Era o terceiro jogo da série entre INTZ e Redemption e na plateia, era possível ouvir “Já era, olha como eles entraram pro jogo, estão abatidos”, afirmou um espectador com bastante certeza, referindo-se ao time de Porto Alegre. Estava 2×0 para os Intrépidos no placar e a expectativa entre a torcida era de que a Redemption dificilmente voltaria para a série, “Eles são muito emotivos, acho que o psicológico vai abalar”, comentava um fã que acompanhava apreensivo.

No entanto, para a surpresa da maioria, a equipe dominou o terceiro jogo, mostrando que ainda vivia o sonho das finais. Quando Krastyel escolheu Yasuo e Nyu trouxe Hecarim para o topo, a perspectiva já era positiva. Nos dois jogos anteriores da série, os fãs seguiam questionando escolhas que se mantinham: Jarvan, Galio e Kai’Sa. Por mais que essas decisões fizessem parte do planejamento estratégico, elas pareciam não encaixar.

Além disso, algumas prioridades nos primeiros jogos foram um tanto quanto questionáveis. A ideia de Vayne no mid era até interessante, mas a Redemption não tinha prioridade nas outras duas rotas, o que deixou Shini livre para punir bastante a campeã  no early game. Por outro lado, por mais que Karma também fosse viável, justamente por combinar com o estilo de jogo mais “seguro” de Krastyel, foi outra opção que não funcionou tão bem, principalmente contra uma composição com um potencial tão agressivo, com Sylas, Vladimir e Rek’Sai. Era seguro demais.

Por vezes comentei que esse era o estilo da equipe de Zuao e companhia. Jogar de forma mais controlada, em torno daquilo que é mais confortável, priorizando as jogadas coletivas. O caçador sempre foi uma das peças chave, justamente por jogar mais para a sua própria equipe, criando e administrando as vantagens principalmente no topo e na rota inferior.

Por essa razão, deixar campeões com mais impacto no jogo para Nyu, como alguns split pushers era o caminho. Por outro lado, deixar o meio com opções confortáveis, mas não tão passivas. Isso foi exatamente o que a equipe trouxe nos jogos em que venceu.

Redenção

Depois de uma quinta partida bastante acirrada, a INTZ garantiu a vitória. Mesmo assim, foi difícil falar sobre vencedores depois dessa série. Mesmo sem alcançar as finais, a Redemption foi um dos times mais consistentes da primeira etapa do CBLoL neste ano. E quem diria que esse seria o destino de uma das line ups mais desacreditadas do cenário.

Quem acompanha o competitivo provavelmente sabe que Nyu, Krastyel, Duds e Ceos fizeram parte da TSHOW e protagonizaram a pior campanha da história do CBLoL em 2017, ao perderem todas as partidas e serem automaticamente rebaixados para a segunda divisão. Foi somente em junho de 2018 que o elenco se restabeleceu junto de Zuao, que até então era um jogador bastante criticado, especialmente por erros crassos em momentos importantes, como esquecer de selecionar runas e talentos.

Também é importante relembrar que Nyu foi afastado seis meses do competitivo por elojob, o que o impediu de jogar o segundo split do CBLoL na época junto aos Bodes. É claro que fatores como esses afetam a vida dos jogadores. Más decisões na vida real podem desencadear más decisões no Rift. Por mais que tenham tido momentos difíceis, esse grupo não desistiu. Foram rebaixados e desacreditados, mas nunca permaneceram no chão.

Muito além do hype

É difícil ponderar sobre todos os fatores que pesaram na semifinal. Criando uma filosofia anti hype, a RDP foi se fortalecendo. Sempre me recordo do quanto Zuao demonstrava ter os pés no chão em todas as coletivas, “Nós temos que pensar semana a semana”. Por motivos como esse, tenho minhas discordâncias quanto ao fator psicológico, acho que eles tinham uma boa mentalidade para lidar com a série, o bastante para ficarem próximos de vencer a INTZ 80.

Todavia, fica a mensagem de mais uma organização recente que já construiu uma parte e que continuará construindo sua história. Todos os jogadores demonstraram que merecem estar ali, brigando pelo título. Queria destacar Ceos e Zuao, figuras que considero fundamentais para a equipe. Tendo a maior participação em abates dentre os suportes (79,9%), ele certamente não fica muito atrás de Luci (72,2%), o melhor jogador da rota atualmente.

Por sua vez, o caçador foi o que mais me impressionou. Com um passado nada fácil, sua maior meta era se provar. O ex jogador da Pro Gaming teve um recomeço e tanto. Para quem cometeu erros nas escolhas de campeões e até esqueceu de selecionar os talentos, muita coisa mudou, né?

No final do quarto jogo, um ato bastante simbólico. Zuao se levantou da cadeira e arrancou um grito firme enquanto olhava para a platéia, como quem precisava tirar um peso enorme das costas. A torcida vibrou e hypou, especialmente sua mãe, que estava lá. Ora, não é isso que é redenção? Redimir-se, libertar-se, reabilitação, reparo, salvação.