Há cerca de um ano a Vivo Keyd chegava à grande final do primeiro split do CBLoL 2018 contra um dos melhores times na ocasião, a KaBuM e-Sports. A equipe era formada pelo mesmo elenco atual, com exceção do caçador Revolta, que junto aos demais formava o tão temido Exodia, o quinteto mais vitórioso no cenário brasileiro de League of Legends.

No entanto, a derrota veio e, com ela, muitas reflexões. A organização manteve o mesmo elenco para o segundo split e até chegaram aos playoffs. Mesmo vencendo a RPG, a equipe perdeu uma longa e exaustiva série contra a CNB por 3×2. Mais uma vez a Keyd se afastava do troféu enquanto que os limites daquela line up eram cada vez mais questionados.

Em 2019 a organização finalmente comunicou que Revolta estaria aberto a receber propostas, o que pareceu ser uma resposta para os problemas internos. Ora, não era possível saber quais eram as adversidades enfrentadas pelo grupo naquele momento, mas certamente parecia haver um certo desgaste, que talvez fosse um impedimento para o progresso no futuro.

Independentemente da decisão tomada, os guerreiros se renovaram para esse ano, trazendo um jungler taiwanês, Laba, e um coach singapurense, Nelson, como seus maiores investimentos. Além disso, havia outros reforços como Professor, Klaus e o caçador Caos, sendo que os dois últimos já tinham jogado juntos na Iron Hawks há dois anos.

O começo do fim

Diferentemente do ano anterior, a campanha da VK nesse primeiro split foi bastante instável, com duas derrotas na primeira semana, mas duas vitórias na semana 2. E assim o mesmo fenômeno foi se alastrando nas demais semanas, com o time adentrando uma situação bem complicada nas últimas rodadas. Dependendo de outros resultados, os guerreiros viram o sonho dos playoffs se tornar o pesadelo da série de promoção.

Muitos fatores foram apontados como responsáveis pelo mau desempenho, como o fato do caçador taiwanês não ter se encaixado bem na equipe, seja por questões mecânicas ou a própria questão da barreira linguística, que, logo de início, foi aparentemente o cerne do problema. O ex player da LMS entendia muito pouco de inglês, o que provavelmente interferiu em muitos resultados, direta ou indiretamente.

Me lembro bem que em uma das coletivas, logo após uma derrota, um dos jogadores da Keyd comentou “Foi um erro de execução, não de comunicação.” Pois bem, não consigo ver esses dois fatores como indissociáveis, sendo que um está diretamente ligado ao outro. Não obstante, tanto KaBuM como Flamengo se destacaram nos últimos anos justamente pela questão da sinergia, entrosamento e coesão. Especialmente no caso dos Ninjas, que não eram vistos como os melhores jogadores em cada rota, mas venceram pelo estilo de jogo que desenvolveram, que era, sobretudo, um estilo que tinha foco no coletivo.  

Sabe-se que em League não é somente a habilidade que importa, mas muitas outras questões que surgem dentro e fora de jogo. Laba é um jogador que pertence a uma outra cultura e que tem um estilo de jogo bastante diferente. Até aí, caberia o mesmo questionamento ao coreano Shrimp, que segue como um dos melhores – senão o melhor – jogador da etapa. Por que um jogador estrangeiro tem um efeito tão diferente de outro em equipes que contam com bons jogadores? A pergunta é muito complexa e difícil de ser respondida, exatamente porque há uma série de fatores que podem estar envolvidos.

Mesmo a line up do Fla, no ano passado, teve algumas dificuldades de adaptação com Shrimp e Jisu. Ainda assim, houve todo um planejamento a longo prazo que deu suporte para esses jogadores, como a contratação da tradutora Ga, o coach Jordan Corby (que fala inglês, assim como os coreanos). Isso prova que pequenos detalhes podem fazer muita diferença numa organização e não só em termos de jogo, mas com cultura e mindset alinhados.

Grande parte das justificativas relacionadas à habilidade são também questionáveis. Por vezes os jogadores da Vivo Keyd repetiram que “eram a equipe que mais treinava”. Em várias partidas jogadores como Yang, Tockers e Micao fizeram uma excelente atuação. Além disso, o time foi o único a realizar um bootcamp durante o Carnaval deste ano, buscando a evolução. Não parece ter sido suficiente.

É claro que com a saída de Revolta houve uma quebra, ainda mais com a entrada de um estrangeiro. No processo de comunicação, muitas coisas acabam se perdendo e os guerreiros tiveram muito pouco tempo para se reconstruir em meio a tantas dificuldades. Apenas treinar não basta, e trocar o elenco no final da etapa não foi eficiente justamente pela mesma razão. Grandes mudanças requerem tempo e isso a Keyd não tinha.

Infelizmente os jogos da Keyd ficaram marcados pelos mesmos erros, principalmente em termos de decisões. Escolhas individuais acabaram se sobressaindo às coletivas, como impaciência em calls, rotações e finalização. No entanto, é importante ressaltar o efeito que a pressão tem sobre esses jogadores. Se por um lado é difícil lidar com os problemas dentro do jogo, por outro existem os contratempos externos. Organização, torcida e a própria cobrança são elementos que pesam muito em decisões.

Seja lá quais forem os impasses encontrados pelo clube até agora, eles terão que ser resolvidos até a série de promoção, caso queiram se manter na Elite. É bom lembrar que os adversários do Desafiante estão fortes, nomes como Pain, Red Kalunga, Team One estão na jogada. Não se trata de elencar culpados e nem de relembrar o passado, mas buscar alternativas que sejam condizentes com a situação atual. No mais, torço para que a equipe consiga se encontrar dentro e fora do Rift.