eu, Taco, Fallen e Cold) e sempre precisávamos de um 5º jogador para somar. Tivemos vários jogadores muito bons, o Felps, Boltz… Mas foram jogadores que, ao longo prazo, não funcionaram muito bem conosco, por algumas coisas que pensavam diferente, às vezes um não estava satisfeito, não estava na mesma página, mas foram jogadores muito bons, nós ganhamos muito com o Felps, tivemos nosso ano mais vitorioso com ele, mas acabou não dando certo para continuar. Com o Boltz, ele já chegou e fomos campeões com ele, ganhamos o Epicenter que foi bem difícil, fomos para outras finais…

Acho que as lines trocam quando o time não está na mesma página e você vê que uma pessoa está mais desconexa que outra, numa conversa você consegue expor isso, e às vezes não conseguimos a mudança, porque uma coisa é alguém dizer que vai mudar, outra é conseguir de fato mudar. É difícil, tem pressão, muitas coisas envolvidas, as mudanças são mais por conta disso.

Qual você acha que é o fator chave que precisa ser mudado para que 2020 seja melhor?

Primeiro, acho que hoje em dia, os jogadores, individualmente, estão mais fortes. É um jogo mais rápido, onde eles vão te testar o tempo todo. Temos que estar muito melhor de mira, temos que focar muito no individual, porque não adianta você ter um coletivo muito forte quando precisa resolver na bala, no 1×1, você perde. Você está com coletivo forte, mas o individual falha mais do que tem sucesso, isso é ruim.

Acredito que nosso individual deva ser mais forte, além de que temos que ser um time mais sólido. Não digo parar de trocar jogadores, porque não forçamos isso, acaba acontecendo, sendo necessário, mas espero que consigamos manter o time mais junto, para conseguir mais solidez e conseguir mais constância porque é assim que os resultados vem.

Qual sua expectativa para o Major no Rio de Janeiro?

O Rio é o estado que eu nasci, para mim será uma honra jogar não só no Brasil, mas no meu estado também. É aquilo, é uma pressão a mais, só que você tem que dar um jeito para não colocar essa pressão em cima de você. Temos que ver esse campeonato como qualquer outro, que você se prepara o máximo e vai lá fazer seu trabalho. Se você tratar isso com um hype absurdo, você acaba colocando uma pressão desnecessária. Você não precisa ganhar o campeonato, nós não precisamos ganhar esse campeonato ou qualquer outro, precisamos chegar lá e dar o nosso melhor. Se for suficiente, nós vamos ganhar. Tem que tratar como se fosse outro campeonato, apesar de sabermos que é muito difícil fazer isso.

Quanto mais conseguirmos pensar que é um Major, é um campeonato legal, no Brasil, beleza, vamos trabalhar, vamos fazer o que tivermos que fazer até maio, chegar e dar nosso melhor. Temos que tirar um pouco da pressão das nossas costas, tem a torcida que quer nos ver, e lógico, queremos ganhar um campeonato no Brasil. Chegamos na Final uma vez, chegamos numa quarta ou semi em Belo Horizonte, aí em São Paulo perdemos todos os jogos.

É aquilo que eu falo de inconstância, uma  Final nós quase ganhamos, entregamos dois mapas, outra foi uma semifinal onde o time estava um pouco mais constante, e no outro fizemos 0-6. Essa falta de constância é difícil, se conseguirmos manter uma constância, para a preparação para o Major, será muito importante.Só não tratar o Major como algo absurdo, por mais que ele seja, temos que ter isso na cabeça para tirar essa pressão da cabeça.

No League of Legends, o brTT tem uma frase que ficou muito famosa que ele diz: “No Rio eu não perco.” Você acha que pode repetir isso no Major?

Olha, para eu falar que “no Rio eu não perco” eu tenho que jogar um campeonato no Rio, né? Acho que nem no CS 1.6 eu joguei um campeonato no Rio, a maioria eu joguei em São Paulo. Espero que seja uma verdade, mas só posso garantir depois que vencer o campeonato. Não posso falar antes senão acaba zicando, mas espero poder repetir o sucesso do brTT.

Eu conheço o brTT, somos colegas, nos respeitamos, trocamos ideia, é um cara gente boa, muito trabalhador e merecedor de tudo. Espero conseguir fazer a façanha dele de não perder no Rio.

O primeiro Major de 2019 será disputado no Rio de Janeiro e enquanto o torneio não chega, o primeiro compromisso confirmado da MIBR em 2020 é a qualificatória para a IEM Katowice, que acontece entre terça-feira (7) e quinta-feira (9).

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