Um dos melhores AWPers do mundo, Gabriel “FalleN” Toledo está em casa para disputar a BLAST Pro Series São Paulo de CS:GO. Com o evento começando nesta sexta-feira (22), o jogador tentará vencer sua primeira LAN internacional no Brasil, e contará com a ajuda de 6.000 torcedores que lotarão o Ginásio do Ibirapuera.

O jogador bicampeão de major concedeu entrevista ao Mais Esports, e comentou sobre as expectativas de jogar novamente com a torcida brasileira, as mudanças na economia e na AUG e o entrosamento da equipe.
Confira:

FalleN, como é estar no Brasil novamente para jogar mais um campeonato?

FalleN: É um prazer estar aqui de novo. Como eu vinha falando a algum tempo, para mim está faltando ainda ganhar um grande título aqui no Brasil no CS:GO, já venci alguns no 1.6, mas com toda essa torcida para mim seria uma coisa inesquecível, acho que seria o auge da minha carreira, por já ter vencido o major, então estou buscando muito um título aqui no Brasil, e a BLAST é mais uma oportunidade. Estamos lidando com esse campeonato de uma maneira muito séria e dando nosso melhor, mas temos que lembrar que o time ainda está num processo evolutivo. A gente começou logo no começo do ano juntos, estamos ainda no terceiro mês do ano, tem bastante coisa para acontecer, mas Counter Strike é assim, a gente nunca sabe quando vai acertar o “golaço” então vamos torcer para que seja agora.

Você tocou em um ponto interessante, que é esse de entrosamento que o time está buscando, e um desafio a mais pra vocês é essa sequência de viagens. Tem sido muito pesado, principalmente a partir de agora, já que vocês vão ter que voltar para a China essa semana. Como conseguir conciliar a busca pelo entrosamento e a falta de treinamento causada por todo esse tempo em voos?  

FalleN: Na verdade o pessoal não pode imaginar que a gente viaja e não treina porque isso não é verdade, por exemplo na China a gente teve algumas sessões de treino, conseguimos treinar contra alguns times que estavam lá, inclusive a Windigo, o que acabou nos atrapalhando durante a série das quartas de final da WESG, já que jogamos alguns mapas contra eles que ficamos meio em dúvida na hora de repetir no campeonato, então é até meio perigoso ficar treinando contra times do mesmo campeonato por causa disso. Em São Paulo por exemplo treinamos ontem, vamos treinar hoje de novo, segunda e terça-feiras também lá na gaming house da YeaH!, então foi a semana toda de treinos. Embora a gente esteja viajando, os campeonatos estão cada vez mais organizados para te dar essa estrutura, e isso é muito importante para que gente consiga manter o nosso nível e ir melhorando. O time está treinando bastante, mas é fato que se você não tiver uma pausa ali para fazer um treino de qualidade não é a mesma coisa, mas a gente vai tentando fazer o que da.

Os times brasileiros se mostraram bastante empolgados com a chance de poder treinar com os melhores do mundo, e fiquei sabendo que vocês treinaram com alguns times do Brasil. Você é um cara que batalhou muito por isso, para que as equipes nacionais tivessem acesso a treinos de qualidade e a vagas para eventos maiores. Hoje no Brasil a gente ta vendo um momento muito legal disso, a gente tem uma Pro League latina por exemplo, e como é para você que sempre lutou por isso ver o estado disso agora?

FalleN: Isso é muito legal de ver, porque o nível das equipes é bastante competitivo já, óbvio que não é como jogar contra uma Natus Vincere, FaZe ou Astralis, mas é bastante interessante de treinar contra, então da para ver que o nível está subindo bastante rápido, e isso é importante. Tem ai a subida do time da FURIA, tem o pessoal da Sharks, Team oNe, LG, alguns que nem estão aqui no Brasil, porém os que estão aqui também estão apresentando um bom jogo, e isso é muito legal, fico muito contente de ver isso porque passamos anos e anos as vezes pedindo pra algumas organizadoras pelo amor de deus para olhar pra nossa região e dar uma vaguinha. As vezes eu até brinco, será que esse time da MIBR daria certo aqui ni Brasil? Será que a gente consegue voltar a morar aqui? Quem sabe no futuro distante os brasileiros não precisem morar fora, mas não é a realidade de hoje. Fico muito contente de ver essa evolução do nosso cenário

Aqui na BLAST a gente tem uma competição extremamente acirrada, acho que todos os times presentes estão no top 10 da HLTV pelo menos, a gente tem a ENCE que foi a grande surpresa do major, tem a Astralis que é o melhor time do mundo etc. Para um campeonato como esse, que tem um formato tão curto, que as coisas acontecem muito rápido, como se preparar para não ser surpreendido?

