O Six Invitational é o momento mais esperado para um pro player de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege, afinal, estamos falando do maior torneio do cenário competitivo da categoria. E o Brasil novamente chega com boas chances de título.

A partir do dia 11 de fevereiro, Team Liquid, FaZe Clan, Ninjas in Pyjamas e Immortals darão início à jornada para erguer o “Martelão do Sledge”, formato do icônico troféu desse Major tão aguardado.

Serão 16 equipes no páreo brigando não só pelo título mundial, mas também pela premiação total que chega a quase US$ 1,5 milhão (mais de R$ 5 milhões) – segundo com o Esports Observer.

A comunidade tupiniquim está confiante numa boa participação dos nossos representantes. Com isso em foco, o Mais Esports conversou com os analistas Otávio “Retalha” Ceschi e Guilherme “Guille” Scalfi para entender o momento no qual Liquid, FaZe, NiP e Immortals chegam ao torneio a ser disputado em Montreal, no Canadá.

Team Liquid

Alguns torcedores até podem fazer cara feia, mas não tem como deixar de admitir que os Cavalos estão em melhor momento comparado aos outros brasucas. Na atual temporada, ziG e companhia são líderes do Brasileirão de R6 e estão em segundo lugar na Pro League latino-americana.

As colocações na tabela não são por acaso. Com ambição de voltar a ser campeã mundial, a organização investiu pesado na janela de transferências e trouxe Guilherme “gohaN” Alf e Luccas “Paluh” Molina. Essa qualificação foi fundamental para o “favoritismo total”, como pontuou Retalha.

“Favorito porque hoje em dia temos um nível de elenco muito alto. A entrada de gohaN, por exemplo, que é um ótimo IGL. É um cara que tem uma baita visão de jogo, algo assim do comum., diferente de boa parte do cenário. E tem o Paluh, que é um nesk em sua forma ainda não evoluída, mas um cara de igual potencial.”

gohaN (centro) e Paluh (costas) são as principais armas da Liquid (Foto: divulgação)

A dupla também é vista como principal trunfo na avaliação de Guille. O analista exalta a Team Liquid como um conjunto forte, com táticas e funções bem definidas para cada jogador – além de serem jogadores experientes em torneios presenciais.

Uma das melhores lines da LATAM. Eu creio que será o momento para Liquid provar todo o seu potencial nesse Six Invitational. Vão enfrentar equipes que apresentarão diversos metas e táticas distintas da LATAM”, ressaltou.

Sobre o grupo, que tem ninguém menos que a G2 Esports, considerada a melhor equipe do mundo, Retalha vê com bons olhos esse provável confronto de gigantes logo de início. “Às vezes você pega um grupo muito fácil, aí chega depois nos playoffs ainda fria – já que não aqueceu direito ou deu aquela garra.”

FaZe Clan

Atual Top-2 do mundo em função da Pro League no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, a FaZe Clan chega à disputa de um mundial diferente do roteiro já habitual.

Isso porque a line-up capitaneada por Rafael “mav” Freitas sempre chegou em alta para torneios internacionais exatamente por conquistar os regionais da Pro League ou então ter carimbada a faixa de campeã brasileira da categoria – o que não é o caso.

Mesmo sendo apenas a quinta colocada na Pro League, a FaZe pode e deve dar a volta por cima na opinião de Retalha.

É a que está em pior momento, mas que não significa que eles vão performar mal. É só lembrar a NiP no Major. Naquela ocasião, minha prediction é que eles não iriam bem e acabou que foi a única equipe brasileira que passou para a fase de playoffs.”

Má fase da FaZe Clan se deu muito por problemas fora de jogo (Foto: divulgação)

Inclusive, o analista reforça que “boa parte dos problemas que tenham afetado a FaZe nesta temporada foram problemas fora do jogo”. Não à toa, o time está em segundo lugar no BR6 – disputado sempre de forma presencial.

Guille acredita que se trata de “uma line que não levará a má fase para esse Six Invitational. São jogadores com muito habilidade individual e que conseguem trazer isso para o conjunto.”

