Eu tenho que admitir: eu não botava muita fé na Chengdu Hunters nessa volta da Overwatch League. Talvez eu tenha deixado algumas partidas deles passarem em branco durante a estreia, mas nessa semana eu percebi o erro que estava cometendo. Não façam isso. Em um metagame povoado por Brigittes, Lúcios e Zaryas, ver um time “voltando às raízes” do Overwatch competitivo foi uma delícia de acompanhar e torcer.

O nome não está ali à toa: a natureza de “caçadores” está presente a todo momento nessa equipe. Hu “Jinmu” Yi, Tzu-Heng “Baconjack” Lo e Menghan “Ameng” Ding fascinam pelo impacto e habilidade com personagens um pouco esquecidos do rol competitivo — como Hanzo, Widowmaker, Bastion e Wrecking Ball. E, mais do que isso, a equipe demonstrou que está ali para caçar mais do que apenas algumas cabeças: está derrubando algumas cabras incômodas que se multiplicaram na Overwatch League.

O GOATS — a composição de três tanques e três suportes que nosso mestre Tonello já cansou de nos explicar — reina no campeonato da Blizzard há algum tempo. E alguns meses antes disso também. A brincadeira veio com o nome da equipe que descobriu essa festa cuja principal convidada é a Brigitte, mas logo a tradução se alastrou juntamente com a popularização dessa composição específica.

 

Até que todos os times só usavam GOATS. Só pensavam em GOATS. Se nada der certo, use GOATS. Foi assim até os jogadores se preocuparem com a saúde a longo prazo do metagame, afinal a expectativa de vida de uma cabra é de 15 anos e a Blizzard até hoje está devendo uma solução para esse “desbalanceamento” criativo para a comunidade competitiva.

A Chengdu Hunters é uma das equipes que menos utiliza dessa composição. Em Nepal, eles continuam trazendo Pharah e Mercy. Em situações neutras, apostam na habilidade do seu main tank com Wrecking Ball. Em Volskaya, fazem linha cruzada com Widowmaker e Hanzo como snipers. Meu senhor amado, eles até trouxeram Bastion no confronto contra a Toronto Defiant na última sexta-feira (8). E eles fazem isso dar certo. Bom, na maior parte das vezes. E mesmo quando não dá certo eles continuam brigando de igual pra igual.

Não é à toa que o analista norte-americano Christopher “MonteCristo” Mykles já deixou bem claro que eles estão jogando a Overwatch League no “Hard Mode”. Estão desafiando o próprio jogo com sua habilidade e isso está sendo sensacional de acompanhar. É como se o GOATS fosse aquele monstro chato que você precisa passar em Dark Souls, mas toda vez que recupera o fôlego ele estará de volta. O jeito é respirar fundo e enfrentar novamente.

Para nós sobra a pipoca enquanto acompanhamos a coragem desses bravos guerreiros.