FalleN: Esse formato da BLAST ele é muito legal para transmissão, para quem vai assistir, mas para quem é jogador ele é cruel. Não que seja ruim, ele é realmente só é cruel, porque você não tem muita oportunidade, se você perder um mapa para um time ali por 16-14, que inclusive já aconteceu com a gente em Istambul, você não volta mais. São cinco jogos, e você precisa de pelo menos três vitórias para passar de fase, e não pode ficar tropeçando muito e não tem tempo para perder, basicamente é assim que funciona aqui na BLAST. O lado bom é que da para se preparar, ficamos sabendo por exemplo hoje cedo que mapa a gente vai jogar contra quem, e da para estudar o adversário, pensar em alguma coisa diferente, alguma adaptação, então você vem com um estudo legal para o jogo, mas é tiro e queda, tem que chegar aqui e jogar bem porque não tem tempo para vacilo, se não não consegue chegar na final.

Com a nova economia do jogo, as MD1 ficaram um pouco mais interessantes por ter mais rodadas armadas e mais coisas acontecendo. Como time está preparado para essa nova economia? Você acha que as MD1 realmente ficam mais interessantes com essa possibilidade de ter mais dinheiro?

FalleN: Para quem não acompanhou as mudanças da economia, basicamente quando você toma um reset econômico, ou seja quando você acabou de ganhar uma rodada e perdeu a seguinte, você não reseta mais pro primeiro loss bonus, que era de 1400, você perde só um no contador, Por exemplo se você está tomando 5-0 e faz um ponto e vira 5-1, se você perdia na sequência ia ter que fazer um eco, um forçado, e ia pra 8-1 muito rápido, então agora se você cair nessa situação você tem um pouco mais de dinheiro pra tentar reverter o quadro, e de fato o que você falou é verdade, MD1 fica um pouco mais parelha caso aconteça um evento desses durante o jogo, então há uma situação dessa de economia. Isso da uma equilibrada sim. Os pistols continuam tendo um papel importante na partida como sempre, mas isso é para todos os casos, e são formatos legais cara, e é legal para tentar desbancar um time como a Astralis, da para dois, três times aqui ganharem MD1 deles. Esse campeonato vai ser muito legal porque como você mesmo disse o nível vai ser muito alto, só tem equipe de ponta aqui e pode ter certeza que vai ter muito jogão no Ibirapuera

Outra coisa que a gente viu foi uma mudança na AUG, no preço dela. Você achou que está justo? Só essa mudança no preço dela foi o suficiente?

FalleN: A AUG é bem melhor do que a M4, isso é um fato. Você consegue vencer as brigas de maneira bem mais convincente com ela, posições de distância, onde as vezes você não fica tão confortável de trocar bala com AK, de AUG você vai tranquilo. Eu acho que a AUG deveria ter ido para 3.400 justamente porque em rodadas onde você está com a economia um pouco quebrada, na hora que você tem que decidir mesmo como vai gastar, teria que optar em ficar com menos uma smoke por exemplo, caso quisesse fazer o uso da AUG. De qualquer forma 3.300 de certo modo está quase lá, teria que trocar por uma flash nesse caso, e ainda acho que deveria ser um pouquinho mais caro, e acho que a arma em si ainda é um pouquinho forte demais, deveriam dar uma nerfadinha nela em um quesito ou outro, mas esta sendo legal jogar nesse meta.

Em um dos jogos vocês vão jogar Nuke, o ban clássico da LG/SK/MIBR, contra a Faze Clan. Como foi essa decisão para vocês? É um mapa que vocês voltaram a jogar recentemente, lá na China. Porque escolher Nuke contra a FaZe?

FalleN: A gente vem preparando a Nuke desde que o zews entrou no time. Sabemos que para que a Nuke passe a se incorporar dentro do nosso map pool, a gente precisa jogar ela mais vezes. Acabou acontecendo pela primeira vez na China, e vai acontecer agora de novo por escolha da FaZe, porque ela poderia ter escolhido Dust 2 também mas optou pela Nuke. É um mapa que a gente joga, mas também não faz muita questão de jogar, se quiserem jogar contra nós nela vamos lá, e a gente vai incorporando aos poucos. tenho certeza que se a gente ganhar vamos ser gênios e se nós perdermos vamos ser massacrados, mas é assim que funciona mesmo no jogo, a gente ta acostumado (risos).

Para finalizar, sobre essa questão de ganhar um título no Brasil, uma das coisas que está virando cada vez mais comum é ter mais eventos internacionais por aqui, esse é o terceiro. Sabemos que vocês são jogadores muito experientes, já viveram várias situações, mas ainda pesa, na hora que você está lá na arena, com a galera gritando, torcendo pelo MIBR? Você fica pensando que precisa dar uma resposta pra esse pessoal, preciso vencer esse título aqui?

FalleN: Sendo bem sincero, acho que toda a atmosfera antes da partida começar pesa um pouco no sentido de que você realmente quer fazer um algo a mais, quer se entregar mais, quer se dedicar mais, porém na hora que o jogo começa, a gente tem que se desligar, e acho que pesa muito mais pros adversários jogar contra um estádio tão lotado torcendo tanto para a gente. Ali na hora do jogo, se for atrapalhar alguma coisa é por querer demais, as vezes fazer mais do que deveria em algum momento, mas eu acho que pressão em si o time está bastante acostumado, o time só tem macaco velho, a galera já está acostumada a essas situações e torcida a favor é só um boost cara. Para gente é muito legal e muito satisfatório jogar com a torcida brasileira, os caras são demais.