Por muito tempo, a comunidade internacional de LoL vinha pedindo por uma mudança no formato de torneios. Não dava mais pra jogar apenas o Mid Season Invitational e o Mundial, guardar os equipamentos e esperar as edições seguintes. Por isso, a Riot resolveu expandir ambos eventos ao adicionar o Play-In. Assim, os plantéis de regiões emergentes podem jogar mais entre si, enquanto alguns times das Major Regions também ganham experiência com essa fase inicial.

Não satisfeita, a empresa deu um passo adiante e anunciou o Rift Rivals, um torneio inédito que justamente inflamaria a rivalidade entre determinadas regiões. Por exemplo: a América do Norte enfrenta a Europa; Coréia do Sul, China e Taiwan disputam entre sí; Brasil, LATAM e LAN batalham pela glória e por aí vai.

O embate, que acontece no início de Julho, tem formatos variados de acordo com as ligas. Em geral, porém, gira em torno de melhores de 1 para a fase de grupos, com uma final melhor de cinco entre os times que se saíram melhor na primeira parte.

Arte oficial do Rift Rivals (lolesports)

Não é, contudo, um campeonato comum, do qual apenas um se sagra vencedor. A região que sairá campeã, o que tira um pouco da competitividade da coisa. Mas esse não é o problema. A grande questão é sobre os convites, que agora no início da temporada parecem já não fazer mais sentido. Isso se deve ao fato de os representantes ocidentais estarem completamente embaralhados, com os times mais fortes do split passado jogando em um nível muito inferior.

A inconsistência ocidental não é novidade, no entanto. Desde que o MSI foi criado, o topo de tabela dos Estados Unidos, Europa e até do Brasil voltam do recesso mais fracos. Por isso, o fato da Riot decidir convidar os melhores de meses atrás e não quem está bem no momento é um tanto surpreendente.

Tome como exemplo a região norte-americana. TSM, Cloud9 e Phoenix1 foram os três melhores do Spring Split desse ano. Agora, essas equipes ocupam o quarto, sétimo e último lugares respectivamente. Já Immortals e Counter Logic Gaming, times que ninguém dava nada na etapa passada, demonstram uma classe até então superior. Claro, pode-se argumentar que isso é só uma fase e aqueles top teams eventualmente ascenderão. Não foi o que aconteceu nos últimos dois anos: na Primavera de 2015, TSM e Cloud9 tiveram um win-ratio de 72% e 67% respectivamente. Passado o MSI, eles decaíram para 61% e 33%. Isso se repetiu com a CLG em 2016, que antes do MSI ficou em segundo da fase regular com uma marca de 13–5 e posteriormente registrou 10–8, em quarto lugar.

Phoenix1 amarga atualmente a lanterna da NALCS (Dot Esports)

A Europa historicamente não é diferente. Em 2015, a SK Gaming perdeu sua estrela, Konstantinos “FORG1VEN” Tzortziou, e viu seu recorde cair de 15–3 (1º) para 6–12 (9º) em apenas dois meses. 2016 fez um estrago entre splits ainda maior: G2, H2k e Vitality tiveram um win-ratio de 83%, 78% e 72%, respectivamente, na fase regular. Após o MSI, as referidas line-ups passaram a ter 77%, 55% e 41%. A diferença entre os últimos dois é gritante.

O Brasil não podia ser díspar, ainda que em 2015 as duas melhores equipes do primeiro split — INTZ e Keyd —tenham se mantido igualmente bem no segundo. Em 2016, as Estrelas ficaram em primeiro lugar da fase regular, mas no split seguinte caíram para quarto. O mesmo vem acontecendo em 2017, uma vez que o time de Murilo “takeshi Alves e RED Canids ocupam respectivamente a quinta e quarta posição, com atuações discutivelmente piores.

Como lado positivo, as regiões orientais — Coréia, China e Taiwan — costumam se manter em constante evolução. Grandes clubes como SKT T1, kt Rolster, Samsung Galaxy, Team WE e OMG ainda figuram no topo de suas ligas, sem uma grande queda de rendimento. Mas como elas vão se enfrentar, essa é basicamente a exceção, não a regra.

Não dá pra explicar com certeza o motivo dessa queda de produção pós-MSI. A organização pode ter optado por uma roster change que não deu certo, as equipes ao redor melhoraram ou até mesmo acabou o gás. Mas é evidente que convidar times às cegas tira a credibilidade do torneio, assim como minimiza o mérito de quem está indo bem no meio da temporada.