coachi, treinador da Sharks, na primeira edição da LA League (Foto: Felipe Guerra)

Hélder “coachi” Sancho não está contente com o tratamento recebido pela Sharks Esports. O treinador luso-brasileiro está prestes a retornar ao Brasil para a disputa da DreamHack Open Rio e acredita que seus comandados não tem a atenção devida da comunidade nacional.

“Eu acho que somos o time mais subvalorizado do Brasil”, afirmou coachi em entrevista ao Mais Esports.

“Em 2018 fomos o segundo melhor time brasileiro em lan, na frente de todos os outros [com exceção da MIBR]. Tirando a MIBR, vejo FURIA e Sharks como o futuro do CS brasileiro. [São] os únicos dois times com jogadores capazes de ganhar dos grandes nomes mundiais”, continuou.

Coachi foi além e afirmou que vê seus comandados na frente da FURIA eSports – que recentemente disputou o major da IEM Katowice e venceu a 30ª temporada da ESEA MDL norte-americana de maneira invicta.

“A verdade é que a Sharks ainda está na frente da FURIA até aqui. A FURIA nunca ganhou na lan dos times que a Sharks foi capaz de ganhar”, cravou.

“Apesar da classificação da FURIA para o major, quem ganhou md3 e mapas de times tier 1 na lan recentemente foi a Sharks”, completou.

Apesar disso, coachi acredita que a FURIA vem com favoritismo para o campeonato: “Pelo momento online que a Sharks passou, o favoritismo vai para outros times. Um deles é a FURIA”.

BOOTCAMP EUROPEU

Como é tradição, a Sharks passou as últimas semanas treinando em Portugal, país-sede da organização. Para coachi, o bootcamp em solo europeu ajudou a equipe a retomar parte do ritmo de jogo.

“Eu diria que nosso nível estava nuns 10% do que ele realmente é enquanto estivemos no Brasil e esse bootcamp ajudou bastante a nossa recuperação”, afirmou.

“Mas ele não é suficiente para uma temporada inteira. Logo depois da DreamHack voltaremos para a Europa e continuaremos treinando aqui até a LA League [em maio]”, completou o treinador.

Períodos fora do país costumam ajudar a Sharks por um curto espaço de tempo. Quase sempre após voltar de Portugal, o time tem um bom desempenho em torneios nacionais – mas, com o passar das semanas, a performance cai.

Para coachi, o problema é a qualidade dos treinos no Brasil. “Para nós, que fazemos temporadas de Brasil, [passamos um] pouco [de tempo] nos Estados Unidos e [ficamos] principalmente na Europa, é muito difícil quando regressamos muito tempo ao Brasil. A qualidade de treino cai muito e não conseguimos manter o mesmo foco”.

“É muito diferente e mais fácil para os times que estão sempre no Brasil manterem a pegada. [Eles] estão mais acostumados a viver os treinos do jeito que eles são aí. Mas vale lembrar que toda essa queda de desempenho é sempre nos campeonatos online e, até hoje, nunca em lan”, completou.

FOCO NA VITÓRIA

Para coachi, o resultado interessante para a Sharks na DreamHack Open Rio é a vitória.

“Vencemos todos os eventos que jogamos em lan no Brasil, vencemos a FURIA na última final que jogamos com eles no Brasil. Ficamos na frente de INTZ e AVANGAR em todos os últimos campeonatos que as duas equipes estiveram presentes conosco. Então, para nós, o bom resultado é vencer”, afirmou.

O treinador, porém, reconheceu que essa não será uma missão fácil. “Sabemos que é um campeonato muito difícil, um dos mais equilibrados do ano, provavelmente. Diria que existem cinco times que podem vencer esse campeonato e não seria surpresa nenhuma se algum desses vencesse. Dependendo dos grupos, até passar a fase de grupos poderá ser difícil, mas, acreditamos muito em nós”.

nak, capitão da Sharks Esports, durante as finais da 8ª temporada da ESL Pro League (Foto: Helena Kristiansson/ESL)

Essa falta de conhecimento dos primeiros adversários, inclusive, é destacada por coachi como um ponto negativo – mas o treinador não a vê como um escudo.

“É um desafio sim [não ter os grupos sorteados ainda]. Nos ajudaria bastante saber quem serão os nossos adversários. [Mas] está igual para todos, então não podemos reclamar”, afirmou.

Questionado sobre os adversários que a Sharks conhece bem – os europeus AVANGAR, Valiance e AGO Esports -, coachi alertou para sua força.

“Esses três times são extremamente fortes. No Brasil talvez não sejam muito respeitados, mas quem realmente os conhece sabe que são times capazes de bater no tier 1. Ficaria muito surpreso se W7M ou eUnited conseguissem vencer algum desses três numa md3”, afirmou.

“Podemos saber o que esperar deles por jogar na Europa, mas mesmo assim serão adversários bastante difíceis até para nós ou FURIA”, completou o treinador.

DISTÂNCIA DA TORCIDA

Apesar de ter conseguido títulos importantes em solo nacional, a Sharks está distante de gozar da fama que equipes como FURIA e INTZ conquistaram perante o público brasileiro. Coachi reconhece que esse distanciamento se dá por conta do perfil “mais reservado” dos membros do quinteto – e também de seu treinador.

“Hoje vivemos o mundo das redes sociais, um jeito de interagir entre jogadores e ‘fãs’ com o qual eu pessoalmente não me identifico. Vocês nunca vão me ver caçando seguidor”, contou.

“O perfil dos nossos jogadores sempre foi mais reservado e eu penso que deveria ser suficiente a qualidade e humildade deles para conseguirmos ser um dos times com mais torcida. No entanto, isso por enquanto não acontece e eu creio que existirão mudanças na Sharks nesse sentido, mas, por enquanto, não posso revelar quais serão”, finalizou.