Nas palavras de Retalha, esse time já deu provas no Rio de Janeiro de como pode se superar. “É uma FaZe que virou um mapa em cima da Mock-It naquela Pro League e que ainda foi vice-campeã desse mesmo mundial. A line ainda é a mesma.”

“O Astro não está num bom momento, pelo menos aqui, mas vamos ver se no Canadá consegue brilhar. O mav tem segurado bastante essa ponta, juntamente com o HSnaMuringa. Astro é o entry fragger, então talvez só aproximar mais o trabalho dele com o time nos mapas.”

Ninjas in Pyjamas

Estamos falando da line-up que mais se sente à vontade em jogar mundiais. Nos últimos torneios lá na gringa, Psycho e companhia sabem como jogar contra os estrangeiros.

No Six Invitational em 2018, por exemplo, quando ainda defendiam a Black Dragons, foi a equipe tupiniquim que mais longe chegou.

O mesmo status veio no Six Major no segundo semestre do ano passado, sendo a única representante brasileira que avançou para os playoffs. Guille acredita que essa tradição é um dos trunfos para a Ninjas in Pyjamas ir bem no Canadá.

Line da NiP sempre performa bem em mundiais (Foto: divulgação)

“É a line que mais foi longe nesses eventos com group stage e playoffs. Foram bem no Six Invitational 2018 e provaram o potencial chegando nos playoffs do Six Major. Line com potencial individual e que deve fortalecer a estrutura tática até o evento.”

Retalha cravou a NiP como sua principal aposta para passar da fase de grupo, que tem a FaZe Clan pelo caminho. “É um time que está numa fase muito boa. Se eles estavam na Pindaíba na última temporada, na atual fase eles vêm muito bem – seja na Pro League tanto como no Brasileirão.”

Basta olhar para as tabelas de Pro League (Top-3) e BR6 (Top-4) para entender as palavras de Retalha. “É uma equipe que comete um errinho talvez por repetição de tática, mas é uma line muito versátil e que tem ótimos jogadores. Pino e Psycho vêm numa ótima fase. O julio também. Tudo conspira à favor deles.”

Immortals

Por fim, a Immortals é o time que mais pode surpreender no Canadá. Afinal, como pontuou Guille, trata-se de “uma line com jogadores bons, mas que necessitam organizar o jogo taticamente. Estão se reestruturando e devem definir todos os detalhes nessa bootcamp pré-mundial”, que vem sendo feito em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Retalha também vê muito potencial na Immortals, mas que ainda precisa tomar melhor forma. “É outra equipe que também vem bem, ainda mais nos primeiros jogos da temporada. Aí começou a cometer alguns vacilos durante as partidas em termos de falha de leitura de jogo ou demora nessa leitura de jogo.”

“Às vezes até mesmo uma pressa desnecessária, como um rush que não precisava fazer. Acelerava-se a partida quando tinha ainda muito tempo para trabalhar e dar uma melhor alternativa. É um time que comete muitos erros”, analisou.

Novys ainda é a cara da Immortals (Foto: divulgação)

Guille também enxerga uma dependência do jogo coletivo em Novys, capitão da equipe. Isso é algo que vem ainda da última temporada, “mas Cyber e Bullet podem ser uma dupla interessante para as eliminações” e desafogar o principal jogador. Mesmo assim, é um conjunto que “deve trazer bons resultados sim”.

Para Retalha, a dependência em Novys vem sendo trabalhada. Para ele, o real problema da Immortals é outro. “Minha dúvida é no aspecto emocional. Eles estão bem tranquilos na Pro League: o Bullet encaixou, só não está em melhor fase em comparação à Atlantic City; o Novys continua muito bem – e ainda vejo que é a sua melhor temporada.”

E de fato: a equipe está em primeiro lugar no regional latino-americano, mas é apenas a antepenúltima no BR6. “A Immortals reuniu jogadores de ótimas skills e hoje em dia com teamplay em todas as funções. Tem que ver o psicológico deles: é uma line nova em termos de idade. É preciso ver como estarão com a cabeça para o Six Invitational.”

E para você, quem é o favorito dentre os brasileiros para levar o título do Major? Comente nas redes sociais do Mais Esports e acompanhe a nossa cobertura especial.